Economista e consultora do will bank, Mila Gaudencio, dá dicas para introduzir o assunto de maneira leve e criativa e defende que o importante é incluir os pequenos
O Mês das Crianças chegou, e, mais do que presentes, esta é a época perfeita para dar um superpoder para os pequenos: a educação financeira. A economista e consultora do will bank, Mila Gaudencio, mostra que é possível transformar a interação das crianças com o dinheiro em uma jornada de conhecimento e independência.
Para Mila, a mágica não está em desvendar de onde vem o dinheiro: se veio da moedinha da fada do dente, do presente da vovó, da mesada no cartão ou de um PIX inesperado. “A chave é abrir conversas no dia a dia que ensinam o verdadeiro sentido dessas trocas. Afinal, a relação com o dinheiro é uma constante em toda a nossa vida e, muitos dos nossos comportamentos já adultos, vêm da relação que tivemos com dinheiro nessa fase”, completa a especialista.
O tabu do "tesouro" e a importância de falar desde cedo
Embora 87% dos adultos reconheçam a relevância do tema, uma pesquisa da Serasa de 2024 revela que apenas 6 em cada 10 conversam sobre finanças com as crianças. Essa é uma lacuna que precisa ser fechada, e falar sobre dinheiro desde cedo é um ato de preparo e afeto.
"Às vezes, falar de finanças parece um bicho de sete cabeças. Mas é conversando, com leveza e exemplos práticos, que a criança aprende a fazer escolhas, a entender os limites do seu ‘tesouro’ e a dar um valor diferente às coisas. Queremos quebrar esse tabu: falar de dinheiro é um grande gesto de amor e o primeiro passo para garantir um amanhã financeiro consciente para quem a gente ama", afirma Mila.
A educação financeira na infância ensina lições importantíssimas de responsabilidade, planejamento e valor do trabalho, de um jeito que a criança pode levar para a vida toda. Para transformar essa conversa em uma grande aventura de aprendizado, a consultora do will bank preparou um guia prático com 6 dicas, cheio de ideias e mecânicas criativas:
1. A regra da troca justa: o dinheiro é um poder especial, mas com limite. Use moedas, bloquinhos de montar ou figurinhas, para mostrar que, se o poder for usado para comprar um brinquedo, ele não serve mais para o chocolate. Explicar que gastar em uma coisa é abrir mão de outra ensina o conceito de prioridade, ajudando a criança a fazer escolhas que a deixarão mais feliz.
2. O jogo do tesouro: transforme e mostre que poupar é como bolar um grande plano e que pode ser também divertido. Envolva a criança na meta de conseguir algo que ela deseja, como um presente. Ensine que guardar é como juntar peças de um mapa do tesouro. É um processo positivo focado em realizar um objetivo, mostrando que o planejamento traz uma conquista muito maior.
3. Permitir errar é aprender: ofereça um valor simbólico, mas com uma recorrência determinada. Se acabar rápido, é uma lição valiosa sobre a importância de controlar a vontade imediata e administrar o que se recebe até um novo ciclo.
4. Desvendando o dinheiro invisível: para o PIX e o cartão, que fazem o dinheiro sumir sem a notinha física, use a imaginação. Explique que o cartão é como uma chave secreta que destrava um cofrinho que está guardado no banco. O dinheiro tem um limite; se usar a chave demais, o cofrinho fica vazio. Isso ajuda a reforçar a importância do controle mesmo sem ter notas nas mãos.
5. A técnica do 3 em 1: use três potes ou envelopes para dividir o dinheiro que a criança recebe: 1. Pote do agora (para pequenas vontades imediatas); 2. Pote do sonho (o objetivo maior, de longo prazo); 3. Pote da ajuda (para doar ou presentear alguém). Essa divisão ensina a planejar e a dar um destino e um propósito para cada parte do dinheiro.
6. Detetive no mercado: transforme as idas ao supermercado em uma aula de investigação divertida. Mostre que existem preços diferentes para a mesma coisa e reforce que não precisamos comprar tudo na hora. Pergunte: “Qual é o mais barato? Esse vale a pena agora ou podemos guardar para o seu objetivo?” Essa prática treina o olhar financeiro e incentiva o consumo consciente, sem limitar o que a criança pode desejar.
Mesmo sendo um tema importante na formação das crianças, Mila Gaudencio destaca que a infância não é sobre números, mas sobre afeto e preparo. O dinheiro faz parte da rotina, assim como o processo de ganhar autonomia, mas o essencial é preservar o olhar mais fantasioso, criativo e único dos pequenos. “Não é preciso complicação em ser criança. E com pequenos gestos e lições práticas como estas, vamos transformando de forma positiva o crescimento dos pequenos”, finaliza.
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