Casos recentes de envenenamento por bebidas adulteradas têm causado mortes e sequelas graves; especialista explica como diferenciar de uma simples ressaca ou “labirintite”.
Diante do aumento de casos de intoxicação por
metanol no Brasil, supostamente presentes em bebidas alcoólicas adulteradas, o neurologista
Dr. Saulo Nader faz um alerta: sintomas como tontura,
sonolência excessiva e visão borrada podem ser sinais de algo muito mais grave
do que uma simples ressaca.
“A tontura causada pela intoxicação por metanol
costuma ser diferente da vertigem típica da labirintite. Em vez de sensação de
rotação, o paciente sente um mal-estar difuso, acompanhado de muita moleza no
corpo, sonolência e enjoo intenso”, explica o especialista.
Segundo Nader, é comum que esses sintomas sejam
subestimados, especialmente se o paciente consumiu bebidas nas últimas 24
horas.
“A pessoa pode achar que está com uma ressaca mais
forte ou com labirintite, e acaba demorando a buscar atendimento. Isso é
perigoso, porque o metanol é altamente tóxico e pode causar cegueira
irreversível, comprometimento neurológico, insuficiência renal e até morte”,
alerta o neurologista.
Se você está com TONTURA -
ALERTAS PARA POSSIBILIDADE DE INTOXICAÇÃO POR METANOL:
- Consumiu bebida alcoólica nas últimas 24 horas;
- Sua tontura não é de início do tipo que as coisas
giram (não é uma vertigem, como nas chamadas “labirintites”). Ela é mais como
um mal-estar na cabeça e no corpo todo, junto com muita moleza;
- Muito enjoo associado;
- Sonolência associada (estar com muito sono);
*Note aqui que a moleza no corpo, o enjoo e a
sonolência são desproporcionais a uma simples ressaca pelo etanol - os sintomas
são bem mais exuberantes, mais marcantes. Como se fosse uma mega ressaca.
Reforça possibilidade se:
- Dor abdominal, diarreia e vômitos;
- Evolui com instabilidade de desequilíbrio para
andar;
- Confusão mental associado (falar coisas sem
sentido, fora de contexto, não entender coisas usuais);
- Visão borrada - embasamento visual incomodando a
visão.
“A intensidade dos sintomas é desproporcional. É
como se fosse uma ‘mega ressaca’, mas na verdade é um envenenamento. Não dá pra
esperar passar, o atendimento médico imediato é fundamental para evitar
sequelas graves”, orienta o neurologista.
Tratamento pode salvar
vidas
O neurologista Dr Saulo explica que o tratamento
precisa ser iniciado o quanto antes. Isso pode incluir:
- Monitoramento
de órgãos vitais como fígado, rins e pâncreas;
- Correção
da acidose metabólica;
- Uso
de etanol por via venosa, que bloqueia a metabolização tóxica do metanol;
- Em casos mais graves, hemodiálise.
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