Pesquisar no Blog

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Projeto na periferia de São Paulo promove acesso a saúde mental de forma gratuita, a mais de 412 crianças e adolescentes em 2025

O PAC Zen, clínica social de atendimento psicológicos da ONG PAC (Projeto Amigos da Comunidade) há mais de 4 anos promove espaço de bem-estar e acolhimento para população de Pirituba

 

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde levantados pelo jornal O Estado de São Paulo, entre 2015 e 2023, o total de atendimentos clínicos e internações relacionados à ansiedade em pessoas de até 17 anos mais do que quintuplicou em São Paulo, saltando de 2.607 para 14.748 casos anuais um crescimento de 465%. A situação não é diferente em casos de depressão que nessa faixa etária cresceram 151% em menos de uma década, passando de 1.951 registros em 2015 para 4.903 em 2024. 

Esse cenário é ainda pior em regiões periféricas, onde crianças e adolescentes convivem com vulnerabilidades sociais, violência e falta de acesso à renda, emprego, cultura e lazer. Além disso, outro desafio é o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), que estão sobrecarregadas com o aumento da demanda, o que torna o acesso ao tratamento adequado demorado. 

Nesse contexto, o PACZen, iniciativa criada em 2021, pela ONG PAC (Projeto Amigos da Comunidade) – que atua há mais de 22 anos com crianças, jovens, adultos e idosos em situação considerada de 'extrema vulnerabilidade social' nas regiões de Pirituba e Jaraguá –, se consolida como um espaço de acolhimento, cuidado e bem-estar de saúde mental. Em 2024, o projeto ofereceu 330 atendimentos terapêuticos gratuitos para crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade e este ano atende mais 412 crianças e jovens da comunidade. 

Entre as práticas oferecidas estão psicoterapia infantil e adulta, terapia em grupo, psicopedagogia, yoga, acupuntura, musicoterapia, terapias não convencionais e auriculoterapia. O projeto conta com 7 profissionais, 10 voluntários para proporcionar os atendimentos sem custo as famílias atendidas pela ONG. 

“O PACZen nasceu para responder a uma realidade urgente. Nas comunidades em que atuamos, o sofrimento mental de crianças e adolescentes é cotidiano, mas infelizmente o sistema único de saúde não consegue atender a toda demanda. Por isso, cada atendimento é uma oportunidade de acolher suas essas crianças e oferecer suporte para o que estão enfrentando, não só para a criança, mas para a família”, afirma Rosane Chene, diretora do PAC. 

O projeto se tornou um instrumento de prevenção, reduzindo riscos de agravamento de transtornos e dando às famílias periféricas a chance de construir uma trajetória de bem-estar emocional. 

É o caso de Maria Aparecida Ferreira da Silva, 62 anos, aposentada, moradora na Vila Zatt, em Pirituba, que há cerca de três anos, tem sua vida impactada positivamente pelo PAC Zen. 

A transformação começou pelo neto mais novo, João Guilherme, de 8 anos. Ele enfrentava sérios problemas emocionais, influenciados pelo contexto familiar de sua mãe, filha de Maria Aparecida, que possui vício em álcool. A escola reclamava constantemente do comportamento da criança, com baixo rendimento, falas agressivas e até suspeitas de TDAH e TOD. Depois de 10 sessões com a psicóloga Drielli, João apresentou grande evolução. As hipóteses diagnósticas foram descartadas, a violência cessou e o desempenho escolar melhorou. 

“Os voluntários psicólogos devolvem mais do que a gente espera! O PAC transformou minha vida. Trouxe equilibro e calma para enfrentar os problemas”, conta Maria Aparecida, ao relembrar o processo. 

Ela mesma também iniciou acompanhamento terapêutico. Participa de sessões individuais todas as sextas-feiras e de um grupo de psicoterapia para idosos, o Vida Plena, que a ajuda a lidar com seus próprios desafios de forma equilibrada. Além disso, há cinco semanas, se dedica às aulas de ginástica no PAC Zen, atividade que levou até o marido, Alvarenga, a participar. Ele também já iniciou sessões de acolhimento com o psicólogo Vinicius e aguarda o início da psicoterapia. 

Maria Aparecida reforça que o acesso ao cuidado psicológico foi algo que sempre buscou, mas não conseguiu em outros lugares. Tentou atendimento em universidades e no SUS, entretanto espera há mais de um ano pelo agendamento de uma consulta. Por outro lado, no PAC Zen, encontrou acolhimento e resultados concretos. 

“Meu neto foi o primeiro a ser atendido, mas hoje toda a família participa. Eu, meu marido, meus netos… todos estamos evoluindo”, comemora a aposentada.


PAC - Projeto Amigos da Comunidade 
Para mais informações clique aqui


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados