Neurologista Matheus Trilico, referência nacional em adultos com TDAH e autismo, explica como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade impacta a memória, as diferenças entre homens e mulheres, a influência da idade e dá dicas para minimizar os efeitos no dia a dia.
Perder objetos, esquecer compromissos ou não lembrar detalhes importantes são situações comuns para quem convive com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na fase adulta. Porém, esses episódios que podem parecer “apenas esquecimentos” na rotina, refletem desafios reais no funcionamento do cérebro.
“O TDAH não afeta diretamente a memória no sentido tradicional, como acontece em quadros de demência, por exemplo. O que ocorre é uma falha na atenção sustentada, que prejudica o processo de codificação da informação e isso dá a sensação de ‘esquecimento”, explica o neurologista Dr. Matheus Trilico.
De acordo com o neurologista, existem três tipos principais de memória: de trabalho, de curto prazo e de longo prazo. Em pacientes com TDAH, a memória de trabalho, usada para manter informações temporárias em mente, é a mais afetada.
“Imagine tentar lembrar um número de telefone
enquanto alguém te interrompe com outra informação? Esse tipo de desafio é
constante para quem tem TDAH”, exemplifica Trilico.
Diferenças entre homens e
mulheres
O impacto do TDAH na memória pode variar entre
gêneros. “Homens apresentam sintomas mais evidentes de hiperatividade e
impulsividade, que prejudicam a concentração e organização. Já as mulheres
tendem a ter sintomas mais sutis e internalizados, como desatenção e distração,
o que pode atrasar o diagnóstico e tornar o prejuízo na memória mais
silencioso, mas igualmente significativo”, explica o neurologista.
Influência da idade
À medida que o adulto com TDAH envelhece, os
desafios na memória podem se intensificar, principalmente se o transtorno não
for tratado. “O envelhecimento natural já reduz a capacidade de memória, e o
TDAH potencializa essas dificuldades”, alerta Dr. Trilico.
Quando procurar ajuda
Se os esquecimentos passam a interferir no
trabalho, nas relações pessoais ou nas atividades diárias, é fundamental buscar
avaliação especializada para diagnóstico correto e intervenções adequadas.
“O diagnóstico tardio é comum, e muitas pessoas só
descobrem o TDAH na idade adulta, ao investigarem problemas como baixa
produtividade, dificuldades de memória ou quadros depressivos”, acrescenta o
neurologista.
Dicas para lidar com as
dificuldades de memória no TDAH
- Use
lembretes digitais, como alarmes e agendas eletrônicas;
- Faça
listas para organizar as tarefas do dia;
- Mantenha
objetos pessoais sempre no mesmo lugar
- Pratique
técnicas de atenção plena (mindfulness) para melhorar o foco;
- Divida
tarefas grandes em pequenas etapas para facilitar o acompanhamento;
- Busque
acompanhamento multidisciplinar: neurologista, psicólogo e terapeuta
ocupacional.
“O cérebro de quem tem TDAH funciona de maneira
diferente, mas isso não significa que é menos capaz. Com diagnóstico correto e
suporte adequado, é possível minimizar as dificuldades e viver com mais leveza
e autonomia”, conclui o neurologista Matheus Trilico.
Dr. Matheus Luis Castelan Trilico - CRM 35805PR,
RQE 24818.
- Médico
pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA);
- Neurologista
com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do
Paraná (HC-UFPR);
- Mestre
em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR
- Pós-graduação
em Transtorno do Espectro Autista
Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser
vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/
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