Prof. Dr. José Carlos Sadalla detalha os pilares da prevenção, os avanços no diagnóstico e tratamento, e reforça que a detecção em estágio inicial pode aumentar a chance de cura em mais de 90%.
O
movimento Outubro Rosa chega para reforçar a conscientização sobre o câncer de
mama, o tipo de tumor que mais mata mulheres no Brasil. Em um cenário onde o
Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima mais de 70 mil novos casos da doença
no país em 2025, a informação sobre prevenção e, principalmente, diagnóstico precoce
torna-se a principal ferramenta na luta contra a doença.
O
Prof. Dr. José Carlos Sadalla, especialista em Mastologia e Oncoginecologia,
destaca os principais pontos que toda mulher deve saber sobre prevenção,
diagnóstico, tratamento e prognóstico do câncer de mama.
Prevenção:
o poder do estilo de vida
"Embora
não possamos evitar todos os casos, sabemos que cerca de 30% dos tumores de
mama podem ser prevenidos com a adoção de um estilo de vida mais
saudável", explica o Dr. Sadalla. A prevenção passa por pilares
conhecidos, mas que precisam ser constantemente reforçados:
- Prática regular de atividade física.
- Manter uma alimentação saudável e o peso corporal adequado.
- Evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.
- Não fumar e evitar o tabagismo passivo.
Diagnóstico:
a mamografia como principal aliada
Quando
se fala em aumentar as chances de cura, o diagnóstico precoce é o fator mais
importante. A mamografia continua sendo o principal e mais eficaz exame para o
rastreamento, capaz de detectar tumores muito pequenos, antes mesmo de serem
palpáveis.
"A
recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é que mulheres a partir de
40 anos realizem a mamografia anualmente.", afirma o Dr. Sadalla. "É
importante esclarecer que, embora o autoexame seja uma ferramenta de
autoconhecimento, ele não substitui os exames de imagem. Qualquer alteração
percebida, como nódulos, retração do mamilo ou mudanças na pele da mama, deve
ser investigada por um especialista. No toque, a paciente costuma sentir o
tumor a partir de 2cm, mas a mamografia consegue visualizá-lo a partir de
1mm."
Tratamento:
terapias modernas e personalizadas
O
tratamento do câncer de mama evoluiu imensamente e hoje é cada vez mais personalizado,
dependendo do estádio e das características moleculares do tumor. As principais
abordagens incluem a cirurgia (que pode ser conservadora, ou a mastectomia),
radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e as terapias-alvo.
"Hoje,
a cirurgia de remoção do câncer de mama geralmente é seguida da reconstrução
mamária imediata, um passo fundamental para a autoestima da paciente. Além
disso, tivemos avanços significativos com as terapias-alvo e a imunoterapia,
que atuam diretamente nas células cancerígenas, oferecendo tratamentos mais
eficazes e com menos efeitos colaterais para subtipos específicos de tumores,
como o HER2-positivo e o triplo negativo", detalha o médico.
Prognóstico:
a importância do estádio do tumor
O
prognóstico do câncer de mama está diretamente ligado ao estádio em que a
doença é descoberta. Tumores diagnosticados em fase inicial (estádios 0, 1 e 2)
têm altíssimas chances de cura.
"Quando
detectamos um tumor em seu estádio inicial, as chances de cura podem
ultrapassar os 95%. Nesses casos, os tratamentos costumam ser menos agressivos
e a recuperação da paciente é muito melhor. Por isso, a mensagem central do
Outubro Rosa é esta: não adie seus exames. A detecção precoce salva
vidas", conclui o Dr. Sadalla.
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