Conitec recomenda incorporação de medicamento para câncer de mama precoce RH+/HER2- pelo SUS
Consulta pública para avaliação de abemaciclibe foi realizada em agosto e setembro; doença tem 95% de chance de cura quando diagnosticada e tratada em estágio inicial [1]
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou a incorporação de abemaciclibe no SUS[2] para o tratamento de câncer de mama precoce receptor hormonal (RH) positivo e receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2) negativo, linfonodo positivo com alto risco de recorrência.[3] A recomendação acontece depois da Consulta Pública que ocorreu de 26 de agosto a 14 de setembro.[4] O processo agora está sob análise da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Sectics).
Abemaciclibe é um inibidor de ciclina aprovado no Brasil para tratamento de câncer de mama RH+/HER2- de alto risco[5]. O medicamento da Eli Lilly do Brasil leva à redução do risco de doença invasiva e de recidiva à distância, de 32% e 32,5% respectivamente, resultados que não eram observados há mais de 15 anos.[6] Abemaciclibe já é incorporado ao SUS para o cenário metastático[7], embora não esteja ainda disponível.3
“A recomendação final favorável da Conitec de abemaciclibe para o
tratamento adjuvante do câncer de mama representa um avanço significativo na
jornada das pacientes de alto risco, que embora tenham maior chance de evoluir
para cenário metastático, seguem o mesmo protocolo padrão das mulheres com
baixo risco. É uma decisão eficiente e que preza pela equidade”, afirma Luiz
André Magno, Diretor Médico Sênior da Lilly
O câncer de mama feminino é o tipo de câncer mais incidente em todo o mundo. Globalmente, é a segunda principal causa de morte por câncer entre as mulheres - apenas no Brasil, em 2023, foram 18.032 óbitos. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima para o triênio 2023-2025 mais de 73,6 mil novos casos, o que representa 30,1% dos cânceres em mulheres.[8] A tendência é que o número de casos continue a aumentar, sobretudo devido ao envelhecimento da população, às mudanças no comportamento e estilo de vida, além da melhoria nos métodos de diagnóstico.[9] Para os próximos anos, estima-se que uma em cada oito mulheres corram risco de desenvolver câncer de mama ao longo da vida.[10]
Há um risco relevante nas pacientes com câncer de mama precoce RH+/HER2-, pois cerca de uma em cada três pode apresentar metástases em linfonodos, o que é considerado fator de risco significativo para recidiva e morte.[11] Além disso, 30% evoluem para uma doença metastática e incurável dentro de cinco anos do início do tratamento com terapia endócrina (TE)[12], trazendo alto impacto no sistema de saúde e na sociedade.
Aguarda-se a publicação em Diário Oficial da União (DOU), e então, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) deverá ser atualizado - o que pode levar, pelo menos, mais 180 dias.
“Essa incorporação está alinhada com os objetivos e prioridades da recém-publicada Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC), que busca garantir o acesso ao cuidado integral, melhorar a qualidade de vida das pacientes e reduzir a mortalidade associada ao câncer de mama”, completa Magno.
O cuidado da descoberta da doença significa economia para o Estado
e benefícios para a sociedade. O tratamento de câncer de mama em estágio avançado
no SUS pode custar até 10 vezes mais que em estágios iniciais, com valores que
variam de R$ 17 mil na fase precoce da doença até R$ 356 mil no estágio
metastático.[13] Além disso, dados
mostram que 4 em cada 10 mulheres deixaram de trabalhar após o diagnóstico da
doença. Sem contar 40% dessas pacientes não retornaram às suas atividades após
dois anos do diagnóstico.[14] A saída do mercado de trabalho devido ao tratamento de
câncer de mama pode ter impactos econômicos e sociais profundos, uma vez que as
mulheres representam cerca de 46% da força de trabalho total, 50,8% dos
domicílios são chefiados por elas e 11,3 milhões é o número de domicílios
Eli Lilly do Brasil
Para saber mais, acesse o site da Lilly do Brasil
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Referências:
[1] Tratamento para o câncer de mama pode alcançar até 95% de cura com diagnóstico precoce. Disponível em: Link. Acesso em: 26/09/2025.
[2] 145ª Reunião Ordinária Conitec. Comitê de Medicamentos. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/reuniao_conitec/2025/pauta-145a-reuniao-medicamentos. Acesso em: 03/10/2025
[3] Liu N, Yang Z, Liu X, Niu Y. Lymph node status in different molecular subtype of breast cancer: triple negative tumours are more likely lymph node negative. Oncotarget. 2017;8(33):55534-55543
[4] Diário Oficial da União – Ministério da Saúde – Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde. Consulta Pública Nº 72: LinkAcesso em: 26/09/2025
[5] Abemaciclibe: eficácia no tratamento de câncer de mama inicial de alto risco e avançado. Disponível em: Link Acesso em: 26/09/2025.
[6] Rastogi P, O1Shaughnessy J, Martin M, et al. Adjuvant Abemaciclib Plus Endocrine Therapy for Hormone Receptor–Positive, Human Epidermal Growth Factor Receptor 2–Negative, High-Risk Early Breast Cancer: Results From a Preplanned monarchE Overall Survival Interim Analysis, Including 5-Year Efficacy Outcomes. J Clin Oncol, 2024; 42:987-993
[7] Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer — Ministério da Saúde. Disponível em: Link . Acesso em: 26/09/2025.
[8] Instituto Nacional de Câncer - INCA. Relatório Anual 2023: Dados e números sobre o câncer de mama. Disponível em: Link. Acesso em 26/09/2025.
[9] Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2023 - Incidência de Câncer no Brasil. 160 p. Disponível em: Link. Acesso em: 26/09/2025
[10] Lilly. Verzenio®. Disponível em: Link. Acesso em: 26/09/2025.
[11] Liu N, Yang Z, Liu X, Niu Y. Lymph node status in different molecular subtype of breast cancer: triple negative tumours are more likely lymph node negative. Oncotarget. 2017;8(33):55534-55543
[12] Salvo EM, Ramirez AO, Cueto J, et al. Risk of recurrence among patients with HR-positive, HER2-negative, early breast cancer receiving adjuvant endocrine therapy: A systematic review and meta-analysis. Breast. 2021;57:5-17.
[13] O custo do tratamento do câncer de mama por paciente no SUS. Disponível em: Link .Acesso em: 26/09/2025.
[14] Mulheres sofrem com perda do emprego após diagnóstico de câncer de mama. Datafolha. Disponível em: Link . Acesso em: 26/09/2025.
[15] Ministério das Mulheres. Relatório Anual Socioeconômico da Mulher – RASEAM. 2024. Disponível em: Link. Acesso em: 26/09/2025
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