Uma
das poucas certezas resultantes das consequências geradas pela pandemia do
COVID-19 é que ela terá um impacto duradouro sobre como as pessoas trabalharão
daqui em diante. Depois que a pandemia foi declarada, muitas empresas têm
tentado migrar rapidamente suas operações, cultura organizacional, estilo de
gerenciamento e comunicações para o ambiente virtual.
Em
um primeiro momento, funcionários viram a mudança como algo positivo, tanto
pela flexibilidade como a possibilidade de trabalhar perto da família. Do lado
dos empregadores, os benefícios ficaram por conta da redução de custos
vinculada à possibilidade de eliminar gastos com aluguéis e contas fixas.
No entanto, com o passar dos meses, o conforto e a acomodação se transformaram em angústia, e trabalhar em casa já não tem sido a mesma experiência gratificante de antes. “Sempre se falou muito sobre a beleza de se trabalhar remotamente e a promessa da liberdade e flexibilidade de poder trabalhar quando e como quiser, mas ninguém realmente levou em conta problemas de solidão e isolamento que isso também traz”, afirma Dan Schawbel, especialista em futuro do trabalho e autor de “De volta para as conexões humanas” (“Back to Human”, no título original em Inglês), livro que está chegou ao Brasil em agosto e já está disponível para compra nas melhores livrarias, com tradução da Editora AlfaCon.
Schawbel
aponta desvantagens para essa nova realidade de trabalho remoto. É mais difícil
delimitar o tempo pessoal e o de trabalho, quando não se misturam. A
sociabilidade também é outro ponto que pode ser negativo. Há uma eliminação da
conversa natural do trabalho e as empresas consolidam assim o fim da discussão,
da reflexão, da organização coletiva do trabalho.
Com
isso, o trabalho remoto pode ser extremamente prejudicial para a produtividade
de uma empresa, isso porque as pessoas que têm mais afinidade com os colegas de
trabalho têm também mais probabilidade de se envolver em suas atividades, de
acordo com um estudo já publicado na Harvard Business Review. “Ter amigos,
conexões e relacionamentos em uma organização é uma âncora na empresa. Há menos
razão para você sair porque você tem esses laços mais fortes. É como deixar uma
família”, acrescenta Schawbel.
Para
resolver isso, Schawbel aponta que os funcionários precisarão intensificar sua
comunicação, desenvolvendo hábitos para documentar as interações digitais para
que outras equipes e superiores saibam o que está acontecendo. Muitas
companhias tentam realizar nesse período de isolamento happy hours virtuais,
onde é possível ficar mais próximo da intimidade dos funcionários e gestores; e
esse pode ser o início de um caminho em que o vínculo seja o ponto de partida
para o sucesso de uma empresa.


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