Em um cenário de hiperconexão, especialistas defendem o uso crítico da IA e reforçam que saúde emocional e mediação humana seguem no centro da aprendizagem
No dia 15 de
outubro é comemorado o Dia Nacional do Professor, data
instituída pelo imperador D. Pedro I quando, em 15 de outubro de 1827, baixou
um Decreto Imperial que criou o Ensino Elementar no Brasil. Mais do que uma
data histórica, esta é uma oportunidade de refletir sobre os desafios e
transformações da docência.
Uma pesquisa do
Instituto Semesp (2024) aponta que 74,8% dos professores da educação básica
enxergam a tecnologia e a inteligência artificial (IA) como aliadas no ensino.
Mas também reconhecem desafios, como a dispersão dos alunos e a necessidade de
atualização constante.
Além disso, o
bem-estar emocional dos docentes deve estar no centro das atenções para que o
ensino tenha qualidade. Veja como especialistas da Educação enxergam o futuro
da docência e do papel do professor em quatro pontos essenciais.
Habilidades
essenciais do professor
O futuro da
profissão passa pela combinação de tecnologia e competências socioemocionais.
“A BNCC determina que as escolas desenvolvam autoconsciência e autogestão, o
que exige que os docentes também estejam preparados para ensinar inteligência
emocional”, afirma Fabiane Cancian, professora de
Laboratório Inteligência da Vida (LIV) da rede Anglo Alante. “Isso necessariamente implica a oferta de
uma formação continuada aos docentes, intensificando sua preparação para o
ensino da inteligência emocional”, argumenta.
Para Harley Sato,
autor de Física do Sistema Anglo, é importante ao professor conhecer ferramentas
digitais, mas só isso não basta. “Sem teoria de aprendizagem, a tecnologia pode
gerar propostas pouco eficazes. O papel do professor é integrar ambos os
saberes”.
Inteligência
artificial como apoio
Na Beacon School,
a prioridade é manter o foco no aluno. “A IA jamais substituirá o olhar humano,
essencial para vínculos significativos”, afirma Maria Eduarda Sawaya,
coordenadora de tecnologia educacional.
Professores também
têm incentivado o uso crítico das ferramentas. “O professor deve mostrar que a
IA pode ampliar repertórios e argumentos, mas sempre com validação crítica”,
diz Julia Ferreira, linguista da plataforma Redação Nota 1000.
Bruno Bernardi, responsável pelo programa bilíngue Eduall, concorda e destaca os ganhos pedagógicos que estudantes ganham com as ferramentas. “Os alunos aprendem a elaborar prompts detalhados e a revisar os textos, o que melhorou a qualidade das produções”, observa.
Saúde mental do
professor
O cuidado com os educadores é outro ponto central. A FourC Bilingual Academy criou ações de apoio emocional e físico, como acesso a terapia online e espaços de descanso. “Também reforçamos o direito à desconexão, deixando claro que não se espera resposta fora do expediente”, explica Mariana Moraes, especialista em Recursos Humanos da escola.
Mas ainda há
barreiras. “Muitos professores sentem que não podem demonstrar vulnerabilidade.
Sem apoio da gestão, iniciativas socioemocionais podem perder força”, ressalta Matheus
Portelinha, assessor pedagógico do programa de educação socioemocional
da SOMOS Educação, Líder em Mim. ”É essencial que a gestão e a coordenação
compreendam e acreditem nos benefícios da educação socioemocional”, defende.
O
professor como referência social
Em tempos de
hiperconexão, em que a informação circula de forma instantânea e, muitas vezes,
descontextualizada, o professor continua sendo uma referência fundamental na
formação de cidadãos críticos, éticos e engajados com a sociedade. “Cabe a
ele estimular pensamento crítico e engajamento social, usando a tecnologia como
aliada”, afirma Aline Castro, diretora do Sistema de Ensino pH.

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