O PAC Zen, clínica social de atendimento
psicológicos da ONG PAC (Projeto Amigos da Comunidade) há mais de 4 anos
promove espaço de bem-estar e acolhimento para população de Pirituba
Segundo
dados da Secretaria
de Estado da Saúde levantados pelo jornal O Estado de São Paulo, entre 2015 e 2023, o total de atendimentos clínicos e
internações relacionados à ansiedade em pessoas de até 17 anos mais do que
quintuplicou em São Paulo, saltando de 2.607 para 14.748 casos anuais um
crescimento de 465%. A situação não é diferente em casos de depressão que nessa
faixa etária cresceram 151% em menos de uma década, passando de 1.951 registros
em 2015 para 4.903 em 2024.
Esse cenário é ainda pior em regiões periféricas, onde crianças e adolescentes convivem com vulnerabilidades sociais, violência e falta de acesso à renda, emprego, cultura e lazer. Além disso, outro desafio é o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que estão sobrecarregadas com o aumento da demanda, o que torna o acesso ao tratamento adequado demorado.
Nesse contexto, o PACZen, iniciativa criada em 2021, pela ONG PAC
(Projeto Amigos da Comunidade) – que atua há mais de 22 anos com crianças,
jovens, adultos e idosos em situação considerada de 'extrema vulnerabilidade
social' nas regiões de Pirituba e Jaraguá –, se consolida como um espaço de
acolhimento, cuidado e bem-estar de saúde mental. Em 2024, o projeto ofereceu
330 atendimentos terapêuticos gratuitos para crianças, adolescentes e famílias
em situação de vulnerabilidade e este ano atende mais 412 crianças e jovens da
comunidade.
Entre as práticas oferecidas estão psicoterapia infantil e adulta,
terapia em grupo, psicopedagogia, yoga, acupuntura, musicoterapia, terapias não
convencionais e auriculoterapia. O projeto conta com 7 profissionais, 10
voluntários para proporcionar os atendimentos sem custo as famílias atendidas
pela ONG.
“O PACZen nasceu para responder a uma realidade urgente. Nas
comunidades em que atuamos, o sofrimento mental de crianças e adolescentes é
cotidiano, mas infelizmente o sistema único de saúde não consegue atender a
toda demanda. Por isso, cada atendimento é uma oportunidade de acolher suas
essas crianças e oferecer suporte para o que estão enfrentando, não só para a
criança, mas para a família”, afirma Rosane Chene, diretora do PAC.
O projeto se tornou um instrumento de prevenção, reduzindo riscos
de agravamento de transtornos e dando às famílias periféricas a chance de
construir uma trajetória de bem-estar emocional.
É o caso de Maria Aparecida Ferreira da Silva, 62 anos,
aposentada, moradora na Vila Zatt, em Pirituba, que há cerca de três anos, tem
sua vida impactada positivamente pelo PAC Zen.
A transformação começou pelo neto mais novo, João Guilherme, de 8
anos. Ele enfrentava sérios problemas emocionais, influenciados pelo contexto
familiar de sua mãe, filha de Maria Aparecida, que possui vício em álcool. A
escola reclamava constantemente do comportamento da criança, com baixo
rendimento, falas agressivas e até suspeitas de TDAH e TOD. Depois de 10
sessões com a psicóloga Drielli, João apresentou grande evolução. As hipóteses
diagnósticas foram descartadas, a violência cessou e o desempenho escolar
melhorou.
“Os voluntários psicólogos devolvem mais do que a gente espera! O
PAC transformou minha vida. Trouxe equilibro e calma para enfrentar os
problemas”, conta Maria Aparecida, ao relembrar o processo.
Ela mesma também iniciou acompanhamento terapêutico. Participa de
sessões individuais todas as sextas-feiras e de um grupo de psicoterapia para
idosos, o Vida Plena, que a ajuda a lidar com seus próprios desafios de forma
equilibrada. Além disso, há cinco semanas, se dedica às aulas de ginástica no
PAC Zen, atividade que levou até o marido, Alvarenga, a participar. Ele também
já iniciou sessões de acolhimento com o psicólogo Vinicius e aguarda o início
da psicoterapia.
Maria Aparecida reforça que o acesso ao cuidado psicológico foi
algo que sempre buscou, mas não conseguiu em outros lugares. Tentou atendimento
em universidades e no SUS, entretanto espera há mais de um ano pelo agendamento
de uma consulta. Por outro lado, no PAC Zen, encontrou acolhimento e resultados
concretos.
“Meu neto foi o primeiro a ser atendido, mas hoje toda a família
participa. Eu, meu marido, meus netos… todos estamos evoluindo”, comemora a
aposentada.
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