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Médico cirurgião fundador da
Transgender Center Brazil destaca que homens e mulheres trans também devem ser
incluídos nas ações de prevenção e rastreamento do câncer de mama.
O Outubro Rosa é mundialmente conhecido por
promover a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama. Neste ano, o
movimento ganha um novo olhar: a inclusão da população trans nas ações de
cuidado e conscientização.
Embora o foco histórico da campanha tenha
sido as mulheres cisgênero, profissionais da saúde reforçam que homens e
mulheres trans também possuem mamas e devem ser incluídos nas estratégias de
saúde preventiva. A ideia não é criar alarde, mas ampliar o diálogo sobre
prevenção e acolhimento.
“O Outubro Rosa precisa ser um movimento para
todos os corpos. Cada pessoa tem uma história e uma anatomia específica, e a
medicina deve reconhecer essas particularidades com respeito e ciência”,
explica Dr. José Carlos Martins Jr., médico cirurgião fundador da Transgender
Center Brazil”., centro de referência nacional em cirurgias de afirmação de
gênero.
Mulheres trans que fazem uso prolongado de
hormonioterapia com estrogênio podem se beneficiar do acompanhamento médico
periódico, especialmente após alguns anos de tratamento. Já homens trans que
realizam a cirurgia masculinizadora (“top surgery”) costumam ter risco bastante
reduzido de alterações mamárias, mas ainda se beneficiam de orientações médicas
personalizadas, conforme o tipo de cirurgia e o histórico familiar. “Mais
importante do que falar em risco é garantir que todos tenham acesso, escuta e
acolhimento. Ainda vemos pessoas trans que deixam de fazer exames por
constrangimento ou por não encontrarem profissionais preparados”, destaca Dr.
Martins.
Organizações internacionais, como a WPATH
(World Professional Association for Transgender Health) e a Endocrine Society,
já estabelecem recomendações para o rastreamento mamário em pessoas trans,
levando em conta tempo de uso hormonal, idade e histórico familiar. No Brasil,
ainda faltam protocolos oficiais que garantam atendimento padronizado e
sensível à diversidade de corpos.
No cenário nacional, algumas iniciativas
começam a apontar caminhos para essa mudança. Um exemplo é a campanha
“Outubro+”, promovida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que
incluiu homens trans como modelos em suas peças de conscientização sobre saúde
das mamas. A ação demonstra que o movimento pode evoluir: não apenas como
símbolo de prevenção, mas também como instrumento de visibilidade e inclusão de
diferentes corpos.
Outro exemplo importante vem da Prefeitura do
Recife (PCR), que neste Outubro Rosa ampliou a faixa etária para os exames de
mamografia na rede municipal de saúde. A partir de 1º de outubro, o
público-alvo — antes formado por mulheres e homens trans entre 50 e 69 anos —
passou a incluir pessoas até 74 anos, com acesso facilitado e sem necessidade
de agendamento. Durante o mês, serão ofertadas 3.200 vagas no Mamógrafo Móvel.
“O primeiro passo é informar e incluir. O segundo é formar profissionais de
saúde que entendam as especificidades da população trans e saibam orientar sem
julgamento”, acrescenta.
O Outubro
Rosa é, acima de tudo, um lembrete de que o autocuidado e o diagnóstico precoce
salvam vidas. Expandir essa mensagem para pessoas trans é reconhecer que
prevenção também é um ato de respeito e cidadania.“Cuidar da saúde das mamas é
cuidar da própria história. Não se trata apenas de biologia, mas de dignidade”,
conclui o Dr. Martins.

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