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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Câncer de pulmão: novos estudos mostram redução do risco de morte com tratamento imunológico


  • O câncer de pulmão é o tipo de câncer mais comum no mundo, e um dos mais fatais em termos de mortalidade1.
  • Entre os tipos de câncer de pulmão, entre 80% e 85% dos casos são do tipo de células não-pequenas (CPCNP)2.
  • Nos Estados Unidos, até 20% dos casos de câncer de pulmão ocorrem em quem nunca fumou, ou fumou muito pouco3.
  • A poluição do ar nas cidades pode causar até 2% das mortes por câncer de pulmão4.
  • Usuários de cigarro eletrônico podem ter até 6 vezes mais nicotina no organismo, comparados a fumantes de 20 cigarros convencionais por dia5.
  • De acordo com estimativas de 2023 do INCA, o câncer de pulmão é o terceiro mais incidente em homens, e o quarto em mulheres1.

 

Dois estudos recentes mostraram resultados significativos para o tratamento do câncer de pulmão de células não-pequenas (CPCNP) com o uso de imunoterapia. 

O estudo KEYNOTE-091 envolveu 1.177 pacientes com CPCNP em estágio IB-IIIA que haviam sido submetidos a ressecção cirúrgica6. Os participantes foram randomizados para receber pembrolizumabe ou placebo como terapia adjuvante. Os resultados mostraram que o tratamento com pembrolizumabe resultou em uma mediana de sobrevida livre de doença de 53,6 meses, em comparação a 42,0 meses no grupo que recebeu placebo6. Além disso, o estudo indicou uma redução de 24% no risco de recorrência ou morte (HR de 0,72 [IC 95% 0,56-0,93]) 6. 

Baseado nos resultados do estudo KEYNOTE-091, pembrolizumabe recebeu aprovação da ANVISA para o tratamento adjuvante do CPCNP após ressecção cirúrgica completa e quimioterapia adjuvante à base de platina. 

O estudo KEYNOTE-671 investigou a combinação de pembrolizumabe neoadjuvante com quimioterapia, seguido de pembrolizumabe adjuvante. Este estudo clínico incluiu 797 pacientes com CPCNP em estágios II a IIIB7. Os resultados foram igualmente positivos, com uma mediana de sobrevida livre de eventos de 47,2 meses no grupo que recebeu pembrolizumabe, em comparação a 18,3 meses no grupo que recebeu placebo7. O estudo demonstrou uma redução de 28% no risco de morte (HR) de 0,72 (IC 95% 0,56–0,93) com o uso de pembrolizumabe em combinação com quimioterapia7. 

Os resultados dos estudos KEYNOTE-091 e KEYNOTE-671 ressaltam a importância da imunoterapia no tratamento do câncer de pulmão. A capacidade de pembrolizumabe de melhorar a sobrevida livre de doença e a sobrevida global representa um avanço significativo em um cenário onde a maioria dos diagnósticos de câncer de pulmão ocorre em estágios avançados, com uma taxa de sobrevida de apenas 18% após cinco anos8. 

Com mais de 96 mil novos casos estimados entre 2023 e 2025 (INCA), a introdução de terapias inovadoras pode transformar o tratamento e proporcionar uma nova esperança para pacientes diagnosticados em estágios iniciais. 

A incorporação de pembrolizumabe nas opções de tratamento pode não apenas aumentar as taxas de desfechos clínicos positivos, mas também melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A possibilidade de um tratamento eficaz em estágios iniciais do câncer de pulmão é um avanço que pode reduzir as recidivas e melhorar os resultados em longo prazo. 

Os avanços representados pelos estudos KEYNOTE-091 e KEYNOTE-671 destacam a importância da pesquisa contínua e da inovação no tratamento do câncer de pulmão. A adoção de terapias imunológicas pode transformar o cenário do tratamento oncológico no Brasil, proporcionando esperança a milhares de pacientes. 

 

Referências

  1. WHO – International Agency for Research on Cancer. Lung Cancer. Disponível em: Link (acesso: 31/07/2025)
  2. Sobre o câncer de pulmão. Disponível em: Link (acesso: 24/07/2025)
  3. Centers for Disease Control (CDC) - Lung Cancer Among People Who Never Smoked. Disponível em: Link. (acesso: 24/07/2025)
  4. American Cancer Society – Lung Cancer Risk Factors. Disponível em: Link (acesso: 24/07/2025)
  5. InCor - InCor divulga pesquisa inédita sobre cigarros eletrônicos em parceria com a Vigilância Sanitária do Estado de S. Paulo e Laboratório de Toxicologia da FMUSP. Disponível em: Link (acesso: 29/07/2025)
  6. The Lancet - Pembrolizumabe versus placebo como terapia adjuvante para câncer de pulmão não pequenas células em estágio IB–IIIA completamente ressecado (PEARLS/KEYNOTE-091): uma análise provisória de um ensaio clínico randomizado, triplo-cego, de fase 3. Disponível em: Link (acesso: 24/07/2025)
  7. The Lancet - Neoadjuvant pembrolizumab plus chemotherapy followed by adjuvant pembrolizumab compared with neoadjuvant chemotherapy alone in patients with early-stage non-small-cell lung cancer (KEYNOTE-671): a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 trial. Disponível em: Link (acesso: 31/07/2025)
  8. INCA – Câncer de pulmão. Disponível em: Link (acesso: 31/07/2025) 

 

Neymar critica gramado sintético e alerta para risco de lesões no futebol profissional

SBRATE esclarece dúvidas sobre a prática em gramado artificial
 

O atacante Neymar voltou a criticar publicamente o uso de gramado sintético em estádios de futebol. Em declarações recentes, o jogador expressou insatisfação com esse tipo de piso, afirmando que ele aumenta o risco de lesões e prejudica o desempenho dos atletas. Neymar destacou que o futebol de alto nível exige condições ideais de jogo e que o gramado artificial não oferece a mesma segurança e conforto do campo natural. A crítica reacende o debate sobre a qualidade e os impactos dos gramados sintéticos no futebol profissional, especialmente em relação à saúde dos jogadores.

Dr Vitor Miranda, ortopedista especialista em pé e tornozelo e membro da SBRATE (Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte) esclarece dúvidas sobre o tema:

 

- Quais são os principais riscos do gramado sintético para um atleta em fase de recuperação de lesão, especialmente nos ligamentos do joelho? 

O gramado sintético é naturalmente mais duro do que o natural, o que pode gerar impacto maior nas articulações. Embora existam evidências de aumento de lesões no pé e tornozelo, no caso de lesões ligamentares no joelho, como LCA, a relação com o gramado ainda é controversa. Outros fatores como preparo físico, tempo de recuperação, posição do atleta em campo e momento do jogo (final da partida, por exemplo) também influenciam fortemente no risco de lesão.

 

- Existe alguma evidência científica de que o gramado sintético aumenta o risco de novas lesões, especialmente para quem já teve lesão ligamentar, como o Neymar? 

Sim, há evidência científica indicando que o gramado sintético aumenta o risco de lesões, principalmente em tornozelo e pé. Em relação ao joelho, as evidências são controversas. O gramado sintético é um fator de risco, mas não é isolado — há múltiplos fatores, como índice de massa corporal, condicionamento físico, posição em campo, etc.

 

- Comparando o gramado natural e o sintético, quais são as diferenças biomecânicas mais relevantes para um jogador em retorno após uma cirurgia? 

O gramado sintético tende a deixar o jogo mais rápido e intenso, especialmente para posições como atacantes e meio-campistas, o que pode aumentar o risco de lesões musculares. Além disso, sua superfície é mais dura, o que impacta as articulações. Contudo, a qualidade do gramado (natural ou sintético) também pesa muito: uma grama sintética de alto padrão pode ser mais segura que uma grama natural em más condições.

 

- É comum que atletas ou clubes solicitem mudanças ou cuidados específicos relacionados ao tipo de gramado durante o processo de retorno aos jogos? 

Aparentemente, sim — os atletas pedem qualidade mínima. Porém, na prática, jogos não são cancelados por más condições de gramado, e há partidas em gramados ruins e até sob forte chuva. A relevância prática da solicitação é baixa, apesar da importância do tema.

 

- O senhor acredita que o retorno do Neymar em jogos sobre gramado sintético deveria ser evitado ou limitado, considerando o histórico dele? 

Sim, acredita-se que deveria haver mais cuidado com o Neymar, principalmente por ser uma Copa do Mundo próxima e provavelmente sua última em alto nível. No entanto, essa decisão deve envolver o próprio atleta e seu acompanhamento clínico diário.

 

- O Neymar demonstrou publicamente receio de atuar em gramado sintético. Esse medo tem justificativa clínica ou seria mais psicológico? 

O receio tem justificativa clínica, sim. O risco de lesões é maior na grama sintética, especialmente em termos de impacto e velocidade do jogo. Comparando gramados de alto padrão, o natural ainda é preferível. Porém, uma grama sintética de alto padrão é mais segura que uma grama natural ruim.

 

- O medo de se lesionar novamente pode, de fato, afetar o desempenho ou até aumentar o risco de nova lesão? 

Sim, esse medo é real e influencia diretamente. A experiência com cirurgia, dor e recuperação impacta psicologicamente, mesmo em atletas experientes. O medo pode atrapalhar performance e até gerar um risco indireto de nova lesão por hesitação ou tensão excessiva. 

- Psicologicamente, como um atleta pode ser impactado por esse tipo de temor? Há acompanhamento específico recomendado nesses casos? 

O impacto psicológico é significativo. Mesmo sendo atletas com mentalidade forte, o trauma pode gerar insegurança. O acompanhamento psicológico é importante nesse processo para ajudar o atleta a retomar confiança e performance de forma saudável.

 

9 - Na sua experiência clínica, qual o tempo médio ideal para um atleta como o Neymar voltar com segurança total, física e mental, após uma cirurgia de ligamento cruzado e menisco? 

O retorno inclui um tempo de transição. Após a fisioterapia, o atleta treina no campo, se readapta ao jogo com bola e só depois retorna ao grupo. Esse processo garante que ele esteja adaptado tanto ao esforço físico quanto às condições do gramado. Só depois disso é liberado para jogar, com segurança física e mental. O tempo exato varia conforme evolução individual, mas o processo é criterioso.

 

- Seria prudente que os clubes considerassem o tipo de gramado como um fator estratégico na prevenção de lesões? 

Sim, com certeza. Clubes com maior investimento tendem a ter mais cuidado com isso, pois seus atletas são ativos valiosos. No entanto, não há garantia de que exista uma ação coordenada entre os clubes para manter um padrão elevado de gramados no Brasil. O ideal seria seguir exemplos como da Premier League, onde todos os estádios mantêm padrão uniforme.

  

Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte - SBRATE


Dia Nacional de Combate ao Colesterol: 90% dos infartos poderiam ser evitados com prevenção eficaz, aponta cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

  

Infarto em homens jovens cresce no Brasil e desigualdade no atendimento cardiovascular afeta mulheres; especialista alerta para a urgência da mudança no estilo de vida

 

No Dia Nacional de Combate ao Colesterol, de agosto, o alerta é direto: alterações no colesterol constituem o principal fator de risco para infarto no Brasil. Segundo o Prof. Dr. Álvaro Avezum, Head do Centro Especializado em Cardiologia e Diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, 57% dos casos de infarto no país poderiam ser evitados com o controle adequado do colesterol. 

“Ao normalizarmos os níveis de colesterol da população, poderíamos evitar aproximadamente 240 mil infartos por ano”, afirma o especialista. O dado é reforçado por evidências do estudo INTERHEART, conduzido com participação brasileira, e pelo PURE (Population Urban and Rural Epidemiology), coordenados no Brasil pelo próprio Dr. Avezum. 

O estudo Pure acompanha 250 mil participantes em 27 países, e na América do Sul (incluindo Brasil) 25.000 participantes, entre 35 e 70 anos, de comunidades urbanas e rurais, com seguimento médio de 15 anos até agora. 

De acordo com o cardiologista, o infarto, que antes acometia principalmente homens na sexta década de vida, hoje já é comum a partir dos 30 anos. Entre os jovens, além dos fatores clássicos (tabagismo, hipertensão arterial, colesterol, diabetes, sedentarismo, estresse e depressão, obesidade abdominal e alimentação não saudável) o uso de substâncias para fins estéticos, como hormônios e anabolizantes, tem contribuído para a piora do perfil lipídico e aumento do risco cardiovascular. 

O colesterol é uma gordura encontrada em todas as células do corpo, necessário para a produção de hormônios, vitamina D e substâncias que ajudam na digestão dos alimentos. Os principais tipos de colesterol são:

• LDL (lipoproteína de baixa densidade): conhecido como colesterol "ruim", pode levar à aterosclerose, que é o cúmulo de placas de LDL nas paredes das artérias, o que causa obstrução do fluxo sanguíneo.

• HDL (lipoproteína de alta densidade): o colesterol "bom", ajuda a remover o LDL das artérias.

 

Estresse, hipertensão e desigualdade de gênero agravam o cenário

Outro fator alarmante é o estresse crônico, que, segundo o estudo INTERHEART, tem o maior impacto no Brasil entre os 52 países avaliados. "Cerca de 44% dos infartos poderiam ser evitados com o controle do estresse, especialmente quando relacionado à perda de emprego, morte na família, separação conjugal e instabilidade financeira", explica. 

A pressão alta, por sua vez, é considerada o fator de risco mais prevalente e negligenciado: 48% da população adulta brasileira é hipertensa, mas apenas 10% têm a pressão controlada. “A hipertensão é silenciosa, mas letal. É inaceitável que apenas uma minoria esteja efetivamente tratada quando a medicação está disponível, inclusive na rede pública”, afirma o médico. 

Dr. Álvaro Avezum também chama atenção para a subvalorização do infarto em mulheres. “Mulheres têm 40% menos chance de receber o tratamento adequado em comparação aos homens, mesmo quando apresentam os mesmos sintomas”, destaca. Apesar de infartarem menos, a mortalidade proporcional feminina é maior, já que as chegam aos serviços de saúde com quadros mais graves. 

Mesmo com mortalidade semelhante entre mulheres e homens, mulheres podem ser mais acometidas por algumas alterações e disfunções cardiovasculares. 

De acordo com dados da Estatística Cardiovascular - Brasil 2021, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, as queixas de dores do peito, que podem ter relação com doenças cardiovasculares e obstrução arterial foram mais predominantes nas mulheres do que nos homens em todos os estudos analisados.

 

Colesterol é peça central para evitar AVC, demência e câncer

A preocupação vai além do coração. Segundo o especialista, os mesmos fatores que causam infarto também estão associados ao AVC, insuficiência cardíaca, demência e até o câncer. “Ao controlar 10 fatores modificáveis, tabagismo, pressão alta, escolaridade baixa, obesidade abdominal, diabetes, força muscular reduzida, sedentarismo, consumo exagerado de álcool, alimentação não saudável e poluição, conseguimos evitar 70% de todas as mortes prematuras no Brasil”, diz. 

As diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) estabelecem que os valores ideais de colesterol total devem ser abaixo de 190 mg/dl e HDL acima de 40 mg/dl, sem diferenciação por pessoas de baixo, médio ou alto risco. Para o LDL, os valores variam conforme o risco cardiovascular: abaixo de 130 para risco baixo, abaixo de 100 para risco intermediário e abaixo de 70 para risco alto. 

A manutenção dos níveis de colesterol inclui a adoção de hábitos saudáveis, como praticar atividades físicas, dormir bem, se alimentar de forma saudável e evitar o tabagismo e comidas ultraprocessadas. Porém, em muitos casos, principalmente devido a fatores genéticos, o tratamento medicamentoso, acompanhado do especialista da saúde, é recomendado e necessário. 

A relação entre colesterol alto e AVC também é significativa: segundo Dr. Avezum, estima-se que 135 mil casos por ano poderiam ser evitados no país com prevenção e tratamento do colesterol elevado. Além disso, 60% dos casos de demência também estão associados a fatores de risco cardiovasculares modificáveis, como pressão alta, tabagismo, sedentarismo, obesidade, alimentação não saudável, e depressão.
 

Estilo de vida: a verdadeira medicina

Apesar do avanço das terapias, o grande desafio está na implementação do conhecimento existente. De acordo com o estudo PURE, 20% dos pacientes que tiveram infarto e 30% dos que sofreram AVC no Brasil não usam qualquer medicação após o evento. 

“Hoje, mais importante do que gerar novas evidências científicas é conseguir aplicar o que já sabemos. Isso envolve ações coordenadas entre a população, os profissionais de saúde e o sistema de saúde. Prevenir ainda é a forma mais eficiente de salvar vidas e conter os custos crescentes com doenças crônicas”, reforça o Dr. Avezum. 

No fim das contas, o especialista resume: “Não conseguimos evitar a morte, mas conseguimos reagendá-la. Prevenir é conquistar um late check-out da vida.”

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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OMS alerta para risco global de disseminação da Chikungunya. O Brasil lidera em número de casos e mortes.

Organização chama atenção para avanço internacional da doença transmitida pelo mosquito Aedes. 

 

Durante coletiva de imprensa em Genebra, a Organização Mundial de Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre risco iminente de disseminação global da Chikungunya. O Brasil liderou em número de infecções e mortes pela doença em 2024, segundo o epidemiológico de junho divulgado pela entidade. O cenário preocupa especialistas e reforça a necessidade de intensificação das ações de vigilância, diagnóstico e controle vetorial.  

De acordo com o Painel de Monitoramento das Arboviroses, preservado pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 117,3 mil casos prováveis de Chikungunya neste ano, 106 óbitos confirmados e 76 mortes em investigação. Em 2024 o índice foi maior, com 440 mil casos. A OMS insere a arbovirose como uma das principais emergências de saúde urbana em expansão no planeta.  

“A chikungunya deixou de ser um problema regional. A combinação entre urbanização desordenada, mudanças climáticas e falhas na vigilância tornam o cenário ideal para a propagação global do vírus”, afirma o Dr. Klinger Soares Faíco Filho, médico infectologista, professor da UNIFESP e CEO da plataforma  de educação médica InfectoCast. 

O CDC - Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos listou o Brasil ao lado de Colômbia, Índia, México, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Tailândia, como países com risco elevado da doença, além de emitir um alerta de viagem recomendando que seus cidadãos não visitem a província de Guangdong, na China. 

A Organização Mundial de Saúde observa atentamente os sinais e expansão da doença para evitar o mesmo surto de Chikungunya entre 2004 e 2005, onde a epidemia se expandiu pelo Oceano Índico, atingindo várias ilhas.  

A Febre Chikungunya é causada por um vírus transmitido pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, manchas vermelhas e fortes dores articulares, que podem persistir por meses, causando quadros de artrite pós-viral. Há também registros crescentes de complicações neurológicas e óbitos associados. 

“Um dos grandes desafios clínicos é diferenciar Chikungunya de Dengue e Zika nos primeiros dias. Isso exige capacitação e diagnóstico laboratorial adequado, que nem sempre está disponível em áreas mais afetadas”, reforça Dr. Klinger Faíco.

 

Razões para o alerta global:

  • Mudanças climáticas, que ampliam a área de circulação do vetor; 
  • Alta densidade urbana, sem controle efetivo de criadouros;
  • Mobilidade internacional de pessoas infectadas;
  • Ausência de vacina licenciada em larga escala;
  • Baixa capacidade de resposta rápida em áreas vulneráveis. 
No Brasil, os estados do Nordeste concentram os maiores números. Pernambuco foi o estado com mais notificações, com mais de 70 mil casos prováveis só em 2024. 

Sem vacina implantada no SUS até o momento, a prevenção depende principalmente do controle do mosquito vetor e da adoção de medidas comunitárias. A OMS recomenda: 

  • Eliminação de criadouros, uso de repelentes e telas de proteção física;
  • Capacitação contínua dos profissionais de saúde;
  • Fortalecimento da vigilância integrada com outras arboviroses;
  • Estímulo à pesquisa e inovação no controle vetorial. 

No Brasil, uma das principais iniciativas nesse sentido é o uso da tecnologia da bactéria Wolbachia para reduzir a capacidade de transmissão dos vírus por mosquitos Aedes aegypti. Em julho de 2025, o Ministério da Saúde anunciou a inauguração da maior biofábrica de Wolbachia do mundo, em Belo Horizonte (MG), com capacidade de liberar mosquitos tratados em larga escala. A previsão é beneficiar até 9 milhões de pessoas em 37 municípios brasileiros com essa abordagem inovadora nos próximos anos. 

“Essa é uma estratégia promissora porque atua na raiz do problema: o vetor. Mas é fundamental que venha acompanhada de vigilância qualificada e engajamento da população”, avalia Dr. Klinger Soares Faíco Filho.

  

Dr. Klinger Faíco - médico infectologista com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Infectologia. Doutor em Infectologia pela UNIFESP e MBA em Gestão em Saúde, atua com foco no diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas, incluindo HIV, hepatites virais e IST’s. Além disso, o infectologista é CEO da plataforma de educação médica InfectoCast, professor universitário da UNIFESP, fundador e consultor em controle de infecção hospitalar na Consultoria IRAS.


Bom e ruim: endocrinologista do Seconci-SP explica a diferença entre os colesteróis

Níveis de gordura elevam risco de entupimento de artérias, o que pode provocar infarto e AVC

 

Há dois tipos de colesterol: o bom e o ruim. É o que diz Giovanna Prianca, endocrinologista, do Seconci-SP (Serviço Social da Construção). Nos exames de sangue, eles são representados pelas siglas HDL e LDL.

 

A especialista explica que o LDL, traduzido do inglês Lipoproteína de Baixa Densidade, é o ruim, pois pode provocar acúmulo de placas de gordura nas artérias. Já o HDL, Lipoproteína de Alta Densidade, retira o excesso de gordura do sangue e envia para o fígado, onde é metabolizado e, depois, expelido.

 

“Quando há discrepância entre esses dois tipos, com aumento do LDL, a pessoa desenvolve dislipidemia, o chamado colesterol alto, caracterizado pelo excesso dessa substância no sangue”, conta a especialista. O acúmulo de placas de gordura no sangue eleva o risco de entupimento de artérias, o que pode provocar infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral).

 

De acordo com Prianca, o colesterol alto é assintomático. “Por isso é importante o acompanhamento médico. Uma vez detectado o problema em exame de sangue, o médico entrará com a medicação”, completa.

 


Prevenção


O colesterol alto pode ser evitado com alimentação saudável, o que inclui a ingestão de legumes, frutas, peixes e alimentos com gorduras boas, como nozes, abacate e ovos. Se possível, evitar excesso de carnes vermelhas, pele de frango, frituras e gorduras animais, assim como alimentos industrializados, bolachas e biscoitos.

 

É importante também realizar exercícios físicos regularmente e evitar o tabagismo, já que as substâncias do cigarro lesionam os vasos sanguíneos, reduzem o colesterol bom e aumentam o ruim. 

De acordo com o Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são a primeira causa de mortalidade no Brasil, com cerca de 210 mil óbitos por ano. A PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) aponta que aproximadamente 14% da população brasileira, a partir dos 18 anos, relataram ter diagnóstico de colesterol alto.

 

Identifique os sinais de que o seu filho precisa usar óculos

A campanha “Abra os Olhos para a Miopia Infantil”,
 da ZEISS Vision Brasil, tem o objetivo de conscientizar

sobre a alta prevalência e os impactos negativos da
 miopia no dia a dia e no futuro das crianças.

(Imagem: ZEISS)
Pais devem ficar atentos ao comportamento das crianças,
pois nem sempre elas se queixam de que não enxergam bem

 

A saúde dos olhos dos pequenos é fundamental, tanto para o desenvolvimento escolar quanto social. Problemas de visão impedem o aproveitamento das aulas, prática de esportes e podem, até, ser motivo de bullying. Para evitar tudo isso, é necessário levar a criança ao oftalmologista desde cedo, mesmo que ela pareça enxergar bem. Um exame oftalmológico pode identificar, entre outras doenças, erros de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo), os quais exigem o uso de óculos.


 As proporções epidêmicas da miopia
 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que, até 2050, a miopia irá atingir metade da população mundial, ou seja, cerca de 4,7 bilhões de pessoas. A alta miopia (maior que 5 graus), que pode levar à perda da visão, atingirá 10% da população mundial. As estimativas incluem as crianças, que têm manifestado esse distúrbio visual cada vez mais cedo, o que aumenta o risco do desenvolvimento de alta miopia.
 

Um estudo do British Journal of Ophthalmology revela que uma em cada três crianças tem miopia ou dificuldade para ver de longe. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), 30% das crianças em idade escolar têm problemas de visão, sendo a miopia o principal deles. Quanto mais precoce a detecção do distúrbio, menores as chances de complicações futuras.

 

Como suspeitar 

O modo como as crianças se portam é a chave para identificar se elas precisam de óculos para corrigir algum erro de refração. Nem sempre elas têm essa percepção, portanto, não verbalizam o problema. Muitas vezes, elas acreditam que a maneira como enxergam é “normal”. 

Leve a criança ao oftalmologista se você observar alguns dos seguintes comportamentos e queixas:

  1. Tem dificuldade em acompanhar as linhas do texto durante leituras, pulando ou repetindo palavras. Ela também pode confundir as letras.
  2. Mostra desinteresse por atividades que exigem esforço visual, como leitura e desenho
  3. Reclama com frequência de dores de cabeça
  4. Pisca excessivamente ou costuma esfregar os olhos
  5. Aproxima demais o rosto de livros, cadernos e telas (televisão, computador, tablets, smartphones)
  6. Não copia conteúdos corretamente da lousa
  7. Não tem um bom desempenho em atividades esportivas e brincadeiras
  8. Apresenta queda no desempenho escolar
  9. Inclina a cabeça, franze a testa, aperta os olhos ou fecha um dos olhos para enxergar
  10. Esbarra em móveis ou tropeça constantemente
  11. Tem dificuldade em reconhecer pessoas de longe
  12. Se sente insegura em explorar novos ambientes

Vale ressaltar que a primeira avaliação ocular da criança acontece na maternidade, com o teste do olhinho. A primeira consulta oftalmológica deve ter início entre seis meses e um ano de idade. Depois disso, os pais devem levar os filhos regularmente para a realização de testes de visão - de preferência uma vez por ano, independentemente da apresentação de sinais e sintomas de doenças oftálmicas.

 

ZEISS Vision lança campanha para conscientizar pais sobre a miopia infantil 

A ZEISS Vision lançou a campanha “Abra os Olhos para a Miopia Infantil” com o objetivo de conscientizar pais, educadores e a sociedade em geral sobre a alta prevalência desse distúrbio visual e os seus impactos negativos no dia a dia e no futuro das crianças. A nova campanha visa fornecer informações essenciais, desmistificar conceitos e incentivar a adoção de hábitos saudáveis para a saúde ocular infantil, como a ida regular ao oftalmologista 

“Esse é um tema recente que cresceu aos poucos e ficou mais evidente após a pandemia, mas a conversa sobre tratamento, diagnóstico e prevenção ainda é muito embrionária. Vemos muitos casos, relatados por médicos, de crianças que perdem interesse pelos estudos ou vida social por não serem corretamente diagnosticadas”, diz Paula Queiroz, diretora de marketing e produtos da ZEISS Vision Brasil.

 

Lentes de óculos de alta tecnologia diminuem a progressão da miopia 

Para desacelerar a progressão da miopia em crianças, existem tratamentos de alta tecnologia, como as lentes ZEISS MyoCare. “Elas foram pensadas para reduzir e controlar a progressão da miopia através da tecnologia C.A.R.E., cujos elementos refrativos anulares cilíndricos, localizados na superfície frontal da lente, possibilitam a alternância entre zonas de desfocagem e correção, retardando o alongamento do globo ocular, responsável pela miopia. Esse design é imperceptível durante o uso e a tecnologia proporciona visão nítida recomendamos as lentes ZEISS MyoCare, para a faixa de 6 a 10 anos, e ZEISS MyoCare S, para 10 a 17 anos. Somos a única empresa no mercado com lentes específicas para cada faixa etária”, explica Paula.


Dor no ombro pode esconder luxação acromioclavicular

 

Freepik
IA

Dor no ombro pode esconder luxação acromioclavicular

 

Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC) explica condição, muitas vezes subestimada ou confundida

 

A dor na parte superior do ombro, especialmente após uma queda ou pancada, pode ser sinal de uma luxação chamada acromioclavicular. Embora o nome seja complicado, o problema é mais comum do que se imagina, principalmente entre pessoas que praticam esportes de contato, ciclistas, motociclistas ou vítimas de acidentes domésticos e de trânsito. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), esse tipo de luxação precisa de atenção, diagnóstico correto e, em alguns casos, cirurgia para evitar complicações futuras. 

A articulação acromioclavicular fica no alto do ombro, onde a clavícula se encontra com o osso do ombro (acrômio). Essa pequena articulação é fundamental para que o braço se movimente bem. Quando há uma luxação ali, o paciente sente dor, dificuldade para levantar o braço e, nos casos mais graves, é possível até ver uma “saliência” no ombro. 

É uma articulação pequena, mas com um papel muito importante. Quando lesionada, pode atrapalhar atividades simples do dia a dia, como se vestir, pentear o cabelo ou carregar uma sacola. Por isso, é essencial procurar ajuda médica se houver dor ou trauma no ombro”, explica o presidente da SBCOC, Dr. Marcelo Campos. 

O problema costuma aparecer após uma queda direto sobre o ombro ou uma pancada forte, como as que acontecem em esportes como futebol, lutas, ciclismo e mountain bike. A dor intensa, inchaço, dificuldade de movimentar o braço e, em alguns casos, uma deformidade visível são sinais de alerta. O diagnóstico é feito por exame físico e confirmado com raio-X ou ressonância magnética, dependendo do caso. 

Existem diferentes graus de luxação, desde os mais leves até os mais graves. Nos casos mais simples, o tratamento pode ser feito com repouso, tipoia, remédios e fisioterapia. Já nas lesões mais sérias, pode ser necessário fazer uma cirurgia para reposicionar e estabilizar a articulação”, explica o ortopedista. 

A boa notícia é que, com os avanços na medicina, a cirurgia hoje pode ser feita com técnicas menos invasivas, que reduzem o tempo de recuperação e as chances de complicações. Mas o sucesso do tratamento depende muito da reabilitação. “Fazer fisioterapia com orientação profissional é essencial para recuperar os movimentos, a força e voltar à rotina sem dor”, reforça o presidente da SBCOC. 

Outro ponto importante é não ignorar os sintomas. “Muita gente acha que a dor vai passar sozinha e demora a procurar atendimento. Isso pode agravar o quadro e dificultar o tratamento. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, melhor será a recuperação”, alerta Campos. 

A SBCOC também chama atenção para os cuidados que podem ajudar a prevenir esse tipo de luxação. Entre eles estão o fortalecimento dos músculos do ombro, a prática de atividades físicas com orientação adequada e o uso de equipamentos de proteção em esportes ou profissões de risco. “A prevenção é sempre o melhor caminho. Mas, se a luxação acontecer, o importante é buscar um especialista para garantir o tratamento certo e evitar limitações futuras”, finaliza. 




Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo - SBCOC


Impactos do Estresse Digital: quando é preciso parar para restaurar o saudável

Silenciar as notificações, pausar o fluxo constante de informações e desacelerar a mente para conectar-se com o que realmente é essencial

 

“Estar online” na vida atual deixou de ser escolha — virou rotina. O acesso fácil a celulares com internet e à proliferação das redes sociais, tornam quase impossível escapar da exposição a um volume excessivo de informações- muitas delas imprecisas ou falsas- o que torna o acesso a orientações e fontes confiáveis um desafio. O termo popular “viralizou” remete à forma rápida e incontrolável como se multiplicam e se propagam, podendo gerar confusão, desinformação e impactos reais nas vidas das pessoas. 

O aumento do tempo conectados pode prejudicar não apenas a saúde emocional, mas também nossa relação com o tempo e conosco mesmos. E o preço pode ser alto: ansiedade, dificuldade de concentração, insônia, irritabilidade e até sintomas depressivos. 

O excesso de estímulos digitais compromete a capacidade de concentração e recuperação do cérebro.”, explica a psiquiatra Dra. Rafaela Silva, gerente médica da Lundbeck Brasil. “Todos querem um bom lugar ao sol, mas também precisaremos lidar com nossas próprias sombras. A comparação constante com a vida dos outros, tão presente nas redes sociais, por vezes rouba o espaço do autoconhecimento. Saber prezar pelo silêncio mental e reservar um período para desconectar-se digitalmente são necessidades legítimas.”

Segundo ela, o simples ato de acordar e já pegar imediatamente o celular prejudica um momento precioso para restaurar nossa homeostase-que corresponde à capacidade do organismo de manter um ambiente interno estável e equilibrado. “Evite pegar o celular nos primeiros minutos do dia. Em vez disso, priorize atividades essenciais e tente conectar-se lentamente com você mesmo e com o ambiente, respirar, sentir o corpo e estar presente.”  

A preparação para o sono também é fundamental. Uma dica prática: antes de se deitar, desconecte-se pelo menos duas horas antes e anote o que planeja fazer no dia seguinte. Isso pode ajudar a reduzir a ansiedade e preparar o cérebro para o descanso, com uma noite mais tranquila. 

No ambiente corporativo, a sobrecarga digital tornou-se corriqueira. O modelo híbrido de trabalho, embora traga flexibilidade, também facilitou o aumento de notificações e mensagens, reuniões sequenciais e a diluição dos limites entre o horário pessoal e o profissional, o que pode resultar em um esgotamento crescente. “Mais do que sugestões de bem-estar, precisamos promover uma cultura institucional que valoriza cuidado com a saúde e o equilíbrio emocional e cognitivo”, reforça Alba Eiras, Diretora de Pessoas e Comunicação da Lundbeck Brasil.
 

Algumas práticas que podem ser benéficas:

  • Durante o trabalho, concentre-se em uma tarefa por vez. Sempre que possível, desative notificações ou ative o modo avião no celular para reduzir distrações.
  • Estabelecer horários específicos para checar e-mails e mensagens.
  • Promover momentos offline — principalmente durante as férias — e respeite seu tempo de descanso.
  • Para que isso seja possível, tente evitar autocrítica excessiva.


A saúde do cérebro depende de pausas reais. Reconhecer os sinais do estresse digital e buscar momentos de reconexão são passos essenciais para viver com mais equilíbrio e bem-estar.


Uso excessivo de corticoides pode antecipar a catarata, alerta especialista

Além do envelhecimento natural, o uso prolongado de medicamentos como corticoides e antidepressivos está entre os fatores que aceleram o surgimento da doença ocular, inclusive em pessoas jovens 


Você sabia que a catarata não é um problema exclusivo da terceira idade? Apesar de ser mais comum com o passar dos anos, a doença também pode surgir mais cedo do que se imagina — e o uso prolongado de certos medicamentos, como os corticoides, pode ser um dos motivos. O oftalmologista Dr. Ivan Corso Teixeira, especialista em cirurgia de catarata do H.Olhos, Hospital de Olhos da Rede Vision One, explica que a forma mais frequente da doença é a catarata senil, provocada pelo envelhecimento natural do cristalino, uma lente transparente que temos dentro dos olhos. “Com o passar dos anos, o cristalino vai ficando mais denso e opaco, o que leva à perda progressiva da transparência e da visão”, afirma o médico. 

No entanto, ele alerta que a catarata não é exclusividade dos idosos. “O uso prolongado de corticoide pode causar catarata, inclusive em jovens e até mesmo em crianças. Pacientes que utilizam doses elevadas e contínuas, como transplantados ou pessoas com alergias graves, estão mais suscetíveis ao problema”, diz o médico do H.Olhos. Segundo o especialista, o corticoide é a principal causa da chamada catarata medicamentosa, um tipo da doença causada diretamente por remédios. 

Outras substâncias também estão associadas ao desenvolvimento da catarata, embora com menor frequência. “Além dos corticoides, algumas classes de antidepressivos — como os tricíclicos — e antipsicóticos do grupo dos fenotiazínicos têm alguma relação com o surgimento da catarata. Também podemos citar a amiodarona, que é um antiarrítmico, e os fibratos, medicamentos usados para baixar o nível de triglicérides”, detalha o Dr. Ivan. 

Mesmo diante desses riscos, o médico destaca que nem todos que usam esses medicamentos necessariamente desenvolverão catarata. “O risco existe, mas não é uma sentença. O acompanhamento médico e o uso responsável são fundamentais”, orienta o especialista do H.Olhos. 

Para quem deseja adiar ao máximo o surgimento da catarata, a dica é investir em um estilo de vida saudável. “Não existe um tratamento preventivo específico. A melhor forma de adiar o aparecimento da catarata é manter uma alimentação equilibrada, proteger os olhos da exposição solar e evitar o tabagismo, que tem efeito oxidativo e está relacionado ao aumento da incidência da doença”, alerta Corso. 

O médico ainda chama atenção contra falsas promessas: “Não há comprovação científica de medicamentos ou suplementos que inibam o crescimento da catarata, apesar da grande oferta desses produtos na internet”, comenta o Dr. Ivan. 

A cirurgia é o único tratamento eficaz e é indicada sempre que os sintomas passam a interferir na qualidade de vida. “A partir do momento em que o paciente nota uma perda de nitidez ou baixa de visão que impacta suas atividades diárias, a cirurgia já está recomendada. Hoje, com os avanços da técnica, realizamos o procedimento de forma muito mais precoce do que há algumas décadas”, afirma o oftalmologista. 

O Dr. Ivan também lembra que, atualmente, a cirurgia é indicada até mesmo em pacientes que ainda não desenvolveram a catarata, mas que possuem um grau alto e desejam se livrar dos óculos. “Hoje já é permitido, no Brasil, operar pacientes acima dos 55 anos com o objetivo de implantar uma lente intraocular para corrigir o grau, mesmo que eles ainda não tenham catarata formada”, discorre o especialista em cirurgia de catarata. 

Além de manter hábitos saudáveis e ficar atento ao uso prolongado de medicamentos, é fundamental fazer consultas regulares com o oftalmologista — mesmo que não haja sintomas aparentes. “A catarata se desenvolve de forma lenta e muitas vezes silenciosa. Por isso, o ideal é passar por uma avaliação oftalmológica ao menos uma vez por ano, especialmente a partir dos 40 anos, ou antes disso, caso haja histórico familiar ou uso contínuo de remédios como os corticoides”, finaliza o Dr. Ivan Corso, especialista em cirurgia de catarata do H.Olhos, Hospital de Olhos da Rede Vision One.

 

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