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terça-feira, 14 de outubro de 2025

Reajuste das mensalidades escolares preocupa famílias e desafia escolas: como se preparar para 2026

Enquanto a inflação anual gira em torno de 4,8%, os reajustes médios nas mensalidades escolares ultrapassam 9%. Especialista comenta a alta e orienta pais sobre como se planejar e negociar com as instituições.
 

Com o fim do ano se aproximando, um tema volta a ocupar as conversas entre pais: quanto custará a escola das crianças em 2026? O reajuste médio das mensalidades escolares para o próximo ano deve girar em torno de 9% a 10%, quase o dobro da inflação oficial, que hoje está em 4,8%. A diferença, que causa apreensão nas famílias, tem explicação e um lado pouco conhecido da história.

“Quando o número é alto, as escolas também sofrem. Não é do interesse de ninguém aplicar reajustes abusivos. A perda de alunos e a desconfiança das famílias afetam diretamente a sustentabilidade de uma instituição”, afirma Mariana Ruske, idealizadora e diretora da Senses Montessori School, localizada em São Paulo e especializada na primeira infância.

Segundo ela, definir o valor da mensalidade do ano seguinte é um processo complexo e de longo prazo. “As escolas precisam prever o cenário econômico de mais de um ano à frente. Essa decisão é tomada ainda em setembro, e o valor precisa sustentar todas as contas até dezembro do ano seguinte. Salários, dissídios, impostos, alimentação, manutenção, investimentos pedagógicos tudo precisa estar previsto. Um erro nessa conta e o caixa não fecha”, explica.

Enquanto famílias têm flexibilidade para ajustar o orçamento mês a mês, as escolas precisam operar com previsibilidade. “É como guiar um navio. O ajuste precisa ser feito muito antes de a embarcação mudar de direção. Não sabemos quantos alunos novos teremos, quantos sairão, como estará o desemprego ou a cotação do dólar, e ainda assim precisamos fechar os números com antecedência”, diz Mariana.

Outro ponto importante é que o IPCA, índice usado para medir a inflação oficial, não reflete o custo real da educação. “O IPCA mede alimentos, vestuário e transporte, mas não o valor de manter uma escola. Nosso maior custo é humano. E é justo que professores motivados, preparados e bem remunerados façam parte do investimento que as famílias escolhem para os filhos”, complementa.

Para 2025, a Senses Montessori School adotou uma política de valores congelados para famílias que anteciparam a rematrícula até setembro e reajuste de 4% na tabela geral, abaixo da média nacional. “Foi uma decisão estratégica. Antecipar as matrículas nos ajuda a manter um relacionamento transparente e de confiança com as famílias. As que se organizam com antecedência se beneficiam e ainda garantem vaga. Já quem deixa para o fim do ano corre o risco de não encontrar disponibilidade”, conta.

A diretora reforça que a organização financeira e o diálogo são fundamentais para lidar com os reajustes. “O ideal é que as famílias se planejem com antecedência, avaliem as opções e conversem com as escolas. Negociar é legítimo, mas é importante entender que educação não é um custo, é um investimento no desenvolvimento e na segurança emocional das crianças.”

Mariana também alerta para o risco de escolher escolas com valores muito abaixo do mercado. “A matemática é simples: se a receita é baixa, os salários e investimentos também serão. Não há como esperar qualidade pedagógica e estrutura com recursos limitados. Escolher a escola é, acima de tudo, escolher em quem confiar e confiança se constrói com coerência e transparência.”

A educadora defende que o diálogo entre pais e escolas deve ser de parceria, não de oposição. “Estamos todos no mesmo barco. Famílias e educadores enfrentam o mesmo cenário econômico. O caminho está na antecipação, no planejamento e na confiança mútua. Educação é uma jornada longa e exige consistência tanto financeira quanto emocional.”

 

Mariana Ruske - Pedagoga da Senses Montessori School. Palestrante e ativista, dedica-se a disseminar informações sobre a proteção infantil contra abuso e violência. Defende que a educação infantil é a base do futuro e vê na Pedagogia Científica de Maria Montessori a ferramenta ideal para um desenvolvimento integral.


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