A sociedade contemporânea ainda enfrenta um desafio silencioso, mas muito presente: o etarismo. Entre tantas áreas em que esse preconceito aparece, o mercado da beleza e do autocuidado é um dos que mais reforça a ideia de que cuidar da pele é uma prática restrita aos mais jovens, quando, na verdade, deveria ser um gesto de saúde e bem-estar para todas as idades.
As campanhas publicitárias frequentemente exaltam a
juventude eterna como sinônimo de beleza, ao passo que a pele madura, com suas
marcas naturais, raramente ocupa espaço de destaque. Esse padrão gera a sensação
de que, a partir de certa idade, o autocuidado perde relevância ou torna-se
vaidade excessiva. Tal visão não apenas limita a autoestima de milhões de
pessoas, como também ignora a importância de hábitos de cuidado contínuos,
fundamentais em qualquer fase da vida.
É preciso compreender que a pele carrega histórias.
Rugas, manchas e texturas diferentes não devem ser vistas como falhas, mas como
sinais de uma trajetória vivida. Isso não significa abrir mão dos cuidados,
muito pelo contrário. O equilíbrio está em entender que hidratar, proteger e
tratar a pele é parte da manutenção da saúde, da mesma forma que cuidar da
alimentação ou da prática de exercícios físicos.
Ao ressignificar o discurso em torno da beleza,
passamos a enxergar o autocuidado como prática de amor-próprio e prevenção, e
não como uma tentativa de esconder o passar do tempo. Cuidar da pele, em
qualquer idade, é respeitar a si mesmo e valorizar o corpo como expressão da
nossa história.
O futuro do mercado da beleza não está em negar o envelhecimento,
mas em acolhê-lo com dignidade. Promover um olhar inclusivo, que valoriza a
diversidade etária e reconhece que bem-estar e autoestima são direitos
universais, é o primeiro passo para uma sociedade mais justa e respeitosa.
Dra. Lourdes Maria Duarte - gestora presidente da Minancora
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