Defensor Público Federal André Naves
alerta: sem escolas adaptadas, professores capacitados e políticas permanentes
de acessibilidade, o direito à educação inclusiva permanece no papel.
A escola deveria ser o ponto de partida para a cidadania, mas,
para milhões de brasileiros com deficiência, ainda é um território repleto de
barreiras. Segundo dados recentes do Observatório Nacional de Direitos Humanos
(ObservaDH), 34% das escolas brasileiras não possuem qualquer recurso de
acessibilidade, seja física, pedagógica ou tecnológica. O levantamento do IBGE
(2024) reforça o alerta: 19,5% das pessoas com deficiência no país ainda são
analfabetas, taxa quase cinco vezes superior à registrada entre pessoas sem
deficiência (4,1%).
Para o Defensor Público Federal André Naves, especialista em
Direitos Humanos e Inclusão Social, esses números revelam uma desigualdade
estrutural que compromete toda a cadeia da inclusão - da educação básica ao
mercado de trabalho e à vida cidadã.
“Quando a educação não é acessível, o direito à autonomia também
não é. A inclusão começa na escola, e a escola precisa estar preparada -
fisicamente, pedagogicamente e culturalmente - para receber todos os alunos”,
destaca Naves.
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), de 2015, assegura às pessoas
com deficiência o acesso à educação inclusiva em todos os níveis e modalidades
de ensino, com a oferta de adaptações curriculares, recursos de tecnologia
assistiva e formação docente adequada. No entanto, segundo Naves, a efetivação
dessas garantias ainda é desigual entre os estados e municípios.
“A LBI trouxe um marco jurídico avançado, mas sua execução exige
políticas públicas permanentes, orçamento estável e um pacto federativo pela
inclusão. É preciso transformar a acessibilidade em política de Estado - e não
em ação pontual”, analisa.
Do ponto de vista da economia política, o defensor lembra que o
investimento em acessibilidade educacional não é gasto, mas uma forma de
desenvolvimento humano e social sustentável. Pesquisas internacionais mostram
que cada real investido em educação inclusiva gera retorno múltiplo em
produtividade, empregabilidade e redução de desigualdades sociais.
“Não há crescimento econômico legítimo se parte da população é
excluída do aprendizado. A inclusão educacional é o primeiro degrau de uma
economia verdadeiramente democrática”, ressalta André Naves.
André Naves, lembra ainda que Defensoria Pública Federal atua de
forma constante na defesa de políticas de educação inclusiva, por meio de
recomendações, ações coletivas e diálogo institucional com o Ministério da
Educação e secretarias estaduais. Ele reforça que a sociedade civil, o setor
privado e os gestores públicos precisam assumir a inclusão como um compromisso
compartilhado.
“A acessibilidade é um investimento que transforma vidas,
comunidades e o próprio país”, afirma.
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