Mesmo com um dos maiores programas de
transplantes do mundo, mais de 70 mil pessoas aguardam por um órgão no Brasil;
especialista do CEJAM alerta para mitos e reforça avanços que aumentam
as chances de sucesso 
Divulgação
Ministério da Saúde
No Dia
Nacional da Doação de Órgãos, datado em 27 de setembro, o Brasil celebra
avanços significativos na área de transplantes, mas também enfrenta desafios
persistentes relacionados à resistência familiar e à desinformação.
Em
2024, o país alcançou um recorde histórico ao realizar mais de 30 mil
transplantes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), um aumento de 18% em relação a
2022. Apesar desse progresso, o número de doadores efetivos ainda é inferior ao
necessário para atender à demanda crescente. Atualmente, cerca de 78 mil
pessoas estão na fila por um transplante, sendo os rins, as córneas e o fígado os órgãos mais
aguardados.
O
nefrologista Dr. José Albani, do Hospital Estadual de Franco da Rocha, gerenciado pelo CEJAM
– Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), destaca que a resistência à doação de
órgãos está frequentemente ligada a mitos e desinformação. “Alguns familiares
têm questões religiosas, por exemplo. Outras dúvidas surgem a partir de casos
de celebridades e há quem fale em desvio de órgãos. Isso gera muito receio. No
geral, há ainda um desconhecimento sobre como o transplante realmente funciona e todo o processo envolvido”, explica.
Para
enfrentar esses desafios, recentemente o Ministério da Saúde anunciou o
Programa Nacional de Qualidade em Doação para Transplantes (ProDOT), que visa
capacitar as equipes de saúde no acolhimento às famílias, com o objetivo de reduzir as negativas de doação. Em
2024, 45% das solicitações de doação foram recusadas por familiares, um índice
elevado se comparado a países como a Espanha, onde as negativas giram em torno
de 8% a 10%.
Além
disso, o SUS implementou inovações tecnológicas, como a Prova Cruzada Virtual,
que agiliza a compatibilidade entre doador e receptor, e a reorganização da
alocação de órgãos entre estados, para maior eficiência na distribuição.
Essas medidas têm contribuído para reduzir o tempo de espera e aumentar a
segurança dos transplantes.
Apesar
dos avanços, o médico ressalta que a mudança cultural ainda é essencial para
aumentar o número de doações. “Precisamos que a doação de órgãos seja vista
como um gesto natural de solidariedade. Quanto mais pessoas se informam e
conversam sobre isso em família, maior a chance de salvar vidas”, conclui.
Transplante
Renal é o mais procurado no Brasil
O rim
é o órgão mais solicitado no país, com mais de 42 mil pessoas na fila de espera
por um transplante. A demanda elevada reflete tanto a prevalência de doenças
renais quanto a limitação do tratamento por diálise, que exige sessões
regulares e pode comprometer a qualidade de vida.
Para o
nefrologista, o transplante renal exige acompanhamento contínuo e cuidados
específicos para garantir o sucesso do procedimento. “O transplante não é uma
cura, pois a cura é quando você resolve o problema e não há mais nada a fazer. Ele é uma forma de tratar a insuficiência do
órgão, exigindo uso contínuo de medicamentos que diminuem o risco de rejeição e
cuidados com alimentação, atividade física e controle de outras doenças, como
diabetes e hipertensão”, explica.
A
rejeição do rim é um risco, mas, diferente de outros órgãos, o paciente tem
alternativas de tratamento. Se houver falha no transplante, é possível retornar
à diálise, método que permite manter a função renal até que um novo rim esteja
disponível.
A
viabilidade do rim transplantado depende de fatores imunológicos, da
preservação do órgão e da função prévia do doador. “O principal fator que
determina a viabilidade é a imunologia; não se pode transplantar órgãos em pacientes
incompatíveis. Monitoramos a pressão arterial, a hidratação e o tempo entre a retirada e o
transplante. A função prévia do rim doador também influencia na sobrevida do
transplante”, detalha Dr. Albani.
Novos
avanços médicos, como drogas de imunossupressão mais eficazes e técnicas
aprimoradas de compatibilidade, aumentaram a sobrevida dos pacientes renais.
Ainda assim, o especialista enfatiza que o acompanhamento rigoroso é fundamental para reduzir riscos e manter a função
do rim ao longo do tempo.
@cejamoficial
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