Pesquisar no Blog

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Química no Enem: saiba o que cai na prova e dicas para gabaritar

Professores explicam a importância da disciplina, habilidades exigidas no exame, principais temas recorrentes e estratégias de estudo para a reta final


A química aparece na prova de Ciências da Natureza e suas Tecnologias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), contando com cerca de 13 a 15 questões. É uma disciplina distante do dia a dia das pessoas comuns, e considerada difícil por parte dos estudantes, mas fundamental para aqueles que desejam usar a nota do exame para acessar a universidade ou bolsas de estudos.

“A química é a ciência que estuda a composição, transformação e propriedades da matéria, servindo de base para áreas como saúde, meio ambiente e tecnologia”, diz Felipe Silva, docente da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo/SP. “Hoje, mais do que decorar fórmulas, entende-se a química como ferramenta para resolver problemas reais, como tratamento de água e desenvolvimento de novos materiais”, afirma o professor.

Segundo o docente da Aubrick, as maiores barreiras encontradas pelos estudantes no Enem quando se trata da química são a linguagem simbólica (fórmulas e equações), a interpretação de textos e gráficos e o volume de conteúdos interligados, que exigem raciocínio lógico e conexão entre diferentes tópicos.



Habilidades cobradas e estrutura das questões
 

As perguntas de Química no Enem são em sua maioria contextualizadas: apresentam um problema real com dados compilados em tabelas, gráficos, ilustrações e diagramas e exigem que o aluno interprete informações e aplique conceitos para chegar à resposta correta.

“Espera-se do estudante a capacidade de interpretação crítica para identificar premissas e variáveis, além do domínio de cálculos básicos, raciocínio lógico e proporcional e análise de dados quantitativos e qualitativos”, explica Hendrik Dillan, professor da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri/SP. “Além de memorização, são avaliadas habilidades cognitivas de alto grau como resolução de problemas, análise de dados, argumentação e pensamento sistêmico”, reforça.


 

Os 10 temas mais recorrentes de química no Enem
 


Embora o Enem diversifique os temas a cada edição, alguns conteúdos são recorrentes. A docente do Brazilian International School - BIS, de São Paulo/SP, Jaqueline Jeremias, elenca abaixo 10 temas que costumam ter mais incidência na prova.

  1. Funções inorgânicas: identificação e propriedades de ácidos, bases, sais e óxidos;
  2. Estequiometria: cálculos de reagentes e produtos em reações químicas;
  3. Óxidos e ligação química: tipos de ligações e suas influências nas propriedades das substâncias;
  4. Ácidos e bases: Escala de pH, reações de neutralização de Arrhenius e Bronsted-Lowry;
  5. Química orgânica básica: funções orgânicas (álcoois, ésteres, carboidratos) e nomenclatura;
  6. Termoquímica: entalpia, calor de reação e aplicação em processos energéticos;
  7. Equilíbrio químico: constantes de equilíbrio e deslocamento de Le Châtelier;
  8. Soluções e concentrações: preparo de soluções, concentração em massa e molaridade;
  9. Físico-química de gases: leis dos gases ideais e transformações gasosas;
  10. Eletroquímica: pilhas, eletrólise e aplicações tecnológicas.

“Esses temas são recorrentes porque reúnem os fundamentos da química que ajudam o estudante a interpretar situações do cotidiano, questões ambientais, processos industriais e até temas interdisciplinares com biologia e física. Por isso, dominar esses conteúdos aumenta significativamente as chances de um bom desempenho no Enem”, explica a professora do BIS.
 

Dicas para a reta final antes da prova


Na reta final, foco e estratégia fazem diferença. Victor Abrão, docente do colégio Progresso Bilíngue, de Santos/SP, elenca as recomendações abaixo para ajudar os candidatos nos estudos: 

Resolva provas antigas e simulados: cronometrar o tempo de prova real ao fazer simulações ajuda o aluno a ganhar agilidade e acostumar-se ao estilo das questões;

Crie mapas mentais e quadros-resumo: agrupando conceitos, fórmulas e reações-chaves, o cérebro fixa melhor o conteúdo;

Pratique exercícios de interpretação: foque em gráficos, tabelas e textos para fortalecer a leitura crítica;

Estabeleça um ciclo de revisão: revisite cada tema em intervalos regulares para fixar conteúdos de forma espaçada;

Estude em grupo: discutir dúvidas e explicar conceitos com outros estudantes acelera a consolidação do aprendizado.

“Mais do que estudar por muitas horas, o que faz a diferença nessa fase é a qualidade da revisão. Ter um plano estruturado, revisar de forma ativa e manter a tranquilidade são atitudes que potencializam o desempenho e ajudam o estudante a chegar mais confiante no dia da prova”, afirma o docente do colégio Progresso Bilíngue.
 

O Enem

A prova foi criada pelo Ministério da Educação em 1998, para avaliar o desempenho dos estudantes brasileiros ao final da educação básica. Com o passar dos anos, o Enem teve sua metodologia aperfeiçoada e atualmente é requisito obrigatório para acesso a programas educacionais como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (ProUni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Este ano, as provas serão aplicadas nos dias 09 e 16 de novembro, dois domingos seguidos. No primeiro dia de prova, os alunos realizarão as questões das áreas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (compreende Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira/Inglês ou Espanhol, Artes, Educação Física e Tecnologias da Informação e Comunicação) e Redação; e Ciências Humanas e suas Tecnologias (compreende História, Geografia, Filosofia e Sociologia).

No segundo dia, as provas serão de Ciências da Natureza e suas Tecnologias (compreende Química, Física e Biologia) e Matemática e suas Tecnologias. O certame registrou mais de 5,5 milhões de inscrições, de acordo com o Ministério da Educação – número que supera a edição anterior de 2024, com aumento de 8% no número de inscritos.


Felipe Franco - formado em Química Licenciatura e Bacharelado pela USP e trabalha há 15 anos em cursos pré-vestibulares com preparação para o Enem

Jaqueline Jeremias - Formou-se como melhor aluna do curso de química da sua turma da USP e possui pós-graduação em gestão escolar pela PUC-SP. Já lecionou química, prática científica e projeto de vida. Tem formação de educadora maker, participou de congressos como escola parceira da UNESCO (rede PEA) e tem experiência com edição de material didático, preparação e organização de olimpíadas científicas e gravação de aulas em estúdio. Hoje, trabalha com o currículo nacional (BNCC) com educação bilíngue em escolas internacionais.

Hendrik Dillan Ferreira Ribeiro - professor de química e ciências da natureza na Escola Internacional de Alphaville. É licenciado em Química pela Universidade de São Paulo (USP). Possui experiência em diferentes instituições de ensino, atuando na educação básica com currículos nacionais e internacionais (BNCC, IB-MYP e IB-Diploma). Foi premiado com o Lavoisier, oferecido pelo CRQ/SP; e é medalhista da OBMEP. Interessado em práticas pedagógicas inovadoras, sustentabilidade, ciência e ética, dedica sua trajetória a inspirar estudantes por meio da investigação científica e do desenvolvimento crítico e responsável.

Victor Abrão de Araujo - possui graduação em Química pela UNESP e mestrado em Química pela UNICAMP. É professor do Colégio Progresso Bilíngue, em Santos-SP.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados