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| Juntas, iniciativa privada e pública podem avançar na alfabetização Parceiros da Educação |
Parceria entre governos e
sociedade civil em programas inovadores mostra caminhos para reduzir
analfabetismo no Brasil
Nesta segunda, 8,
é celebrado o Dia Mundial da Alfabetização. A data, estabelecida pela Unesco em
1967, busca conscientizar e promover a importância da alfabetização para o
desenvolvimento social e econômico mundial. No Brasil, a ocasião reforça a
necessidade de políticas públicas que combatam o analfabetismo, especialmente
com a constatação do último Inaf (Indicador de Alfabetismo Funcional), de que 3
a cada 10 brasileiros, ou seja, quase 30% da população adulta não sabem ler e
escrever ou sabem muito pouco a ponto de não conseguir compreender pequenas
frases, os chamados analfabetos funcionais.
A realidade dos
números nos mostra o tamanho do desafio a ser enfrentado no país. Por outro
lado, também vem daqui do país boas práticas concretas e muito bem-sucedidas do
que pode ser feito para transformar o cenário atual, num esforço unificado entre
iniciativa pública e iniciativa privada.
Bertioga e
Itaquaquecetuba superam metas de alfabetização
Bertioga,
localizada na Baixa Santista, no litoral de São Paulo, e Itaquaquecetuba, na
região metropolitana da capital paulista, são duas cidades que estão
conseguindo subir com êxito a escada da alfabetização. Os municípios participam
do Programa de Apoio a Redes Municipais, promovido pela Parceiros da Educação,
Organização da Sociedade Civil (OSCIP) que atua no segmento educacional, em
conjunto com as secretarias municipais de educação. Os resultados evidenciam
bons modelos dessa integração.
Bertioga teve um importante avanço no Índice de Criança Alfabetizadora (ICA), de 55% de alunos alfabetizados, em 2023, para 70%, em 2024, já tendo alcançado as metas inclusive colocadas para 2025 e 2026.
Itaquaquecetuba também teve um avanço de 15%, passando de 43%, em 2023, para
57%, em 2024, meta que seria alcançada somente neste ano. Ambos os municípios
receberam Selo Ouro no Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização 2024,
reconhecimento do Ministério da Educação a esforços e iniciativas exitosas das
secretarias de educação na formulação e implementação de políticas, programas e
estratégias que assegurem o direito à alfabetização das crianças.
A estratégia do
projeto é contemplar quatro grandes objetivos: alfabetização plena de todos os
alunos na idade certa, ou seja, até os 8 anos, aprendizado dos alunos na
idade/série adequada; alunos frequentes, que não evadem e não abandonam; e rede
com equidade entre alunos e escolas.
“O
programa tem duração de cinco anos. Nesse período, as escolas públicas que
fazem parte precisam se comprometer em uma série de iniciativas, como a
garantia da formação contínua e o suporte pedagógico aos docentes e gestores
das escolas municipais, o estabelecimento de redes de colaboração entre as
instituições de ensino, de modo a promover troca de boas práticas, e o
envolvimento das famílias e da comunidade local no processo educacional, com
ações que valorizem a educação como um esforço coletivo”, explica Lucas Pereira
Sperandio, da Parceiros da Educação.
Também
é parte integrante dessas iniciativas a garantia da qualidade do ambiente
escolar e da infraestrutura, com salas de aula bem equipadas, ambientes de
aprendizagem saudáveis e recursos pedagógicos modernos, bem como o
desenvolvimento de sistema de avaliações periódicas para acompanhar o progresso
dos alunos.
“Essas
avaliações contínuas constituem uma parte muito sensível do programa, já que
elas fornecem os dados de aprendizagem necessários para ajustar as práticas
pedagógicas e identificar áreas de melhoria, potencializando a aprendizagem em
sala de aula”, ressalta Sperandio.
“O projeto tem
dado certo porque traz um modelo baseado em evidências e dados, que coloca o
protagonismo nos profissionais da rede pública, o que dará ao município a
oportunidade de alcançar melhorias significativas e duradouras nos resultados
educacionais. Assim, eles conseguem realizar as adaptações necessárias e buscar
as respostas rápidas às necessidades emergentes, assegurando que as mudanças
não sejam temporárias, mas parte de um movimento contínuo de transformação da
educação”, destaca o diretor da Parceiros, Rafael Machiaverni.
Novos
materiais didáticos combatem defasagens
Superar as
defasagens na aprendizagem, especialmente quando se trata de alfabetização,
representa um desafio ainda maior e mais complexo quando se observa a
heterogeneidade dentro de sala de aula. Ali, não é raro encontrar nove níveis
diferentes de aprendizagem, sem que o professor consiga dar conta de tamanha
variedade.
Somente no estado
de São Paulo, atualmente há 2,8 milhões de alunos de escolas públicas no nível
básico e abaixo do básico. Enfrentar esse cenário exige mudanças estratégicas,
inclusive nos materiais didáticos. Para isso, novamente em conjunto iniciativa
privada e iniciativa pública, a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo
com a Parceiros da Educação lançaram, em agosto deste ano, a Coleção Horizonte,
um material pedagógico voltado ao apoio de adolescentes dos Anos Finais que
ainda não consolidaram alfabetização e letramento matemático.
“O material foi
produzido após avaliação adaptativa que permitiu mapear os diferentes níveis de
defasagens dos alunos. Assim, combina habilidades essenciais dos Anos Iniciais
com uma linguagem própria para os jovens, utilizando histórias em quadrinhos e
personagens que conduzem o aprendizado de forma lúdica e engajadora. A inovação
já está em uso em três projetos da rede e deve alcançar mais de 250 mil
estudantes em todo o Estado ainda neste ano”, explica Sperandio.
Alfabetiza
Juntos SP: colaboração histórica entre municípios
Outro exemplo de
ação conjunta que merece lembrança neste Dia da Alfabetização é o programa
Alfabetiza Juntos SP, lançado em 2024, com uma política pública que reúne mais
de 620 municípios e 91 diretorias de ensino da rede estadual paulista, e que
tem como objetivo alcançar, até 2026, 90% das crianças com até sete anos
alfabetizadas.
A iniciativa
também é realizada em regime de colaboração, com o apoio de diversas entidades,
como a União dos Dirigentes Municipais de Educação do Estado de São Paulo
(Undime-SP), a Aliança, coalizão formada pela Fundação Lemann, Instituto Natura
e Associação Bem Comum, e a Parceiros da Educação.
Juntas, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc-SP) e essas organizações oferecem material didático aos municípios, capacitam professores e implementam a Avaliação da Fluência de Leitura, ações que ampliam o programa estadual para mais estudantes e para mais professores, alcançando 40 mil docentes alfabetizadores da rede estadual e municipal. Os avanços já são visíveis, com um crescimento de 57% no número de alunos que sabem ler adequadamente, passando de 48% de leitores no início de 2024 para 77% no fim do mesmo ano letivo.
“Os avanços em cidades e estados mostram que a alfabetização é possível quando há colaboração, avaliação constante e compromisso coletivo. O Dia Mundial da Alfabetização reforça que este caminho precisa ser expandido em todo o país”, conclui Machiaverni.

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