Consumir bebidas energéticas tem se tornado comum para muitos brasileiros,
especialmente jovens e adultos que buscam mais disposição para estudar,
trabalhar e dar conta de rotinas cada vez mais aceleradas. Apesar de ser
considerado seguro por muitas pessoas, alguns riscos, associados principalmente
ao consumo em excesso, precisam ser levados em consideração.
É o que alerta o Dr. Ricardo Ferreira, cardiologista e especialista em arritmias cardíacas. “Temos que lembrar que esses produtos contêm substâncias estimulantes como cafeína, taurina, guaraná e açúcar em altas concentrações. E, embora promovam sensação de alerta e redução do cansaço momentâneo, seu uso excessivo pode trazer sérios riscos à saúde cardiovascular”, explica.
Alguns dos sintomas são o aumento da frequência cardíaca, elevação da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração. No caso de pessoas predispostas à determinadas doenças, isso pode até desencadear arritmias cardíacas, palpitações e, em situações mais graves, contribuir para eventos como infarto e morte súbita.
Dados
da consultoria Kantar mostram que, entre setembro de 2023 e o mesmo mês de
2024, as bebidas energéticas ganharam 22 milhões de novos consumidores,
alcançando 38% dos lares brasileiros. “Com a popularização, é importante que as
pessoas tenham consciência dos riscos e aprendam que estas são bebidas que
precisam ser consumidas com moderação. Já presenciei casos de pacientes que
praticamente substituem a água pelo energético. Isso representa um alto risco
para o coração”, afirma o cardiologista.
“A fibrilação atrial, por exemplo, que é um tipo de arritmia mais comum em pacientes idosos tem acometido pessoas mais jovens. Normalmente, isso ocorre por excesso de estimulantes, que podem ser remédios ou bebidas energéticas. Essa estimulação desproporcional tem antecipado quadros cardíacos em pessoas de menos idade”, conta o cardiologista.
Energético e álcool
Outro ponto que merece atenção é a mistura de energéticos com álcool. Segundo o Dr. Ricardo Ferreira, essa combinação pode mascarar a sensação de embriaguez, incentivando o consumo excessivo e sobrecarregando ainda mais o sistema cardiovascular.
“É bastante comum casos de pacientes que passaram o fim de semana em festas, consumindo energéticos e bebidas alcóolicas, e que precisam de atendimento médico para arritmias. Uma condição conhecida como ‘Síndrome de Holiday’. Como os corações dos mais jovens tendem a ser estruturalmente normais, esses pacientes acabam tolerando melhor a arritmia e, muitas vezes, só chegam ao médico quando o quadro já avançou, evoluindo para desmaios e até morte súbita”.
A recomendação do especialista para a saúde do coração é sempre a moderação, além da adoção de hábitos de alimentação saudável e rotina de exercícios.


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