Mostra reúne mais de 150 obras, saberes ancestrais e grandes nomes
oriundos de diferentes regiões e gerações da arte brasileira.
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| Claudia Andujar | Balsas ilegais na área Yanomami da série Consequências do contato (1989) |
A FGV Arte
inaugura, em 29 de outubro de 2025, a exposição Adiar o fim do mundo, com curadoria
de Paulo Herkenhoff e Ailton Krenak, pensador indígena, escritor e ativista
ambiental, que se tornou uma das vozes mais influentes do pensamento
contracolonial contemporâneo. Coincidindo com o período da COP 30, a mostra
articula arte, ecologia e filosofia em torno de um enunciado que é, ao mesmo
tempo, uma advertência e um convite: adiar o fim do mundo é reinventar o
presente. O evento de abertura ocorrerá na Praia de Botafogo, 190, a partir das
19h.
Inspirada
na obra e no pensamento de Krenak, a exposição reúne mais de 100 obras de
diferentes períodos, técnicas, suportes e contextos culturais, que abordam as
urgências da crise ambiental, o legado do colonialismo, o racismo estrutural e
os modos de resistência dos povos originários e das comunidades tradicionais.
Mais
do que uma metáfora, Adiar o fim do mundo é uma proposição estética e
política que entende a arte como instrumento de reencantamento do mundo e de
reconstrução das relações entre humanos e natureza.
“Não se trata de uma exposição sobre o fim, mas sobre a continuidade da vida”,
afirma Herkenhoff. “A arte aqui é compreendida como um território de
insurgência e imaginação, capaz de propor novas alianças entre corpo, natureza
e espírito. O diálogo com Krenak nos convida a repensar o lugar da arte dentro
de uma ecologia da existência.”
“Adiar
o fim do mundo é um exercício de imaginação e de escuta”, observa Ailton.
“Enquanto insistirmos em olhar o planeta como um objeto a ser explorado,
seguiremos acelerando o colapso. A arte, ao contrário, nos chama a ouvir a
Terra e a reconhecer que ela também sonha, sente e fala.”
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| Anna Maria Maiolino Estudo para uma instalação (1993 em diante) |
Entre
os nomes reunidos pelos curadores estão Adriana Varejão, Alberto da Veiga
Guignard, Aluísio Carvão, Anna Maria Maiolino, Ayrson Heráclito, Berna Reale,
Camille Kachani, Cildo Meireles, Claudia Andujar, Denilson Baniwa, Evandro
Teixeira, Hélio Oiticica, Ivan Grillo, Jaider Esbell, Jaime Lauriano, Marcos
Chaves, Nádia Taquary, Niura Bellavinha, pajé Manoel Vandique Kaxinawá Dua
Buse, Rodrigo Braga, Sandra Cinto, Sebastião Salgado, Siron Franco, Thiago
Martins de Melo, Tunga e muitos outros.
O
projeto ocupa todos os espaços da FGV Arte — jardins comissionados, esplanada,
pilotis e galeria principal —, estabelecendo um percurso imersivo em diálogo
com a arquitetura modernista e o entorno da cidade. A coletiva inclui também 11
obras comissionadas, concebidas especialmente para a mostra, de Cabelo,
Cristiano Lenhardt, Daniel Murgel, Ernesto Neto, Hugo França, Keyla Sobral,
Rosana Palazyan, Rodrigo Bueno, Souza Hilo e do coletivo de artistas indígenas
Apinajé.
Para
Herkenhoff, o encontro entre arte contemporânea e pensamento indígena é um
gesto de deslocamento epistemológico: “A modernidade ocidental construiu a
ideia de humanidade como centro do mundo. Essa exposição propõe um
deslocamento: o humano volta a ser parte de um ecossistema simbólico e
espiritual. O diálogo entre artistas
como Hélio Oiticica e Denilson Baniwa, por exemplo, revela essa trama entre
corpo, política e natureza”.
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| Adriana Varejão Nascimento Ondina (2009) |
Krenak conclui com um alerta poético e provocador: “Precisamos inverter o
discurso da sustentabilidade, abrir fendas na lógica. Se o pensamento racional
não dá conta de salvar o planeta, talvez o gesto poético possa”.
Entre
as iniciativas paralelas, a mostra contará com cursos profissionais e livres sobre
arte, ecologia e cosmopolítica; um programa educativo que conta com a participação da
educadora Gleyce Kelly Heitor, acompanhado de um caderno de
atividades desenvolvido pelo artista Gustavo Caboco; a segunda
edição do Festival Criar Mundos, voltado para crianças e
jovens.
Programa acadêmico e educativo
A
exposição inclui, ainda, um abrangente programa de visitação e formação de
público, com mais de 100 escolas públicas já agendadas, oficinas mensais com
artistas participantes e uma oficina especial com os indígenas Apinajé. A abertura,
em 29 de outubro, contará com a presença de Ailton Krenak, que
também participará de uma fala pública com convidados em data posterior.
Durante a temporada da exposição, A FGV Arte realizará o ciclo de conferências Antropoceno e emergência climática: quando a ciência e a arte se encontram, reunindo especialistas nacionais e internacionais para discutir, sob múltiplas perspectivas, os desafios da crise climática. A iniciativa começa em 27 de outubro, com a palestra do pesquisador belga François Gemenne, sobre o financiamento da transição ecológica, em parceria com o Consulado da França.
Assim,
Adiar o fim do mundo afirma-se como um manifesto visual pela vida em
tempos de crise, em que a arte atua como linguagem de resistência, gesto de
esperança e convocação ao cuidado com a Terra — organismo vivo, casa comum e
horizonte possível.
Sobre a FGV
Arte
Localizada
na sede da FGV, em Botafogo, no Rio de Janeiro, a FGV Arte é um espaço voltado
à valorização, à experimentação artística e aos debates contemporâneos em torno
da arte e da cultura, buscando incentivar o diálogo com setores criativos e
heterogêneos da sociedade, dividindo-se em três eixos principais: exposições,
publicações e atividades educacionais – acadêmicas e práticas. Tem como curador
chefe, o crítico Paulo Herkenhoff.
SERVIÇO:
Adiar
o fim do mundo
Curadoria: Ailton
Krenak e Paulo Herkenhoff
Abertura: 29 de
outubro de 2025 - 19h às 21h
Encerramento: 21
de Março de 2026
Local: FGV Arte |
Esplanada da Fundação Getúlio Vargas End: Praia de Botafogo, nº 186 – Botafogo
Rio de Janeiro |
RJ Tel: (21) 3799-5537
Website: Link Instagram:
@fgv.arte
Horários de
funcionamento:
De terça a sexta,
das 10h às 20h Sábados e domingos, das 10h às 18h
Entrada gratuita | Classificação livre



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