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quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Reintegração no mercado de trabalho visa à redução da reincidência criminal

Fundadora do Movimento Eu Visto o Bem explica porque estimular habilidades profissionais em detentos é importante para toda a sociedade


Muitos estudos procuram entender a questão da reincidência criminal visando à identificação de fatores que levam um indivíduo a praticar ou não uma transgressão depois de ter cumprido pena. Segundo especialistas, um dos fatores que podem ajudar a reduzir a volta ao mundo do crime é a oportunidade de capacitação e trabalho oferecida aos detentos, algo que, no Brasil, ainda acontece pouco.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o estudo “Does Prison Time Change Offenders” mostrou, entre outros pontos, que programas de trabalho que oferecem habilidades específicas e oportunidades de emprego têm potencial de reduzir a reincidência criminal. Outra pesquisa intitulada “The effects of prison labour: rehabilitation or exploitation?”, publicada no European Journal of Criminology, mostrou que programas de trabalho prisional podem ter um impacto positivo na reintegração dos reclusos, reduzindo também as taxas de reincidência. 

Segundo Roberta Negrini, CEO e fundadora do Movimento Eu Visto o Bem, que tem como braço profissionalizante o  Instituto Movi o Bem,  com foco em capacitar e reintegrar mulheres que estão cumprindo pena no sistema prisional de São Paulo, a reintegração no mercado de trabalho é crucial para reduzir a reincidência criminal. “Oferecer oportunidades de emprego às pessoas que estiveram presas ajuda a quebrar o ciclo da criminalidade, proporcionando uma nova chance para construir uma vida estável e produtiva”, analisa. 

No caso do projeto, são oferecidos cursos como costura, design e moda sustentável. “Hoje há uma fila de espera de 2.500 mulheres esperando a oportunidade de capacitação. Após a capacitação, as mulheres podem ser contratadas pelo próprio Movimento Eu Visto o Bem, que emprega, via CLT,  pessoas que saíram do sistema prisional. É onde comprovamos de fato a nossa ressocialização, tudo que empregamos dentro da penitenciária”, afirma. 

De acordo com Roberta, os produtos têxteis gerados pelo Movimento Eu Visto o Bem já carregam questões sustentáveis, com rastreabilidade total de matéria prima, e toda a produção é feita por ex-detentas.  “As parcerias que fazemos desafiam os preconceitos em relação às pessoas em situação de reclusão e demonstram que a arte e a habilidade não conhecem fronteiras. Ao aprenderem uma profissão como a costura, as mulheres ganham não apenas uma fonte potencial de renda após a libertação, mas também um meio terapêutico para canalizar suas energias, reduzir o estresse e fortalecer os laços sociais, fundamentais para a reintegração pós-cárcere", ressalta.

Roberta acredita que o Movimento Eu Visto o Bem não apenas auxilia mulheres em situação de vulnerabilidade, mas leva oportunidades para empresas que desejam investir em responsabilidade social e sustentabilidade, agindo cada vez mais de acordo com os princípios ESG, tão valorizados atualmente. “Sempre que tenho oportunidade, procuro levar essa semente para que as grandes empresas consigam pensar em como seu orçamento pode impulsionar trabalhos como esse. Ou seja, no lugar de comprar produtos da China, elas podem transformar a vida das pessoas no Brasil. E uma vez que ajudamos a ressocializar mulheres e elas não voltam para as penitenciárias, deixamos de aumentar o lastro da criminalidade e o estado ainda economiza o dinheiro que seria gasto caso houvesse reincidência”, avalia.   


Roberta Negrini - influente nos setores da moda, inclusão social e negócios de impacto. Com uma sólida trajetória como CEO e fundadora do Movimento Eu Visto o Bem, ela se destaca enquanto líder comprometida com a ressignificação da indústria têxtil, buscando oportunidades de trabalho e reintegração para mulheres em situação de vulnerabilidade. Sua experiência abrange a inovação na moda e na indústria de beleza e a promoção ativa da inclusão e diversidade, evidenciada por seu papel como vice-presidente no Sport Club do Recife. A especialista é reconhecida por seu pioneirismo em práticas de negócios sustentáveis e seu empenho em promover mudanças significativas na sociedade por meio de ações e projetos em prol da inclusão social e econômica.
Instagram: @movimentoeuvistoobem

 

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