Academia de Medicina do Rio promove encontro
para discutir prevenção e cuidados com a saúde da mulher
Banco de imagens da Matsuda Press
A
cada dia, 55 mulheres brasileiras perdem a vida por causa do câncer de mama.
Por trás desses números estão histórias reais: são avós que não verão os netos
crescerem, mães que deixam filhos pequenos, profissionais no auge da carreira
que perdem tudo de uma hora para outra. Só em 2023, mais de 20 mil famílias
viveram essa dor. E as projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) não
trazem alívio, para 2025, a estimativa é de 73.610 novos diagnósticos da doença
no país.
O câncer de mama continua sendo o tipo mais comum entre as mulheres e também o
que mais mata. De 2018 até 2023, foram 173.690 mortes. Pior ainda: esse número
cresceu 38% quando comparamos 2014 com 2023. A pandemia jogou mais lenha nessa
fogueira. Com consultórios fechados e exames adiados entre 2020 e 2021, muitas
mulheres acabaram descobrindo a doença tarde demais. O resultado apareceu no
aumento de mortes em 2022 e 2023.
Quem trabalha na área da saúde sabe bem o peso dessa realidade. Médicos e
enfermeiros encaram diariamente o medo estampado no rosto das pacientes que
acabaram de receber o diagnóstico. Comemoram cada pequena vitória no
tratamento. Sofrem com as perdas que não conseguiram evitar. A luta contra essa
doença já dura décadas, mas a medicina não para de buscar jeitos melhores de
prevenir, detectar cedo e tratar.
O problema do diagnóstico tardio
Aqui mora um dos grandes nós da questão: apenas 24% das mulheres no Brasil
fazem mamografia com regularidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda
que esse número chegue a 70%. Essa diferença brutal significa uma coisa: muita
gente descobre a doença quando ela já está avançada, principalmente quem
depende do SUS.
Detectar o câncer logo no começo faz toda a diferença nas chances de cura. Na rede
particular, isso acontece com mais frequência. Já no sistema público, boa parte
das pacientes chega ao médico com a doença em estágio III ou IV. Não é difícil
entender por que as taxas de sobrevivência são bem menores no SUS. Faltam
políticas públicas que coloquem o rastreamento ao alcance de todas e garantam
que o diagnóstico e o tratamento venham rápido.
Especialistas se reúnem para discutir o tema na Academia de Medicina do Rio de
Janeiro
Foi pensando nisso que a Academia de Medicina do Rio de Janeiro (AMRJ)
organizou o Simpósio Outubro Rosa - Prevenção integral da saúde da mulher . O
evento acontece neste sábado, dia 25 de outubro, e vai reunir 14 especialistas
para falar sobre diversos aspectos da saúde feminina. Tem até participação de
fora do Brasil: o professor Willy Davila, que trabalha nos Estados Unidos e
dirige os serviços para mulheres e crianças no Holy Cross Medical Group e no
Holy Cross Hospital, na Flórida.
O simpósio é voltado para médicos e outros profissionais da saúde. Vai acontecer
no auditório da Casa de Saúde São José, que fica na Rua Macedo Sobrinho, 21, no
Humaitá. A presidente da AMRJ, Dra. Samantha Condé, coordena o evento junto com
o Dr. Bruno Reys, diretor científico da instituição. A programação começa às
8h30 da manhã e vai até 12h40.
O que vai ser discutido
Os palestrantes vão abordar vários assuntos importantes. Tem desde os oito
pilares da saúde do coração até questões específicas como o rastreamento de
câncer em pessoas LGBTQIA+, os últimos avanços no tratamento de pacientes com
câncer e como fazer um pré-natal mais humanizado. Também entram na pauta as
novas regras do Ministério da Saúde para prevenir o câncer do colo do útero e o
Programa Brasil Saudável, que trabalha com doenças ligadas a questões sociais.
Outros temas do dia incluem uroginecologia e qualidade de vida, lesões que
podem virar câncer de vulva, como prevenir e detectar cedo o câncer de mama, as
novidades no diagnóstico por mamografia e as técnicas de reconstrução mamária.
O encontro também vai tratar de saúde mental da mulher em diferentes momentos
da vida, violência contra a mulher e os programas de saúde que a Subsecretaria
de Gestão de Saúde do Rio vem tocando.
Programação:
- 8h30 às
8h40 - Abertura e apresentação do tema Outubro Rosa
- 8h40 às
8h55 - Os 8 Pilares da Saúde (Life Essential 8) - Prof. Gláucia Moraes
- 8h55 às 9h10 -
Rastreamento de câncer na população LGBTQIA+ - Prof. Luiz Gustavo Brito
(UNICAMP)
- 9h10 às 9h25 -
Novidades no tratamento íntimo de pacientes oncológicas com base em
evidências - Dra. Samantha Condé Rangel
- 9h25 às 9h40 -
Pré-Natal Humanizado e como prevenir complicações para mãe e bebê - Dr.
Paulo Marinho
- 9h40 às 9h55 -
Como prevenir o câncer do colo do útero e as novas diretrizes do
Ministério da Saúde - Dra. Denise Monteiro
- 9h55 às 10h10 -
Programa Brasil Saudável contra doenças socialmente determinadas - Dra.
Alda Maria da Cruz
- 10h10 às 10h25 -
Pausa para café
- 10h25 às 10h55 -
Uroginecologia e qualidade de vida em problemas do assoalho pélvico -
Prof. Willy Davila (EUA), convidado internacional
- 10h55 às 11h10 -
Como lidar com lesões que podem virar câncer de vulva - Dra. Vera Fonseca
- 11h10 às 11h25 -
Prevenção do câncer de mama e rastreamento precoce - Ac. Roberto Vieira
- 11h25 às 11h40 -
Avanços no diagnóstico pela mamografia - Dr. Hilton Koch
- 11h40 às 11h55 -
Reconstrução mamária - Dra. Ângela Fausto
- 11h55 às 12h10 -
Saúde mental em diferentes fases da vida da mulher - Dra. Lilian Scheikman
- 12h10 às 12h25 -
Violência contra a mulher: como identificar, prevenir e apoiar - Dra.
Selma Sabrá
- 12h25 às 12h40 -
Programas de saúde da mulher no Rio - Dra. Larissa Tereza (Subsecretaria
de Gestão de Saúde)
Sobre a Academia de Medicina do Rio de Janeiro
A AMRJ é uma entidade particular sem fins lucrativos que trabalha junto com as
autoridades em tudo que envolve saúde e ensino médico. A instituição apoia
ações que fazem a medicina avançar e incentiva pesquisas que ajudam no
bem-estar da população. Tem 100 membros efetivos, chamados de acadêmicos,
separados em diferentes áreas.
SERVIÇO
Simpósio Outubro Rosa - Prevenção integral da saúde da mulher
Quando: Sábado, 25 de outubro
Horário: Das 8h30 às 12h40
Onde: Casa de Saúde São José - Rua Macedo Sobrinho, 21, Humaitá, Rio de
Janeiro
Para quem: Médicos e profissionais de saúde
Como participar: Telefone (21) 97504-0946 | Site www.amrj.org.br | E-mail amrj.diretoria@gmail.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário