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sábado, 27 de setembro de 2025

Dia Nacional da Doação de Órgãos destaca importância do gesto que salva vidas, mas ainda enfrenta resistência

Divulgação
Ministério da Saúde
Mesmo com um dos maiores programas de transplantes do mundo, mais de 70 mil pessoas aguardam por um órgão no Brasil; especialista do CEJAM alerta para mitos e ​​reforça​​​​ avanços que aumentam as chances de sucesso 

 

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, datado em 27 de setembro, o Brasil celebra avanços significativos na área de transplantes, mas também enfrenta desafios persistentes relacionados à resistência familiar e à desinformação.

Em 2024, o país alcançou um recorde histórico ao realizar mais de 30 mil transplantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), um aumento de 18% em relação a 2022. Apesar desse progresso, o número de doadores efetivos ainda é inferior ao necessário para atender à demanda crescente. Atualmente, cerca de 78 mil pessoas ​​estão na fila​​ por um transplante, sendo ​​os rins, as córneas e o fígado os órgãos mais aguardados.​​​​ ​​ 

O nefrologista Dr. José Albani, do Hospital Estadual de Franco da Rocha, gerenciado pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a ​​Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP)​​, destaca que a resistência à doação de órgãos está frequentemente ligada a mitos e desinformação. “Alguns familiares têm questões religiosas, por exemplo. Outras dúvidas surgem a partir de casos de celebridades e há quem fale em desvio de órgãos. Isso gera muito receio. No geral, há ainda um desconhecimento sobre como o transplante realmente funciona e todo o processo envolvido”, explica.

Para enfrentar esses desafios, recentemente o Ministério da Saúde anunciou o Programa Nacional de Qualidade em Doação para Transplantes (ProDOT), que visa capacitar as equipes de saúde no acolhimento ​​às​​ famílias, com o objetivo de reduzir as negativas de doação. Em 2024, 45% das solicitações de doação foram recusadas por familiares, um índice elevado se comparado a países como a Espanha, onde as negativas giram em torno de 8% a 10%.

Além disso, o SUS implementou inovações tecnológicas, como a Prova Cruzada Virtual, que agiliza a compatibilidade entre doador e receptor, e a reorganização da alocação de órgãos entre estados, ​​para​​ maior eficiência na distribuição. Essas medidas têm contribuído para reduzir o tempo de espera e aumentar a segurança dos transplantes.

Apesar dos avanços, o médico ressalta que a mudança cultural ainda é essencial para aumentar o número de doações. “Precisamos que a doação de órgãos seja vista como um gesto natural de solidariedade. Quanto mais pessoas se informam e conversam sobre isso em família, maior a chance de salvar vidas”, conclui.

Transplante Renal é o mais procurado no Brasil 

O rim é o órgão mais solicitado no país, com mais de 42 mil pessoas na fila de espera por um transplante. A demanda elevada reflete tanto a prevalência de doenças renais quanto a limitação do tratamento por diálise, que exige sessões regulares e pode comprometer a qualidade de vida.

Para o nefrologista, o transplante renal exige acompanhamento contínuo e cuidados específicos para garantir o sucesso do procedimento. “O transplante não é uma cura, ​​pois a ​​​​ ​​cura é quando você ​​resolve​​​ o problema​​ e não ​​​​ mais nada a fazer. Ele é uma forma de tratar a insuficiência do órgão, exigindo uso contínuo de medicamentos que diminuem o risco de rejeição e cuidados com alimentação, atividade física e controle de outras doenças, como diabetes e hipertensão”, explica.

A rejeição do rim é um risco, mas, diferente de outros órgãos, o paciente tem alternativas de tratamento. Se houver falha no transplante, é possível retornar à diálise, método que permite manter a função renal até que um novo rim esteja disponível.

A viabilidade do rim transplantado depende de fatores imunológicos, da preservação do órgão e da função prévia do doador. “O principal fator que determina a viabilidade é a imunologia​​;​​​​ ​​não se pode transplantar órgãos em pacientes incompatíveis. ​​Monitoramos​​ ​​a​​ pressão arterial, ​​a​​ hidratação e ​​o​​ tempo entre a retirada e o transplante. A função prévia do rim doador também influencia na sobrevida do transplante”, detalha Dr. Albani.

Novos avanços médicos, como drogas de imunossupressão mais eficazes e técnicas aprimoradas de compatibilidade, aumentaram a sobrevida dos pacientes renais. Ainda assim, o especialista ​​enfatiza​​ que o acompanhamento rigoroso é ​​fundamental​​ para reduzir riscos e manter a função do rim ao longo do tempo.


CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


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