No ‘Dia Mundial e Nacional de Prevenção
ao AVC’, neurologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), ensina a sigla
‘SAMU’ para reconhecer sinais 
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A incidência de acidente vascular cerebral (AVC) entre jovens tem
aumentado no Brasil e no mundo. Segundo estudo publicado pela revista
científica Neurology Journals, da American Academy of Neurology, jovens
adultos, com idades entre 15 e 34 anos, correspondem a 15% do total de casos
globalmente. Em território nacional, de acordo com a Rede Brasil AVC, o número
aumenta para 18%. Dados que acendem um alerta especial neste 29 de outubro,
“Dia Mundial e Nacional de Prevenção ao AVC”.
A coordenadora da Unidade Neurológica do Vera Cruz Hospital, em
Campinas (SP), Mariana Vidal, explica que, embora o “derrame” seja mais comum
em idosos, pode atingir até crianças, conforme demonstram recentes análises que
apontam aumento na incidência entre pessoas com menos de 55 anos. “Os dados são
alarmantes e refletem o estilo de vida pouco saudável, com aumento dos fatores
de risco como hipertensão arterial, obesidade, diabetes, colesterol elevado,
sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso de drogas ilícitas.
Vale ressaltar que, controlando esses fatores, é possível reduzir em até 90% o
risco de ter um AVC”, destaca.
Entre os fatores mais preocupantes estão o sedentarismo, agravado
pelo uso excessivo de telas, o consumo de álcool e cigarro, além da alimentação
ultraprocessada e pobre em nutrientes. Esses hábitos favorecem o
desenvolvimento de hipertensão, obesidade, colesterol alto e diabetes. O
estresse excessivo e a má qualidade do sono também aumentam o risco.
A especialista reforça que os sintomas de alerta não devem ser
ignorados e exigem atendimento imediato. “Os sinais mais comuns são perda
súbita de força ou sensibilidade em um lado do corpo, desvio da boca, fala
enrolada, alterações visuais, desequilíbrio ou dor de cabeça muito intensa”,
detalha.
Para facilitar o reconhecimento, a especialista orienta o uso da
sigla “SAMU”:
- S – Sorria: observe se a boca está desviada;
- A – Abrace: peça para a pessoa levantar os dois braços
e veja se há fraqueza em um lado;
- M – Mensagem ou música: peça para repetir uma frase ou
cantar, avaliando se há alteração na fala;
- U – Urgente: ligue imediatamente para o SAMU (192) e
acione o atendimento de emergência.
O derrame cerebral, ocorre quando há interrupção do fluxo
sanguíneo para o cérebro, seja por entupimento (AVC isquêmico) ou rompimento de
um vaso (AVC hemorrágico). Sem a chegada de sangue e oxigênio, as células
cerebrais começam a morrer em poucos minutos, o que pode causar sequelas
neurológicas graves, como dificuldade para falar, mover-se ou enxergar.
De acordo com o Ministério da Saúde, a doença é uma das principais
causas de morte e incapacidade no país. A reabilitação multidisciplinar é
fundamental para todas as idades, mas tem impacto ainda maior entre os jovens,
que muitas vezes estão em fase produtiva, de estudos, trabalho e vida social.
“O acompanhamento com fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e terapia
ocupacional é essencial para a recuperação funcional, emocional e cognitiva,
ajudando o paciente a retomar suas atividades e autonomia”, ressalta Mariana.
Vera Cruz Hospital
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