Técnica popular entre homens e mulheres precisa respeitar limites físicos e expectativas realistas
Cada vez mais presente nas redes sociais e na
rotina de clínicas estéticas, a Lipoaspiração de Alta Definição — ou
simplesmente Lipo HD — se consolida como um dos procedimentos cirúrgicos mais
desejados do momento. Só em 2023, o Brasil realizou mais de 1,5 milhão de
cirurgias plásticas, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica
Estética (ISAPS), mantendo sua posição de destaque no cenário global.
Entre os procedimentos mais procurados, ela ganha
espaço por promover um contorno corporal mais definido e natural. No entanto, o
cirurgião plástico Raphael Alcalde, especialista em contorno corporal com mais
de 10 anos de experiência, faz um alerta: nem todo paciente é candidato ideal
ao procedimento. “A Lipo HD foi desenvolvida para pessoas com baixo percentual
de gordura e boa elasticidade da pele. Sem essas condições, os riscos aumentam
e o resultado pode ser justamente o oposto do esperado”, afirma.
Diferentemente da lipoaspiração tradicional, que
tem como principal objetivo a retirada de gordura localizada, a cirurgia atua
como uma escultura corporal. “A técnica utiliza tecnologias de ponta — como a
lipoaspiração ultrassônica, que emulsifica a gordura, e o plasma , que estimula
a retração da pele — para realçar contornos musculares naturais em regiões como
abdômen, costas, braços, coxas e peitoral. A intenção não é criar um corpo
artificial, mas sim valorizar o que o paciente já tem de melhor. É um trabalho
que exige precisão milimétrica, senso estético refinado e muita técnica. O
sucesso está na harmonia, não no exagero”, reforça o especialista.
Além da habilidade cirúrgica, o alinhamento de
expectativas entre médico e paciente é fundamental. Por isso, Raphael destaca o
impacto das redes sociais na criação de padrões irreais de corpo perfeito.
“Muitos chegam ao consultório com fotos de celebridades e influenciadores,
esperando resultados inalcançáveis. É essencial compreender que a cirurgia não
substitui hábitos saudáveis e que respeitar os limites do próprio corpo é parte
do sucesso”, explica o médico.
Outro ponto crucial para o bom resultado é o
pós-operatório. O processo de recuperação demanda comprometimento com o uso da
cinta compressiva, sessões regulares de drenagem linfática e uma alimentação
equilibrada. A recuperação leva de duas a quatro semanas, com resultados
definitivos entre o terceiro e o sexto mês após a cirurgia.
“Beleza com exagero deixa de ser beleza. Meu papel é ajudar cada pessoa a se reconhecer e se sentir bem consigo mesma, sem ultrapassar os limites da saúde”, finaliza.
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