Em decisão publicada na última segunda-feira, 20 de outubro de 2025, a ANVISA autorizou a nova indicação do medicamento Mounjaro® (substância ativa tirzepatida) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono em adultos com obesidade.
Para
o Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista da Associação
Brasileira de Otorrinolaringologia, a medida representa um importante avanço no
tratamento dessa condição crônica respiratória que afeta a qualidade de vida de
milhões de brasileiros já que amplia-se o arsenal terapêutico para a apneia do
sono em pacientes obesos, indo além da intervenção mecânica tradicional, e
incorporando uma abordagem medicamentosa que ataca uma das causas estruturais
da doença.
Indicação da medicação
A
apneia obstrutiva do sono (AOS) é caracterizada por repetidas interrupções da
respiração durante o sono devido ao colapso ou obstrução das vias aéreas
superiores. Entre os fatores de risco, destaca-se a obesidade, especialmente
aumento da gordura ao redor do pescoço e da faringe. Até então, os tratamentos
predominantes envolviam medidas de higiene do sono, controle do peso corporal,
uso de CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) ou intervenções
cirúrgicas das vias aéreas.
Com a aprovação de Mounjaro®, abre-se uma nova frente terapêutica: estudos clínicos de fase 3 (como o SURMOUNT-OSA) demonstraram que a tirzepatida reduziu significativamente o índice de apneia-hipopneia (IAH) e melhorou a qualidade do sono, em adultos obesos com AOS moderada a grave.
“É fundamental que os otorrinos e profissionais do sono estejam atentos a essa novidade, pois trata-se de uma medicação que age sistemicamente, não apenas no episódio respiratório noturno, mas no contexto metabólico-respiratório do paciente. A indicação não substitui nem reduz em absoluto a importância da avaliação multidisciplinar: o paciente com apneia precisa de estudo do sono, tratamento de obstruções anatômicas (como desvio de septo, hipertrofia de cornetos, amígdalas), além de perda de peso e acompanhamento clínico”, diz o médico.
Para
o otorrino, como todo medicamento de nova indicação, será necessário
acompanhamento, avaliação de perfil de efeitos adversos e orientação sobre
estilo de vida. “Não é uma ‘cura mágica’, mas é uma excelente ferramenta
adicional.”
Implicações para o sistema de saúde e para os
pacientes
Segundo a fabricante Eli Lilly, a nova indicação visa reduzir os eventos respiratórios noturnos e melhorar o risco cardiometabólico associado à apneia do sono em pacientes com obesidade. Para a população brasileira, com elevado índice de obesidade e de distúrbios respiratórios do sono, a aprovação representa oportunidade de tratamento mais abrangente.
Entretanto,
o Dr. Bruno Barros alerta: “A questão do custo, da aderência ao tratamento e da
cobertura pelos planos de saúde ou rede pública será decisiva para que essa novidade
chegue de fato aos pacientes que mais precisam.”
FONTE:
Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico
otorrinolaringologista pela UNIFESP Professor Medcel Pós-graduação pela
UNIFESP. Especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela
Universidade Federal de São Paulo.
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