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terça-feira, 9 de setembro de 2025

Uso indiscriminado de suplementos pode ameaçar a saúde renal, alerta especialista do CEJAM

Com mercado em forte expansão no Brasil, consumo sem orientação médica pode levar a problemas como cálculos renais, insuficiência aguda e até hemodiálise, segundo nefrologista


O Brasil ocupa hoje o posto de terceiro maior mercado de suplementos do mundo. Em 2024, o setor movimentou R$ 4,6 bilhões no país, enquanto o mercado global chegou a US$ 28 bilhões, conforme dados da Euromonitor. A expectativa da Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos para Fins Especiais (Brasnutri) é de que o segmento atinja R$ 9,6 bilhões até 2028, um crescimento acumulado de 120%. Estima-se que dois em cada três lares brasileiros tenham pelo menos uma pessoa utilizando algum tipo de suplemento. 

Por trás dos números expressivos, no entanto, a Dra. Alessandra Bonilha, médica nefrologista da Santa Casa de São Roque, unidade administrada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), em parceria com a prefeitura da cidade , faz um alerta importante: o uso excessivo ou indiscriminado desses produtos pode comprometer a função renal. Segundo ela, a sobrecarga nos rins causada pelo consumo inadequado de proteínas, creatina, vitamina D e outras substâncias têm se tornado cada vez mais frequente, especialmente entre os jovens. 

“Já observamos casos de lesões renais graves causadas por suplementação sem acompanhamento profissional. Há relatos de pacientes que desenvolveram cálculos renais e, em situações mais críticas, evoluíram para quadros de insuficiência renal aguda, precisando recorrer à hemodiálise”, afirma a especialista. 

Os rins funcionam como filtros do organismo e são responsáveis por eliminar pela urina as substâncias ingeridas. Quando há excesso de proteínas, seja de origem animal ou vegetal, de creatina ou algum outro suplemento, o órgão precisa trabalhar mais para filtrar os resíduos metabólicos, o que pode levar à disfunção renal temporária ou permanente. 

“Entre os principais sinais de que algo não vai bem com os rins estão alterações na coloração e na quantidade de urina. A orientação é que quem consome suplementos de forma regular realize exames de creatinina, uréia e urina tipo I, além de ultrassom de rins e vias urinárias, especialmente em casos com predisposição a doenças renais”, explica Dra. Alessandra. 

Além disso, suplementos contendo cafeína ou vasodilatadores, comuns em fórmulas pré-treino, podem influenciar negativamente a função renal, se usados incorretamente. “A cafeína, por seu efeito diurético, pode aumentar a produção de urina e favorecer a eliminação de toxinas. No entanto, em doses elevadas ou em indivíduos com problemas renais prévios, pode causar sobrecarga nos rins e trazer prejuízos à saúde. Já os vasodilatadores, ao promoverem o relaxamento dos vasos sanguíneos, tendem a melhorar o fluxo sanguíneo renal e reduzir a pressão arterial. Mas em excesso, podem interferir na autorregulação do órgão”, pondera. 

Apesar da água ser primordial para quem ingere suplementos, a ingestão de grandes volumes também pode representar um risco. “A hiper-hidratação pode causar hiponatremia, condição caracterizada por baixos níveis de sódio no sangue, com sintomas como confusão mental, convulsões e, em casos graves, coma. O excesso de água pode mascarar os sintomas de sobrecarga renal. Beber água é importante, mas sempre com equilíbrio”, explica Bonilha. 

A médica destaca, ainda, que a suplementação pode ser segura quando feita corretamente e com supervisão de especialistas. A atuação integrada de nefrologistas, nutricionistas e médicos do esporte é essencial para garantir essa segurança, principalmente para atletas ou pessoas que buscam melhorar o desempenho físico. 

“Para indivíduos saudáveis, produtos como whey protein e creatina, nas doses indicadas, geralmente não causam danos. O problema é o uso por conta própria, sem avaliação médica. Antes de iniciar qualquer suplementação, é fundamental checar se ela é realmente necessária e segura para aquele organismo”, reforça. 

O risco se agrava quando os suplementos são combinados com outras substâncias, como anabolizantes ou termogênicos. “O uso de anabolizantes está associado ao aumento da pressão arterial e a danos celulares nos rins. Já os termogênicos podem agravar problemas gastrointestinais e são contraindicados para pessoas com doenças renais, hepáticas ou distúrbios da tireoide”, exalta a médica. 

Sendo assim, antes de ingerir qualquer tipo de suplemento, é primordial solicitar a um especialista uma análise, por meio de exames clínicos. “Muitos desses suplementos são possíveis de ingerir, na quantidade ideal para o corpo, por meio de uma alimentação equilibrada. Apenas quando identificada uma deficiência nutricional ou necessidade específica é indicado suplementar. Mas nunca por conta própria. A orientação profissional é indispensável”, conclui a nefrologista.


CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Projeto na periferia de São Paulo promove acesso a saúde mental de forma gratuita, a mais de 412 crianças e adolescentes em 2025

O PAC Zen, clínica social de atendimento psicológicos da ONG PAC (Projeto Amigos da Comunidade) há mais de 4 anos promove espaço de bem-estar e acolhimento para população de Pirituba

 

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde levantados pelo jornal O Estado de São Paulo, entre 2015 e 2023, o total de atendimentos clínicos e internações relacionados à ansiedade em pessoas de até 17 anos mais do que quintuplicou em São Paulo, saltando de 2.607 para 14.748 casos anuais um crescimento de 465%. A situação não é diferente em casos de depressão que nessa faixa etária cresceram 151% em menos de uma década, passando de 1.951 registros em 2015 para 4.903 em 2024. 

Esse cenário é ainda pior em regiões periféricas, onde crianças e adolescentes convivem com vulnerabilidades sociais, violência e falta de acesso à renda, emprego, cultura e lazer. Além disso, outro desafio é o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que estão sobrecarregadas com o aumento da demanda, o que torna o acesso ao tratamento adequado demorado. 

Nesse contexto, o PACZen, iniciativa criada em 2021, pela ONG PAC (Projeto Amigos da Comunidade) – que atua há mais de 22 anos com crianças, jovens, adultos e idosos em situação considerada de 'extrema vulnerabilidade social' nas regiões de Pirituba e Jaraguá –, se consolida como um espaço de acolhimento, cuidado e bem-estar de saúde mental. Em 2024, o projeto ofereceu 330 atendimentos terapêuticos gratuitos para crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade e este ano atende mais 412 crianças e jovens da comunidade. 

Entre as práticas oferecidas estão psicoterapia infantil e adulta, terapia em grupo, psicopedagogia, yoga, acupuntura, musicoterapia, terapias não convencionais e auriculoterapia. O projeto conta com 7 profissionais, 10 voluntários para proporcionar os atendimentos sem custo as famílias atendidas pela ONG. 

“O PACZen nasceu para responder a uma realidade urgente. Nas comunidades em que atuamos, o sofrimento mental de crianças e adolescentes é cotidiano, mas infelizmente o sistema único de saúde não consegue atender a toda demanda. Por isso, cada atendimento é uma oportunidade de acolher suas essas crianças e oferecer suporte para o que estão enfrentando, não só para a criança, mas para a família”, afirma Rosane Chene, diretora do PAC. 

O projeto se tornou um instrumento de prevenção, reduzindo riscos de agravamento de transtornos e dando às famílias periféricas a chance de construir uma trajetória de bem-estar emocional. 

É o caso de Maria Aparecida Ferreira da Silva, 62 anos, aposentada, moradora na Vila Zatt, em Pirituba, que há cerca de três anos, tem sua vida impactada positivamente pelo PAC Zen. 

A transformação começou pelo neto mais novo, João Guilherme, de 8 anos. Ele enfrentava sérios problemas emocionais, influenciados pelo contexto familiar de sua mãe, filha de Maria Aparecida, que possui vício em álcool. A escola reclamava constantemente do comportamento da criança, com baixo rendimento, falas agressivas e até suspeitas de TDAH e TOD. Depois de 10 sessões com a psicóloga Drielli, João apresentou grande evolução. As hipóteses diagnósticas foram descartadas, a violência cessou e o desempenho escolar melhorou. 

“Os voluntários psicólogos devolvem mais do que a gente espera! O PAC transformou minha vida. Trouxe equilibro e calma para enfrentar os problemas”, conta Maria Aparecida, ao relembrar o processo. 

Ela mesma também iniciou acompanhamento terapêutico. Participa de sessões individuais todas as sextas-feiras e de um grupo de psicoterapia para idosos, o Vida Plena, que a ajuda a lidar com seus próprios desafios de forma equilibrada. Além disso, há cinco semanas, se dedica às aulas de ginástica no PAC Zen, atividade que levou até o marido, Alvarenga, a participar. Ele também já iniciou sessões de acolhimento com o psicólogo Vinicius e aguarda o início da psicoterapia. 

Maria Aparecida reforça que o acesso ao cuidado psicológico foi algo que sempre buscou, mas não conseguiu em outros lugares. Tentou atendimento em universidades e no SUS, entretanto espera há mais de um ano pelo agendamento de uma consulta. Por outro lado, no PAC Zen, encontrou acolhimento e resultados concretos. 

“Meu neto foi o primeiro a ser atendido, mas hoje toda a família participa. Eu, meu marido, meus netos… todos estamos evoluindo”, comemora a aposentada.


PAC - Projeto Amigos da Comunidade 
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Esquizofrenia afeta 1% da população e pode levar até 5% dos pacientes ao suicídio

Adesão ao tratamento é decisiva para reduzir risco
 

O risco de suicídio entre pessoas com esquizofrenia é alarmante: cerca de 5% acabam tirando a própria vida, índice que é 37 vezes maior entre pacientes sem tratamento adequado¹,². No Brasil, a doença afeta aproximadamente 1,6 milhão de pessoas¹ e, além dos sintomas psicóticos — como alucinações, delírios e comportamentos desorganizados² —, impõe elevado impacto emocional e social tanto para quem convive com o diagnóstico quanto para familiares e rede de apoio. 

Neste mês, marcado pela campanha “Setembro Amarelo” de prevenção ao suicídio, especialistas reforçam que a adesão a terapias eficazes é um dos principais fatores de proteção³. No entanto, a falta de continuidade no tratamento ainda é um desafio: estima-se que 61% dos pacientes em uso de medicação oral abandonem a terapia⁴, o que eleva o risco de recaídas, internações frequentes e piora funcional. 

Medicações antipsicóticas injetáveis de longa ação (LAI) se apresentam como uma alternativa segura e comprovada para melhorar a adesão⁵. Por manterem níveis estáveis no organismo, reduzem flutuações nos sintomas e podem minimizar efeitos colaterais associados a variações de dose. O palmitato de paliperidona, por exemplo, demonstrou reduzir em até 40% as taxas de recaída e em 85% a duração das hospitalizações⁶, além de favorecer a qualidade de vida e o funcionamento diário. 

Nesse contexto, a Adium, farmacêutica presente em 18 países da América Latina, anunciou recentemente o lançamento no Brasil do Vegapali (palmitato de paliperidona), medicamento injetável mensal indicado para o tratamento da esquizofrenia e do transtorno esquizoafetivo. Com fórmula de liberação prolongada, a nova opção terapêutica visa ampliar a adesão e melhorar os desfechos clínicos de pacientes que convivem com essas condições crônicas. O produto está disponível nas apresentações de 50 mg, 75 mg, 100 mg e 150 mg, em seringas preenchidas para aplicação intramuscular mensal7.

 

Adium  

 

Referências

  1. Ministério da Saúde. Dia Nacional da Pessoa com Esquizofrenia: doença, que tem tratamento, ainda é cercada de tabus. Disponível em: Link. Acesso em: 06 ago. 2025.
  2. Organização Mundial da Saúde. Esquizofrenia. Disponível em: Link. Acesso em: 06 ago. 2025.
  3. Hor K, Taylor M. Suicide and schizophrenia: a systematic review of rates and risk factors. J Psychopharmacol. 2010;24(4 Suppl):81-90. doi:10.1177/1359786810385490. Disponível em: Link. Acesso em: 06 ago. 2025.
  4. Uribe ES, Navarro FC, Medrano AFG, et al. Preliminary efficacy and tolerability profiles of first versus second-generation Long-Acting Injectable Antipsychotics in schizophrenia: A systematic review and meta-analysis. J Psychiatr Res. 2020;129:222–233.
  5. Kaplan G, Casoy J, Zummo J. Impact of long-acting injectable antipsychotics on medication adherence and clinical, functional, and economic outcomes of schizophrenia. Patient Prefer Adherence. 2013;7:1171-80. doi:10.2147/PPA.S53795. Disponível em: Link. Acesso em: 12 ago. 2025.
  6. Fu DJ, Turkoz I, Simonson RB, et al. Paliperidone palmitate once-monthly reduces risk of relapse of psychotic, depressive, and manic symptoms and maintains functioning in a double-blind, randomized study of schizoaffective disorder. J Clin Psychiatry. 2015;76(3):253-62.
  7. Adium. Vegapali (palmitato de paliperidona). Bula. Disponível em: Link.

 

 

Cresce o número de suicídios na população idosa; ficar atento aos sinais faz a diferença, afirma SBGG


Na próxima quarta-feira, dia 10, será celebrado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Hoje, o Setembro Amarelo é a maior campanha que trata o assunto no mundo e diversas ações são desenvolvidas. 

O suicídio é um importante problema de saúde pública, com impactos na sociedade como um todo. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama, além de guerras e homicídios. 

Nos últimos anos, as políticas de saúde mental estiveram voltadas para os jovens, deixando de lado um grande contingente que merece atenção porque é de alto risco: a pessoa idosa. Nos últimos 20 anos, as taxas de suicídio vêm crescendo de maneira consistente na população 60+. 

O psiquiatra e geriatra, Dr. Ivan Aprahamian, diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), está à disposição para falar sobre o assunto, abordando as principais causas que levam a pessoa idosa ao suicídio e o papel da família para evitar que isso ocorra.

 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG

 

Tudo em um só lugar: Oncoclínicas combina patologia, genética e IA para agilizar diagnósticos de câncer

Divulgação
Formato pioneiro no Brasil integra especialidade médicas em sua operação, facilitando o cruzamento de informações morfológicas e genéticas para impulsionar a medicina de precisão e enfrentar gargalos estruturais do sistema de saúde
 


O Brasil deve registrar 704 mil novos casos de câncer até o fim deste ano, segundo o triênio 2023-2025 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), um dado que acende um alerta sobre a importância do diagnóstico precoce. Em resposta a esse desafio, a Oncoclínicas&Co — maior grupo de tratamento oncológico da América Latina — aposta em inovação e integração tecnológica ao unir, pela primeira vez, técnicas de patologia digital e genômica através da inteligência artificial (IA). A iniciativa faz parte da vertical OC Medicina de Precisão, laboratório de patologia molecular da Oncoclínicas, e busca democratizar o acesso à oncologia de ponta, acelerando diagnósticos e ampliando as chances de tratamento eficaz em todo o país. 

A iniciativa marca um avanço importante na medicina de precisão, encurtando significativamente o intervalo entre a detecção do tumor e o início do tratamento. No câncer de próstata, por exemplo, a tecnologia possibilita a triagem de até 70% das biópsias benignas, poupando tempo para a análise mais detalhada de amostras com tumores malignos. A proposta também se propõe a enfrentar desafios estruturais do sistema de saúde brasileiro, como a escassez de patologistas, a fragmentação dos diagnósticos e os atrasos que comprometem o início das terapias. 

“No Brasil e no mundo, é comum que esses serviços de patologia e genômica atuem de forma isolada. Ao identificarmos essa limitação, enxergamos uma oportunidade: por que não unificar essas áreas? O resultado mostrou que a comunicação direta entre as equipes, incluindo os médicos assistentes responsáveis por cada caso, possibilita diagnósticos mais rápidos e precisos, oferecendo tratamentos mais precisos”, afirma Rodrigo Dienstmann, oncologista e diretor médico da OC Medicina de Precisão. “Em oncologia, o tempo entre a suspeita e o início do tratamento pode ser decisivo. Quando conectamos especialidades, dados e decisões clínicas em uma mesma estrutura, com um fluxo contínuo, transformamos a jornada do paciente”, complementa. 

Segundo os dados da pesquisa Demografia Médica no Brasil 2025, realizada pelo Ministério da Saúde, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), o país conta com cerca de 4.400 patologistas para atender uma população de mais de 200 milhões de pessoas, representando apenas 0,9% do total de especialistas no Brasil, considerando todas as áreas médicas. No caso do câncer, esse déficit pode custar um tempo valioso. A nova estrutura aumenta a segurança diagnóstica por meio do trabalho integrado de equipes que otimizam o uso de amostras biológicas, padronizam protocolos e promovem discussões colaborativas sobre cada caso. Na prática, isso significa que o mesmo tecido coletado em uma biópsia é compartilhado pelas duas áreas, evitando o desperdício do material e reduzindo a necessidade de novas coletas ou deslocamentos do paciente. O resultado é a integração de informações moleculares, que orientam decisões clínicas mais precisas e personalizadas. 

Um exemplo do impacto da iniciativa envolveu um diagnóstico inicial de câncer do subtipo papilífero com suspeita de origem no pulmão. Com a união entre as duas frentes, foi identificada uma alteração molecular (neste caso, uma mutação) que levou à reclassificação do caso como carcinoma papilífero de tireoide, alterando o diagnóstico e o curso do tratamento para o paciente.
 

O uso de IA para otimizar a rotina de diagnóstico 

A Oncoclínicas foi a primeira companhia fora dos Estados Unidos a incorporar os algoritmos da Paige, empresa especializada em soluções de patologia digital e IA clínica, à sua rotina diagnóstica. Desde 2021, a companhia utiliza o “Paige Prostate” para otimizar o diagnóstico de câncer de próstata e o “Breast Paige” para identificação de lesões precursoras e invasivas de tumores mamários, ambos algoritmos já validados nos EUA, com dados publicados. Em novembro do ano passado, a OC Medicina de Precisão passou a adotar também o algoritmo da Mindpeak, voltado para a análise de tumores de mama e a detecção de quatro biomarcadores cruciais: HER2 (incluindo os espectros “low” e “ultra-low”, que o olho do patologista não está treinado para identificar), receptor de estrogênio, receptor de progesterona e o marcador de proliferação celular Ki-67. A identificação desses biomarcadores é essencial para orientar a escolha do tratamento mais adequado para cada paciente. 

“As ferramentas de inteligência artificial atuam como ferramentas essenciais para os patologistas, identificando áreas de interesse e detectando características sutis nos tumores que podem passar despercebidas ao olho humano. Com isso, os diagnósticos se tornam mais rápidos e assertivos, impactando positivamente o tratamento do paciente. Adotamos o uso de IA há quatro anos para auxiliar na revisão de mais de 23 mil biópsias de próstata e mama. A tecnologia contribuiu para melhorar a precisão diagnóstica, demonstrando quase 100% de sensibilidade e 93% de especificidade, além de aprimorar as taxas de detecção, incluindo a identificação de cerca de 1% de lesões malignas da mama que inicialmente não haviam sido detectadas pelos patologistas”, explica Leonard Medeiros da Silva, patologista da OC Medicina de Precisão. 

A solução está presente em três unidades em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Além disso, a plataforma de patologia digital e genômica do laboratório permite a integração de novos algoritmos de IA ao fluxo de trabalho de maneira eficiente e escalável. Com essa estratégia, a Oncoclínicas avança não apenas na qualificação do diagnóstico individual, mas na consolidação de um formato estrutural replicável que pode redefinir o padrão de cuidado oncológico no Brasil. “A Inteligência Artificial é uma aliada estratégica na prática médica moderna. Ela não substitui o olhar clínico, mas amplia a capacidade de análise, detectando alterações ocultas que fazem toda a diferença no cuidado ao paciente oncológico”, finaliza Dienstmann. 



Oncoclínicas&Co
www.oncoclinicas.com

Saúde mental no esporte: o diferencial invisível na performance de atletas

Treinar só o corpo não basta: a mente também decide o jogo. É isso o que defende a psicanalista Tássia Borges, que explica como corpo e mente caminham juntos e por que o autoconhecimento pode ser a chave para resultados consistentes no esporte

 

No esporte, não basta ter preparo físico. A mente também precisa estar em equilíbrio para que o desempenho seja pleno. É isso que ressalta a psicanalista Tássia Borges, Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP, que há mais de um ano acompanha atletas de boxe e artes marciais ao lado do Professor Faísca (Antônio Gomes Filho), na cidade de São Paulo.

 

“Corpo e mente andam juntos. Não adianta investir apenas no físico e deixar o emocional de lado. O desequilíbrio psíquico pode comprometer o rendimento e até sabotar carreiras esportivas”, afirma Tássia.

 

Segundo a psicanalista, fatores como a competitividade, pressões externas (familiares, sociais ou de patrocinadores) e, principalmente, a falta de autoconhecimento estão entre os principais desafios emocionais enfrentados por atletas amadores e profissionais. “Muitos conhecem profundamente seu corpo, mas pouco sabem sobre o próprio emocional. Esse ponto cego pode ser o maior inimigo dentro e fora do ringue, das quadras e dos campos”, explica.

 

Para ela, o autoconhecimento é uma ferramenta essencial tanto na prevenção de crises quanto na potencialização dos resultados. “Quando o atleta identifica suas fragilidades emocionais, consegue antecipar situações de risco, como o overtraining causado por ansiedade ou excesso de cobrança. É um recurso que protege a saúde mental e amplia o desempenho”, diz.

 

A especialista lembra ainda que os sinais de desequilíbrio nem sempre aparecem de forma explícita. Problemas de sono, mudanças na alimentação e até a discrepância entre a percepção do atleta e a avaliação da equipe técnica podem indicar que algo não vai bem. “Esses sinais são convites para buscar suporte especializado. Quanto antes o cuidado com a saúde mental for integrado à rotina, mais sólido será o caminho da boa performance”, reforça.

 

Mas como a psicanálise pode contribuir com os atletas? Tássia explica: “A psicanálise vai além do visível. Ela investiga a história de vida do atleta, os fantasmas inconscientes e os sabotadores internos que podem travar o desempenho. Esse mergulho no inconsciente ajuda a lidar com várias situações, entre elas a ansiedade de competição, derrotas e transições de carreira, que são bastante comuns em esportes que têm aposentadoria precoce”.

 

A seguir, Tássia Borges compartilha 5 dicas para fortalecer a saúde mental e turbinar a performance esportiva: 

 

1) Invista em autoconhecimento: entender seus pontos fortes e fracos ajuda a prevenir crises e potencializar resultados.

 

2) Reconheça os sinais de alerta: alterações no sono, alimentação e percepção distorcida do próprio desempenho merecem atenção imediata.

 

3) Não negligencie a mente: treinar o corpo sem cuidar do emocional pode gerar desequilíbrios que comprometem a carreira.

 

4) Busque suporte especializado: psicanálise, terapia e acompanhamento multidisciplinar fortalecem a saúde mental e protegem a trajetória esportiva.

 

5) Encare derrotas como aprendizado: compreender as próprias limitações reduz a ansiedade e abre espaço para evoluções constantes.



Tássia Borges - especialista em assuntos relacionados à saúde mental e o psiquismo – entre eles ansiedade, narcisismo, questões geracionais, de relacionamento, luto, solidão e entraves psíquicos que podem impedir atletas de atingir altas performances. Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Método Psicanalítico e Formações da Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Bacharel em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), ela trabalha com educação e linguagem há mais de 20 anos. Fundou e dirige o Instituto Kleiniano de Psicanálise, cuja missão é compartilhar de modo responsável e especializado os conhecimentos técnico-teóricos da psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960) bem como de autores que dialogam com seu pensamento. Há quase 15 anos, Tássia atua como psicanalista, supervisora e professora não só no IKP, mas em diversas outras escolas de psicanálise em São Paulo e outros estados. Possui formação em psicanálise freudiana e conhecimento das escolas inglesa e francesa. É coordenadora de Psicanálise do GEPECH – Grupo de Estudos e Pesquisa em Comportamento Humano – que tem por objetivo desenvolver conhecimento e pesquisa a partir de estudos transdisciplinares envolvendo neurociência e psicanálise, sobretudo neo-kleiniana.

 

Herpes Zoster em crianças: o que pais devem saber e o que esperar da vacina

Doença foi um dos assuntos debatidos por especialistas durante Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia 


Apesar de ser mais conhecido como um problema de adultos e idosos, o herpes zoster, também chamado de "cobreiro", pode sim afetar crianças, inclusive as saudáveis. O alerta é da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), que reforça a importância de vigilância e atendimento médico, mesmo diante de um quadro que geralmente é mais leve nos pequenos. O tema foi discutido durante o 78º Congresso da SBD, que ocorreu entre os dias 3 e 6 de setembro, no Rio de Janeiro. 

"O herpes zoster é decorrente da reativação do vírus da varicela, o mesmo da catapora. A vacinação contra a varicela reduziu significativamente os casos, mas ainda assim a infecção pode surgir em crianças, especialmente naquelas com baixa imunidade", explica Dra. Elisa Fontenelle, médica dermatologista da SBD. 

Nos adultos, o herpes zoster é frequentemente doloroso, mas em crianças ele pode ser assintomático ou apresentar apenas sinais leves. As lesões cutâneas são o sintoma mais evidente. 

"Ele pode começar com dor ou coceira em uma área localizada. Nas crianças, muitas vezes não há febre ou outros sintomas além das lesões de pele. Essas lesões geralmente se manifestam como pequenas bolhas agrupadas sobre uma área avermelhada, muitas vezes no tronco ou rosto, e quase sempre restritas a um lado do corpo”, ressalta Dra. Elisa. 

Mesmo quando o quadro é brando, é essencial buscar avaliação médica. "O dermatologista deve ser procurado sempre que forem observadas essas lesões, pois podem ocorrer complicações, como infecções bacterianas secundárias ou cicatrizes. A dor intensa, característica nos adultos, é rara nos pequenos, mas isso não elimina a necessidade de acompanhamento, principalmente em casos de crianças imunossuprimidas”, relata.
 

Vacina contra o Herpes Zoster 

Atualmente, o Brasil já conta com uma nova vacina recombinante altamente eficaz contra o herpes zoster, mas ela não é indicada para crianças. 

"A nova vacina chegou ao Brasil em 2022, substituindo a antiga de vírus vivo atenuado, que foi descontinuada nos Estados Unidos em 2020. Além de ter uma eficácia muito superior, ela reduz também o risco de nevralgia pós-herpética, uma dor crônica e debilitante causada pela lesão do nervo", explica a médica dermatologista da SBD Dra. Jane Tomimori. 

Ao contrário da antiga, que usava vírus vivo atenuado, a nova é uma vacina de subunidade recombinante, o que a torna mais segura, inclusive para pessoas imunossuprimidas. 

"Ainda não está indicada para gestantes nem para crianças, mas é um grande avanço para os adultos e idosos, especialmente os que vivem com condições que afetam o sistema imunológico", reforça a dermatologista. 

Um dos grandes destaques da vacina, segundo Dra. Jane, é a durabilidade da resposta imunológica. "Um estudo americano com seguimento de 10 anos, mostrou que os níveis de anticorpos se mantem até cinco vezes em relação ao pré-vacinal", afirma.
 

Prevenção  

Embora ainda não exista uma vacina específica para herpes zoster infantil, a vacinação contra a varicela, presente no calendário infantil brasileiro, continua sendo a principal forma de prevenção indireta. 

"Manter a vacinação em dia é fundamental. E diante de qualquer lesão de pele incomum, especialmente em faixa única e com bolhas, os pais devem buscar o dermatologista", orienta Dra. Elisa Fontenelle. 

Entre os assuntos tratados durante o 78º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia também estiveram: Complicações de procedimentos estéticos”, “Dermatologia na Saúde da Mulher”, “Produtos usados – unhas artificiais e vários tipos de esmaltes com suas composições”, “Métodos de imagem no diagnóstico precoce do câncer, entre outros. 

“A diversidade de temas discutidos neste congresso reflete a complexidade e a constante evolução da Dermatologia. Nosso objetivo é ampliar o conhecimento dos dermatologistas, reforçando nosso compromisso com a atualização científica e a segurança do paciente”, diz o presidente da SBD, Dr. Carlos Barcaui. 

O Congresso conta com conteúdos teóricos e práticos. “Nosso objetivo foi proporcionar a todos uma experiência dinâmica, permitindo uma troca de conhecimentos intensa e enriquecedora, fortalecendo a união e a interação entre todos os participantes”, conta a presidente do congresso, Dra. Leandra Metsavaht. 

Para mais informações sobre essas e outras condições dermatológicas, além de cuidados com a saúde da pele, cabelos e unhas, acesse as redes sociais @dermatologiasbd ou o site www.sbd.org.br. Encontre um especialista associado à SBD em sua região e cuide de sua saúde integral.


Magnésio pode auxiliar no emagrecimento e na redução do estresse

Freepi
Especialistas da Clínica Seven apontam sintomas silenciosos e explicam como a reposição do mineral pode melhorar o metabolismo e até apoiar a perda de peso

 

O magnésio, mineral essencial para mais de 300 funções no corpo humano, pode estar em falta na dieta da maioria dos brasileiros. Segundo o Ministério da Saúde, a deficiência é comum devido à baixa ingestão de alimentos ricos no nutriente, como verduras de folhas verdes, sementes e oleaginosas, e ao consumo crescente de ultraprocessados, pobres nesse mineral. A carência pode se manifestar em cãibras frequentes, fadiga persistente, dificuldade de concentração e tensão muscular, impactando também o metabolismo energético e a saúde mental, alerta a Sociedade Brasileira de Nutrição.

Para suprir essa demanda, a Clínica Seven desenvolveu o High Magnesium, suplemento que combina três tipos de magnésio de alta biodisponibilidade, bisglicinato, dimalato e taurato. “A combinação potencializa benefícios como melhora da função muscular e nervosa, combate ao estresse, equilíbrio intestinal e até apoio na perda de peso”, explica Marina Faiad, coordenadora de nutrição da clínica. Segundo a especialista, seriam necessários quase 1 kg de couve cozida para fornecer a mesma quantidade de magnésio presente em uma dose do suplemento.

Além de atuar no metabolismo e na digestão, o magnésio auxilia no relaxamento muscular, contribuindo para a redução do abdômen e apoiando programas de emagrecimento. “Com o aumento da busca por soluções naturais para energia, equilíbrio e bem-estar, o High Magnesium surge como alternativa prática para suprir uma deficiência comum e fortalecer a saúde de forma integral”, finaliza a especialista.

 

O treino virou receita: médicos prescrevem atividade física como remédio

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De reduzir a necessidade de medicamentos a melhorar o humor, prática regular de atividade física já é considerada tratamento por especialistas 

 

A prática de atividade física vem ganhando cada vez mais espaço nos receituários médicos, sendo indicada como um verdadeiro medicamento capaz de atuar no controle e prevenção de diversas condições de saúde. Em alguns casos, a prática semanal de pelo menos 150 minutos de exercícios – conforme recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS) – pode até mesmo reverter determinados problemas, como melhorar o funcionamento dos sistemas cardiovascular, respiratório e endócrino, além de favorecer o humor e a qualidade de vida. 

Segundo o médico especialista em Endocrinologia e Metabologia e professor do curso de Medicina do Centro Universitário UniBH, integrante do ecossistema Ânima, Fabiano Malard, profissionais de saúde que incluem os exercícios físicos na rotina dos pacientes demostram atenção ao que a ciência já comprova. “Evidências indicam que hábitos anti-sedentários reduzem os níveis de glicose e colesterol ruim no sangue, o que contribui para a prevenção de diabetes e doenças cardiovasculares. A atividade física também está associada à melhora de transtornos de saúde mental, principalmente depressão e ansiedade”.

Ainda de acordo com o especialista, o sedentarismo - postura oposta à prática regular de atividade física - está ligado ao aumento do risco de várias condições, entre elas alguns tipos de câncer, como mama e colorretal, além de maior probabilidade de desenvolver Doença de Alzheimer. “Atualmente os exercícios aeróbicos são parte importante do tratamento da obesidade, por exemplo. Eles auxiliam na melhora de várias condições associadas ao excesso de peso, como apneia do sono e esteatose hepática. A prescrição de atividade física também é fundamental para o alívio de sintomas relacionados à dores crônicas, como problemas ortopédicos, fibromialgia e enfermidades reumatológicas”, cita. 

O endocrinologista ressalta, porém, que assim como qualquer medicamento, a atividade física também requer dosagem adequada, frequência e intensidades ajustadas ao perfil de cada paciente. “A idade e o condicionamento físico, de modo geral, devem ser considerados, assim como eventuais problemas de saúde. O exercício prescrito precisa ser tolerado, de modo a não sobrecarregar o sistema respiratório e cardiovascular de quem o pratica”, explica. Em alguns casos – especialmente quando há doenças cardíacas – são necessários exames prévios para liberar a prática com segurança. 

O especialista afirma ainda que até mesmo a escolha do tipo de exercício deve estar alinhada ao objetivo do paciente: fortalecer determinada região em que há dor, controlar a obesidade ou realizar uma reabilitação cardíaca, por exemplo. “O mais importante é que aqueles que aderem a um programa de exercícios regulares conseguem controlar muitas comorbidades. Em alguns casos, o médico pode até reduzir ou suspender doses de determinadas medicações. E mesmo quando isso não acontece, a atividade física ajuda a evitar o aumento das doses ou a necessidade de novos remédios”, explica.  

Por fim, o professor do UniBH chama a atenção para a relevância de campanhas públicas que não apenas incentivem a prática de exercícios, mas também ampliem a percepção da população sobre sua importância no dia a dia. “Seis em cada 10 adultos brasileiros não se exercitam no tempo livre nos níveis recomendados pela OMS. Por isso, é fundamental implementar ações de conscientização nas escolas, para que crianças e adolescentes desenvolvam o hábito desde cedo e cresçam com a mentalidade de que a prática é essencial. O Poder Público também pode ampliar a oferta de academias gratuitas em praças e parques, além de garantir a presença de educadores físicos e profissionais da área nas unidades básicas de saúde, tratando o tema como uma verdadeira questão de saúde pública.”


Ortopedista do Hospital HSANP dá dicas para se evitar lesões provocadas por tarefas do dia a dia

Divulgação
 Hábitos como adaptação do ambiente, hidratação e postura correta são essenciais na rotina

 

No dia a dia, seja em casa ou no trabalho, diversos movimentos repetitivos são realizados, como digitar, limpar, caminhar ou carregar peso. Esses hábitos, quando feitos sem atenção ou com sobrecarga, podem gerar lesões que tendem a se agravar com o tempo se não houver os devidos cuidados. 

Um simples passo em falso, o uso de calçados inadequados, problemas de postura ou o levantamento de peso sem técnica adequada podem resultar em lesões por esforço repetitivo (LER), luxações, contusões, entorses e até fraturas. Entre trabalhadores que passam muitas horas sentados, dores na lombar e na coluna também estão entre as queixas mais frequentes. 

De acordo com o ortopedista Ulisses dos Santos, diretor do Hospital HSANP, é cada vez mais comum o atendimento de pacientes com lesões decorrentes de atividades rotineiras. “Por mais simples que seja, é necessário estar preparado para executar qualquer atividade que seja ao decorrer do dia. A postura é um dos pontos mais importantes para que as lesões sejam minimizadas”, afirma. 

Segundo o especialista, adotar hábitos saudáveis é fundamental para reduzir o risco de lesões. Dentre eles, estão o uso de roupas confortáveis, a manutenção de uma alimentação equilibrada, hidratação adequada, noites de sono reparadoras, prática regular de alongamentos, correção postural e a criação de um ambiente de trabalho ergonômico. Esses cuidados simples ajudam a realizar as tarefas com mais segurança e diminuem a chance de machucados que podem evoluir para tratamentos prolongados ou até mesmo a necessidade de intervenções médicas. 

“Inicialmente, a adoção de novos hábitos pode demandar maior esforço de adaptação. Entretanto, com a prática contínua, essas medidas se incorporam naturalmente à rotina, contribuindo para a execução das atividades de forma mais eficiente e com menor sobrecarga física. Essa mudança é fundamental para prevenir dores recorrentes e complicações que tendem a se agravar com o envelhecimento”, finaliza Ulisses dos Santos.

 

Hospital HSANP


Reposição hormonal não é vilã: abordagem integrativa desmistifica mitos sobre o tratamento na menopausa

Dra. Márcia Alvernaz, médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia e diretora clínica da Integrative Ipatinga, explica como a terapia hormonal personalizada devolve qualidade de vida às mulheres e rompe com tabus infundados


A menopausa é uma fase natural na vida da mulher, marcada pela cessação da menstruação e por uma série de mudanças hormonais. No entanto, muitos mitos e desinformações cercam esse período, especialmente em relação à terapia de reposição hormonal (TRH). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aproximadamente 30 milhões de mulheres no Brasil estão na faixa etária do climatério e menopausa. Apesar disso, apenas metade delas busca algum tipo de tratamento para aliviar os sintomas.

Entre os principais sintomas da menopausa estão ondas de calor, insônia, alterações de humor, fadiga persistente, irritabilidade e diminuição da libido. Esses sintomas podem impactar significativamente a qualidade de vida, afetando o bem-estar físico e emocional das mulheres.

A Dra. Márcia Alvernaz destaca que a baixa adesão à TRH está relacionada a diversos fatores, incluindo medo de efeitos colaterais, como o risco de câncer, e a falta de informação adequada. "A TRH, quando bem indicada e monitorada, é segura para a maioria das mulheres. É importante desmistificar a ideia de que a reposição hormonal causa câncer. Os hormônios não iniciam o câncer, mas podem promover o crescimento de tumores já existentes. Por isso, é fundamental uma avaliação individualizada antes de iniciar o tratamento", explica a médica.


Retomada da vitalidade e abordagem da integrativa

A Medicina Funcional Integrativa propõe uma abordagem personalizada, considerando a individualidade de cada paciente. Isso inclui uma avaliação clínica detalhada, exames laboratoriais específicos e a consideração de fatores como estilo de vida, alimentação e saúde emocional. "Exame sem sintoma é estatística; sintoma sem escuta é negligência", enfatiza a Dra. Márcia.

A TRH pode ser administrada de diferentes formas, como via oral (comprimidos), transdérmica (adesivos ou géis) e subcutânea (implantes). A escolha da via de administração deve ser feita em conjunto com o profissional de saúde, considerando as necessidades e preferências da paciente.

Para além da reposição hormonal, a Medicina Funcional Integrativa inclui estratégias como suplementação nutricional, ajustes alimentares e práticas integrativas (como acupuntura e meditação) para promover o equilíbrio hormonal e o bem-estar geral.

A Dra. Márcia ressalta que a TRH não é indicada para todas as mulheres. "Existem contraindicações, como histórico de câncer de mama. Por isso, é essencial uma avaliação criteriosa para determinar a melhor abordagem para cada paciente", afirma.

Em resumo, para a especialista a reposição hormonal, quando indicada e monitorada adequadamente, pode ser uma ferramenta valiosa para melhorar a qualidade de vida das mulheres na menopausa. 


Diagnóstico precoce e documentos clínicos digitalizados viabilizam mais transplantes

Avanços em exames precisos, detecção antecipada de doenças e histórico médico estruturado aumentam o aproveitamento de órgãos doados

 

A evolução das tecnologias médicas e o avanço na integração de informações clínicas estão ajudando a salvar mais vidas por meio da doação de órgãos. Pesquisas recentes indicam que a precisão dos laudos, a detecção precoce de doenças e a estruturação de históricos clínicos digitais são fatores decisivos para ampliar a taxa de aproveitamento de órgãos doados, especialmente em hospitais com menos recursos, conforme artigo publicado no Globe Newswire

De acordo com o médico e diretor de inovação da Neuralmed, empresa brasileira especializada em inteligência artificial aplicada à saúde, Dr. Guilherme Crespo, a clareza sobre a elegibilidade de pacientes para doação ou recepção de órgãos ainda é um desafio. “Diversas condições clínicas viabilizam a oportunidade de doar e de receber órgãos. Muitas vezes, a falta de dados estruturados ou de diagnósticos precoces acaba excluindo pacientes que poderiam ser elegíveis em situações específicas. A análise de dados clínicos, com foco na classificação rápida e assertiva, permite identificar essas oportunidades e evitar perdas desnecessárias”, explica. 

Nesse contexto, o médico comenta que o diagnóstico precoce surge como um fator crítico desse processo. “Quando conseguimos detectar doenças em estágios iniciais, ampliamos a elegibilidade tanto para doadores quanto para receptores. Identificar condições de forma antecipada ajuda a aproveitar oportunidades antes que sejam descartadas, reduzindo o tempo de espera e aumentando as chances de sucesso nos transplantes”, acrescenta Crespo. 

Outro ponto de destaque é a organização do histórico clínico. Segundo o especialista, um registro digital estruturado, atualizado continuamente, pode transformar a dinâmica da doação de órgãos. “Um histórico clínico bem organizado acelera decisões críticas e evita que informações essenciais se percam ao longo do tempo. Isso torna o processo de doação mais ágil, confiável e, acima de tudo, eficaz na salvação de vidas”, afirma. 

Ele reforça que a consolidação de dados médicos em sistemas digitais simplifica a análise de elegibilidade e ainda amplia o acesso ao serviço em instituições de menor porte. Ao reunir informações sobre exames, diagnósticos, tratamentos anteriores e evolução clínica dos pacientes, é possível reduzir a necessidade de investigações extensas em momentos de urgência, garantindo mais agilidade na tomada de decisão, conforme esclarece Dr. Guilherme. 

O médico comenta que esses avanços reforçam a importância de investir em diagnóstico precoce, precisão clínica e digitalização de históricos médicos como estratégias essenciais para enfrentar os desafios da doação de órgãos no Brasil e no mundo. 

Nesse contexto, o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos no Brasil, reforça a importância do diagnóstico preciso e precoce como peça-chave para salvar vidas. “Mais do que tecnologia, trata-se de garantir que cada oportunidade de doação seja aproveitada ao máximo, transformando solidariedade em esperança para milhares de pacientes na fila por um transplante”, finaliza Crespo.

 

NeuralMed



Alzheimer e os primeiros sinais que vão além da perda de memória

​​Alterações no comportamento e dificuldade com números podem indicar início da doença

 

Quando se fala em Alzheimer, o esquecimento costuma ser citado como o principal sintoma. No entanto, os sinais iniciais da doença vão muito além da perda de memória, já que mudanças sutis no humor, na linguagem e no raciocínio podem surgir anos antes do diagnóstico.

O Alzheimer é uma doença degenerativa progressiva, que afeta vários campos da cognição, ou seja, habilidades intelectuais, como explica o neurocirurgião Otávio Turolo, médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES). “No início do quadro podem haver alterações de humor, dificuldade de julgamento e tomada de decisões, ou mesmo dificuldade em atividades que antes eram rotineiras”, explica o especialista.


Alguns dos primeiros sinais

Entre os indícios precoces, Turolo destaca a afasia, que é a dificuldade para encontrar palavras simples. Alterações no raciocínio lógico também podem aparecer cedo, sobretudo na tomada de decisões financeiras. “Gastos inapropriados podem gerar problemas para o paciente e para a família, por isso é sempre importante alguém próximo assumir o controle financeiro”, alerta. 

Outros sinais menos conhecidos incluem dificuldades em se orientar em lugares familiares e em lidar com números. Nessas situações, a presença e a atenção da família são fundamentais. “Não é recomendado que o paciente diagnosticado com Alzheimer saia sozinho, pois existe o risco de se perder em locais que antes eram habitualmente conhecidos”, reforça.

 

Envelhecimento natural ou sinais patológicos?

O desafio, segundo o médico, é diferenciar os sintomas iniciais do Alzheimer de alterações cognitivas comuns do envelhecimento. “Essa é uma linha muito tênue, principalmente porque o envelhecimento também gera um transtorno cognitivo, mesmo que mais leve. Existem formas de tentar diferenciar e estratificar riscos, como avaliação neuropsicológica, análise do líquor e exames de imagem, mas este é um desafio muitas vezes”, afirma. 

O diagnóstico precoce é considerado determinante, já que amplia as possibilidades de tratamento. Exames de neuroimagem, como ressonância magnética e SPECT cerebral, além da análise de biomarcadores no líquido cefalorraquidiano, ajudam a confirmar a doença e a descartar outras formas de demência.

Por conta disso, procurar orientação médica ao identificar qualquer sinal, é fundamental. Através de avaliações e exames, o especialista poderá verificar se há indícios da doença ou se os sintomas apenas fazem parte do processo de envelhecimento.

 

Avanços no tratamento

Em relação às opções terapêuticas, foi aprovado recentemente no Brasil um medicamento que atua contra a proteína beta-amilóide, responsável pelas alterações cerebrais da doença. “Ele ajuda a retardar a progressão do Alzheimer, mas está indicado apenas para casos selecionados e em estágios iniciais”, explica. 

​​Além disso, intervenções não medicamentosas continuam sendo fundamentais.“Tratamentos como estímulo cognitivo e atividade física ajudam na melhora da qualidade de vida, e são sempre indicados”, destaca Turolo.


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