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sábado, 20 de setembro de 2025

Dia do Adolescente (21/9): uma geração crescendo em um mundo em transformação

 

Ser adolescente nunca foi tarefa simples. Faixa etária que compreende dos 10 aos 19 anos, a adolescência é uma fase de descobertas, marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. É durante esse período que surgem os questionamentos sobre identidade, pertencimento e propósito, acompanhados de comportamentos esperados como a busca por autonomia, a contestação de regras e a valorização da convivência em grupo. É uma fase de experimentação e de construção da própria visão de mundo – processo essencial, mas que também expõe os jovens a vulnerabilidades. 

Se há algumas décadas os desafios dos adolescentes se restringiam a questões escolares, relacionamentos e expectativas familiares, hoje os jovens enfrentam um cenário muito mais complexo. Cada vez mais cedo, os jovens estão sobrecarregados por pressões internas e externas que extrapolam sua capacidade de lidar com frustrações, muito devido à hiper conexão. 

Os adolescentes de hoje são a primeira geração 100% digital, conectada 24 horas por dia em frente a telas, em contato com uma infinidade de informações, estímulos e comparações sociais. As redes oferecem oportunidades de aprendizado e expressão, mas também podem ser palco de cyberbullying, isolamento e dependência tecnológica. Muitas vezes, o celular substitui conversas cara a cara e momentos de convivência familiar, comprometendo a qualidade das relações e a saúde emocional. 

Um cenário preocupante que contribui para o crescimento das taxas de adolescentes que chegam ao ponto trágico de tirar a própria vida. Segundo a Fiocruz, entre 2011 e 2022, a taxa de suicídio entre jovens cresceu 6% por ano no Brasil, enquanto a taxa da população geral cresceu 3,7% no mesmo período. Outro dado alarmante da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) mostrou que a ansiedade entre crianças e jovens superou os índices observados entre adultos em nosso País em 2023: a taxa de jovens de 10 a 14 anos atendidos por transtornos de ansiedade atingiu 125,8 a cada 100 mil; e, entre adolescentes, 157 a cada 100 mil – enquanto a taxa de adultos acima de 20 anos está na casa de 112 a cada 100 mil. 

Outro ponto que merece atenção são os medos e inseguranças dessa geração. Além das ansiedades típicas da idade, os adolescentes convivem com preocupações globais: mudanças climáticas, instabilidade política e social, incertezas sobre o futuro do trabalho e até os avanços acelerados da inteligência artificial que ameaçam extinguir ou substituir empregos. A percepção de um mundo instável gera sentimentos de impotência e angústia, ampliando a pressão sobre jovens, que ainda estão formando sua identidade. 

Diante desse quadro, qual é o papel dos adultos? Pais, famílias e responsáveis não podem se furtar da responsabilidade de acompanhar, orientar e impor limites. O diálogo aberto, a escuta ativa e a valorização das emoções dos adolescentes são fundamentais. Escolas também devem assumir um compromisso maior, indo além do conteúdo acadêmico para investir em programas de educação socioemocional, prevenção e cuidado com a saúde mental. 

É urgente refletir sobre como podemos oferecer um ambiente mais seguro, saudável e humano para que nossos jovens atravessem essa etapa de forma plena. Famílias, educadores e gestores públicos devem unir esforços na construção de uma geração que consiga não apenas sobreviver às pressões atuais, mas também florescer em meio a elas. A sociedade precisa enxergar o adolescente não apenas como “o futuro”, mas como alguém que já faz parte do presente e merece suporte integral.

 

Ana Claudia Favano - gestora da Escola Internacional de Alphaville. É psicóloga; pedagoga; educadora parental pela Positive Discipline Association/PDA, dos Estados Unidos; e certificada em Strength Coach pela Gallup. Especialista em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, Educação Emocional Positiva e Convivência Ética. Dedicada à leitura e interessada por questões morais, éticas, políticas, e mobiliza grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.

 

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