Alterações no comportamento e dificuldade com números podem indicar início da doença
Quando se fala em Alzheimer, o esquecimento costuma ser citado como o principal sintoma. No entanto, os sinais iniciais da doença vão muito além da perda de memória, já que mudanças sutis no humor, na linguagem e no raciocínio podem surgir anos antes do diagnóstico.
O Alzheimer é uma doença degenerativa progressiva,
que afeta vários campos da cognição, ou seja, habilidades intelectuais, como
explica o neurocirurgião Otávio Turolo, médico do Hospital Evangélico de
Sorocaba (HES). “No início do quadro podem haver alterações de humor,
dificuldade de julgamento e tomada de decisões, ou mesmo dificuldade em
atividades que antes eram rotineiras”, explica o especialista.
Alguns dos primeiros sinais
Entre os indícios precoces, Turolo destaca a afasia, que é a dificuldade para encontrar palavras simples. Alterações no raciocínio lógico também podem aparecer cedo, sobretudo na tomada de decisões financeiras. “Gastos inapropriados podem gerar problemas para o paciente e para a família, por isso é sempre importante alguém próximo assumir o controle financeiro”, alerta.
Outros sinais menos conhecidos incluem dificuldades em se orientar
em lugares familiares e em lidar com números. Nessas situações, a presença e a
atenção da família são fundamentais. “Não é recomendado que o paciente
diagnosticado com Alzheimer saia sozinho, pois existe o risco de se perder em
locais que antes eram habitualmente conhecidos”, reforça.
Envelhecimento natural ou sinais patológicos?
O desafio, segundo o médico, é diferenciar os sintomas iniciais do Alzheimer de alterações cognitivas comuns do envelhecimento. “Essa é uma linha muito tênue, principalmente porque o envelhecimento também gera um transtorno cognitivo, mesmo que mais leve. Existem formas de tentar diferenciar e estratificar riscos, como avaliação neuropsicológica, análise do líquor e exames de imagem, mas este é um desafio muitas vezes”, afirma.
O diagnóstico precoce é considerado determinante, já que amplia as possibilidades de tratamento. Exames de neuroimagem, como ressonância magnética e SPECT cerebral, além da análise de biomarcadores no líquido cefalorraquidiano, ajudam a confirmar a doença e a descartar outras formas de demência.
Por conta disso, procurar orientação médica ao
identificar qualquer sinal, é fundamental. Através de avaliações e exames, o
especialista poderá verificar se há indícios da doença ou se os sintomas apenas
fazem parte do processo de envelhecimento.
Avanços no tratamento
Em relação às opções terapêuticas, foi aprovado recentemente no Brasil um medicamento que atua contra a proteína beta-amilóide, responsável pelas alterações cerebrais da doença. “Ele ajuda a retardar a progressão do Alzheimer, mas está indicado apenas para casos selecionados e em estágios iniciais”, explica.
Além disso, intervenções não medicamentosas continuam sendo fundamentais.“Tratamentos como estímulo cognitivo e atividade física ajudam na melhora da qualidade de vida, e são sempre indicados”, destaca Turolo.
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