Para Clara Laface, consultora de imagem pessoal e corporativa, a verdadeira sofisticação está em sustentar uma identidade coerente com a realidade, e não em ostentar uma vida inalcançável
A consultora
de imagem pessoal e corporativa Clara Laface chama atenção para um fenômeno
cada vez mais presente na sociedade contemporânea: a “dismorfia financeira”,
termo popularizado recentemente para descrever a percepção distorcida da própria
realidade econômica e o esforço em criar uma aparência de abundância que não
corresponde à vida real.
“Se a fatura
pudesse falar, revelaria um enredo em que a estética da abundância esconde a
fragilidade da dívida”, afirma Clara. Segundo ela, esse movimento faz com que a
imagem pessoal deixe de ser uma ferramenta de expressão para se transformar em
um palco de ilusão.
A
especialista ressalta que, embora o consumo de luxo seja muitas vezes associado
ao trabalho da consultoria de imagem, essa não deveria ser sua essência.
“Continuo acreditando que o papel central deveria ser outro: traduzir códigos
visuais, comunicacionais e comportamentais em narrativas consistentes,
alinhadas ao contexto, à história e às aspirações reais de cada pessoa.”
Para Clara,
limitar o trabalho de imagem a ostentar etiquetas é reduzir seu potencial
estratégico e reforçar um modelo distorcido, onde a busca está na validação
externa em vez da coerência entre quem se é e como se apresenta.
“A
verdadeira sofisticação está em sustentar uma imagem que não desmorona quando a
luz do palco se apaga”, conclui.
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