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| Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira estima que até 90% dos casos de cegueira e deficiência visual podem ser prevenidos ou tratados |
- Investimento de R$ 1,55 bilhão em seis pilares para
prevenção, diagnóstico precoce e tratamento de doenças oculares renderia
benefícios econômicos 27 vezes maiores;
- Perda total ou parcial da visão está relacionada ao
desemprego, à baixa escolaridade e à renda menor;
- Ações também trariam benefícios socioemocionais para quem
sofre com algum problema de visão, evitando 60 mil casos de depressão a
cada ano.
A Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) estima
que até 90% dos casos de cegueira e deficiência visual possam ser prevenidos ou
tratados. Neste Dia Mundial da Visão, celebrado em 9 de outubro, um estudo
inédito revela o impacto potencial do investimento em saúde ocular no Brasil.
De acordo com os dados, a destinação de R$ 1,55 bilhão para a promoção da saúde
ocular – menos de 1% do orçamento público da saúde previsto para 2025 – poderia
gerar um retorno anual de R$ 42 bilhões, o equivalente a R$ 27 para cada R$ 1
investidos.
O relatório Valor da Visão foi produzido pela Agência
Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB), Fundação Seva e Fundação
Fred Hollows.
As consequências da perda de visão parcial ou total são muitas.
Envolvem desemprego, baixa escolaridade, redução de renda, sobrecarga para os
cuidadores, problemas de saúde mental e maior risco de acidentes e doenças –
fatores que afetam diretamente a realidade socioeconômica do país.
Assim, segundo o estudo, entre os principais benefícios da atenção
à saúde ocular estariam ganhos de empregabilidade (R$ 16,8 bilhões) e de
produtividade (R$ 9,36 bilhões). Além disso, o investimento em prevenção,
diagnóstico precoce e tratamento de doenças oculares também traria benefícios
sociais: evitaria 60 mil casos de depressão e quase 14 mil acidentes de
trânsito, além de gerar um ganho em escolaridade de 139 mil anos.
Lorrayne Compri, 36, analista de suporte de vendas, conhece bem os
impactos positivos dos cuidados oculares. Moradora de São Carlos (SP), ela
tinha estrabismo – doença caracterizada pelo desalinhamento dos olhos – desde
os 8 anos e relata ter sofrido bullying por anos na juventude, com
consequências graves para sua autoestima e saúde mental.
“Eu sempre adorei tirar fotos, mas sempre olhava para baixo ou
escondia os olhos com o cabelo, e só me sentia mais segura com óculos de lentes
escurecidas”, conta ela, que viveu até os 30 anos sem acesso à cirurgia em
razão dos altos custos do procedimento.
Em 2019, ela pôde, enfim, corrigir gratuitamente o estrabismo, com
o apoio do Instituto Verter. “Quando eu cheguei em casa depois da cirurgia e vi
meus olhos no espelho, fiquei emocionada e falei para minha mãe ‘estão
retinhos, estão retinhos’. Fui à praia comemorar e tirei muitas fotos sem
óculos. A cirurgia mudou completamente a minha vida.”
Para Caio Abujamra, presidente do Instituto Suel Abujamra, o
investimento em saúde ocular é uma das decisões mais inteligentes que o Brasil
poderia tomar. “O impacto vai muito além do financeiro. Quando melhoramos a
visão, nós também prevenimos depressão, reduzimos acidentes e aliviamos os
cuidadores. O ato de enxergar está relacionado à dignidade e às oportunidades
tanto quanto à economia – e em um país onde as desigualdades sociais e
econômicas são tão profundas, investir na saúde ocular pode fazer uma diferença
decisiva”, diz.
A pesquisa aponta seis áreas prioritárias para os governos
prevenirem a perda da visão: detecção precoce por meio de exames nas comunidades
– nas escolas, por exemplo –, distribuição de óculos de leitura, aumento da
capacidade cirúrgica, melhorias na produtividade cirúrgica e das equipes, e
remoção de barreiras ao acesso à saúde ocular – como custo, distância e estigma
–, além do aprimoramento da cirurgia de catarata com técnicas inovadores, uso
mais amplo de biometria e padrões mais rigorosos de cuidados pós-operatórios.
Um exame simples e de rotina na escola foi responsável por alertar
a família de Helena Abia Domingos Lucena, 12, de São Paulo, sobre a
possibilidade de diagnóstico de um tumor (neoplasia) de conjuntiva. A lesão
surgiu como uma mancha no olho direito quando ela tinha 8 anos. Desde então, a
menina sente o olho irritado e a visão embaçada, causando dores de cabeça.
A mãe, a especialista em compliance Carla Kate da Silva, 39,
procurou orientação oftalmológica quando os primeiros sintomas apareceram, mas
os profissionais indicaram que era apenas uma mancha e os demais sintomas
poderiam ser cansaço. Após o alerta dos exames feitos na escola, Helena começou
a ser acompanhada pelo Instituto Suel Abujamra.
“Conversei na escola para que os professores deixassem que ela
sentasse nas fileiras da frente para enxergar melhor a lousa. Fizemos um
tratamento com colírios, o que amenizou os sintomas, tanto que ela ficou alguns
meses sem se queixar das dores de cabeça e da coceira. Agora, fazemos o
acompanhamento com o Instituto Suel Abujamra para saber como a mancha está se
comportando”, assinala Silva.
“A perda da visão é um problema universal que impacta todas as
áreas da vida, mas temos soluções claras para ela. Grande parte dos casos pode
ser prevenida com intervenções simples e acessíveis como expandir os testes de
visão e melhorar a cirurgia de catarata. Neste Dia Mundial da Visão, convocamos
governos, empresas, escolas e famílias a fazer da saúde ocular uma prioridade.
A evidência é clara: ao investirmos na visão, investimos no futuro”, afirma
Peter Holland, diretor-executivo da IAPB.
Agência Internacional de Prevenção à Cegueira – IAPB

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