Professores explicam a importância da disciplina, habilidades exigidas no exame, principais temas recorrentes e estratégias de estudo para a reta final
A química aparece na prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), contando com cerca de 13 a 15 questões. É uma disciplina distante do dia a dia das pessoas comuns, e considerada difícil por parte dos estudantes, mas fundamental para aqueles que desejam usar a nota do exame para acessar a universidade ou bolsas de estudos.
“A química é a ciência que estuda a composição, transformação e propriedades da matéria, servindo de base para áreas como saúde, meio ambiente e tecnologia”, diz Felipe Silva, docente da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo/SP. “Hoje, mais do que decorar fórmulas, entende-se a química como ferramenta para resolver problemas reais, como tratamento de água e desenvolvimento de novos materiais”, afirma o professor.
Segundo o docente da Aubrick, as
maiores barreiras encontradas pelos estudantes no Enem quando se trata da
química são a linguagem simbólica (fórmulas e equações), a interpretação de
textos e gráficos e o volume de conteúdos interligados, que exigem raciocínio
lógico e conexão entre diferentes tópicos.
Habilidades cobradas e estrutura das
questões
As perguntas de Química no Enem são em sua
maioria contextualizadas: apresentam um problema real com dados compilados em
tabelas, gráficos, ilustrações e diagramas e exigem que o aluno interprete
informações e aplique conceitos para chegar à resposta correta.
“Espera-se do estudante a capacidade de interpretação crítica para identificar premissas e variáveis, além do domínio de cálculos básicos, raciocínio lógico e proporcional e análise de dados quantitativos e qualitativos”, explica Hendrik Dillan, professor da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri/SP. “Além de memorização, são avaliadas habilidades cognitivas de alto grau como resolução de problemas, análise de dados, argumentação e pensamento sistêmico”, reforça.
Os 10 temas mais recorrentes de química no
Enem
Embora o Enem
diversifique os temas a cada edição, alguns conteúdos são recorrentes. A
docente do Brazilian International School - BIS, de São Paulo/SP,
Jaqueline Jeremias, elenca abaixo 10 temas que costumam ter mais incidência na
prova.
- Funções
inorgânicas: identificação e
propriedades de ácidos, bases, sais e óxidos;
- Estequiometria: cálculos de reagentes e produtos em
reações químicas;
- Óxidos e ligação
química: tipos de ligações
e suas influências nas propriedades das substâncias;
- Ácidos e bases: Escala de pH, reações de neutralização de
Arrhenius e Bronsted-Lowry;
- Química orgânica
básica: funções
orgânicas (álcoois, ésteres, carboidratos) e nomenclatura;
- Termoquímica: entalpia, calor de reação e aplicação em
processos energéticos;
- Equilíbrio
químico: constantes de
equilíbrio e deslocamento de Le Châtelier;
- Soluções e
concentrações: preparo de
soluções, concentração em massa e molaridade;
- Físico-química de
gases: leis dos gases
ideais e transformações gasosas;
- Eletroquímica: pilhas, eletrólise e aplicações
tecnológicas.
“Esses temas são recorrentes porque reúnem os
fundamentos da química que ajudam o estudante a interpretar situações do cotidiano,
questões ambientais, processos industriais e até temas interdisciplinares com
biologia e física. Por isso, dominar esses conteúdos aumenta significativamente
as chances de um bom desempenho no Enem”, explica a professora do BIS.
Dicas para a reta final antes da prova
Na reta final, foco e estratégia fazem diferença. Victor Abrão, docente do colégio Progresso Bilíngue, de Santos/SP, elenca as recomendações abaixo para ajudar os candidatos nos estudos:
Resolva provas antigas e simulados: cronometrar o tempo
de prova real ao fazer simulações ajuda o aluno a ganhar agilidade e
acostumar-se ao estilo das questões;
Crie mapas mentais e quadros-resumo: agrupando conceitos,
fórmulas e reações-chaves, o cérebro fixa melhor o conteúdo;
Pratique exercícios de interpretação: foque em gráficos,
tabelas e textos para fortalecer a leitura crítica;
Estabeleça um ciclo de revisão: revisite cada tema em
intervalos regulares para fixar conteúdos de forma espaçada;
Estude em grupo: discutir dúvidas e
explicar conceitos com outros estudantes acelera a consolidação do aprendizado.
“Mais do que estudar por muitas horas, o que faz
a diferença nessa fase é a qualidade da revisão. Ter um plano estruturado,
revisar de forma ativa e manter a tranquilidade são atitudes que potencializam
o desempenho e ajudam o estudante a chegar mais confiante no dia da prova”,
afirma o docente do colégio Progresso Bilíngue.
O Enem
A prova foi criada pelo Ministério da Educação em
1998, para avaliar o desempenho dos estudantes brasileiros ao final da educação
básica. Com o passar dos anos, o Enem teve sua metodologia aperfeiçoada e
atualmente é requisito obrigatório para acesso a programas educacionais como o
Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni)
e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Este ano, as provas serão aplicadas nos dias 09 e
16 de novembro, dois domingos seguidos. No primeiro dia de prova, os alunos
realizarão as questões das áreas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
(compreende Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira/Inglês ou
Espanhol, Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação) e
Redação; e Ciências Humanas e suas Tecnologias (compreende História, Geografia,
Filosofia e Sociologia).
No segundo dia, as provas serão de Ciências da
Natureza e suas Tecnologias (compreende Química, Física e Biologia) e
Matemática e suas Tecnologias. O certame registrou mais de 5,5 milhões de
inscrições, de acordo com o Ministério da Educação – número que supera a edição
anterior de 2024, com aumento de 8% no número de inscritos.
Jaqueline Jeremias - Formou-se como melhor aluna do curso de química da sua turma da USP e possui pós-graduação em gestão escolar pela PUC-SP. Já lecionou química, prática científica e projeto de vida. Tem formação de educadora maker, participou de congressos como escola parceira da UNESCO (rede PEA) e tem experiência com edição de material didático, preparação e organização de olimpíadas científicas e gravação de aulas em estúdio. Hoje, trabalha com o currículo nacional (BNCC) com educação bilíngue em escolas internacionais.
Hendrik Dillan Ferreira Ribeiro - professor de química e ciências da natureza na Escola Internacional de Alphaville. É licenciado em Química pela Universidade de São Paulo (USP). Possui experiência em diferentes instituições de ensino, atuando na educação básica com currículos nacionais e internacionais (BNCC, IB-MYP e IB-Diploma). Foi premiado com o Lavoisier, oferecido pelo CRQ/SP; e é medalhista da OBMEP. Interessado em práticas pedagógicas inovadoras, sustentabilidade, ciência e ética, dedica sua trajetória a inspirar estudantes por meio da investigação científica e do desenvolvimento crítico e responsável.
Victor Abrão de Araujo - possui graduação em Química pela UNESP e mestrado em Química pela UNICAMP. É professor do Colégio Progresso Bilíngue, em Santos-SP.



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