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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Doenças reumatológicas também colocam os rins em risco

Sintomas vão além das articulações; inflamações podem evoluir para insuficiência renal se não forem diagnosticadas a tempo 

 

Em 30 de outubro, data dedicada ao Dia Nacional de Luta contra o Reumatismo, a atenção se volta para as doenças reumatológicas - não só em relação às articulações, mas também às consequências mais profundas e menos conhecidas, como a insuficiência renal. Segundo a nefrologista e diretora médica regional da DaVita, Bruna Cristine, diversas doenças reumatológicas podem comprometer o funcionamento dos rins. “As principais são o lúpus eritematoso sistêmico, as vasculites sistêmicas e, mais raramente, a artrite reumatóide". 

Essas condições atuam de forma agressiva: a inflamação nos vasos sanguíneos e nos glomérulos - estruturas renais responsáveis pela filtração do sangue - pode levar à glomerulonefrite. Se não tratada adequadamente, “essa inflamação provoca perda progressiva da função renal, podendo evoluir para insuficiência renal crônica e, em alguns casos, necessidade de diálise”, explica a especialista.  

Estudos brasileiros mostram a gravidade do quadro renal em doenças reumatológicas. Segundo a BMC Nephrology (2021), a nefrite lúpica respondeu por 30,2% das glomerulopatias secundárias diagnosticadas por biópsia. Estudo da Unifesp (2024) acompanhou pacientes com nefropatia lúpica e constatou que 11,6% evoluíram para doença renal em estágio terminal, necessitando de diálise ou transplante. Nas vasculites associadas a anticorpos anticitoplasma de neutrófilos, os rins são comprometidos em mais de 75% dos casos (American Journal of Kidney Diseases - AJKD), mostrando o alto risco de perda progressiva da função renal.  

Segundo Bruna, os sinais de alerta podem passar despercebidos quando surgem de forma silenciosa. “Os sinais de comprometimento renal nem sempre são perceptíveis de imediato, por isso o rastreamento periódico é essencial em pacientes com doenças reumatológicas. Esse acompanhamento deve incluir exames laboratoriais simples, como urina tipo I, para avaliar presença de proteína ou sangue, assim como dosagem de creatinina para avaliar a taxa de filtração glomerular”, explica a médica, acrescentando que entre os sinais clínicos, destacam-se o inchaço nas pernas, pés ou face; pressão arterial elevada e espuma na urina (indicando perda de proteína). 

A detecção precoce dessas complicações renais pode fazer toda a diferença. A especialista da DaVita explica que a identificação e o tratamento precoce das alterações renais são fundamentais para evitar a progressão da doença e a necessidade de diálise. “Quando as lesões são detectadas no início, e o tratamento rigoroso da doença de base com imunossupressores é instituído, há maior chance de controlar a inflamação, estabilizar a função renal e até reverter parte do dano”, afirma Bruna. Ela recomenda o acompanhamento com reumatologista e nefrologista trabalhando em conjunto, com monitoramento regular da pressão arterial, sinais de edema, além de exames de sangue e urina para avaliar a saúde renal e atividade da doença reumática. 

Bruna explica ainda que é importante que pacientes com doença renal associada a doenças reumatológicas recebam acompanhamento individualizado e contínuo, com foco tanto na proteção da função renal quanto no controle da doença de base. “O cuidado idealmente deve ser multidisciplinar, envolvendo nefrologistas, reumatologistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais, o que assegura uma abordagem integral e coordenada”, explica a médica da DaVita, acrescentando que “em estágios avançados, quando há necessidade de terapia dialítica, as particularidades clínicas de cada paciente - incluindo a condição reumatológica - devem ser integradas ao plano de tratamento, garantindo segurança e continuidade". 

Embora o percentual de casos em diálise derivados de doenças reumatológicas seja relativamente modesto - estimado entre 2% e 5% no Brasil, segundo Bruna, isso não diminui sua importância: “entre elas, o lúpus eritematoso sistêmico é a principal causa, especialmente entre mulheres jovens, seguido pelas vasculites, que atingem mais comumente pacientes mais idosos. É uma porcentagem relativamente pequena, mas trata-se de um grupo que exige atenção especial, pois são doenças potencialmente controláveis quando diagnosticadas precocemente”, reforça.  

Bruna lembra que as doenças reumatológicas não afetam apenas as articulações, mas podem comprometer órgãos vitais como os rins, coração, pulmões e pele. A conscientização é essencial para diagnóstico precoce, adesão ao tratamento e prevenção de complicações graves, como a insuficiência renal. Nesse contexto, o acesso contínuo a cuidados de qualidade, a educação do paciente e o trabalho integrado entre especialidades médicas são pilares fundamentais para preservar a função renal e promover uma vida mais longa e com mais qualidade. 

Bruna reforça que pacientes com doenças reumatológicas procurem avaliações periódicas, fiquem atentos a sinais de alerta e mantenham comunicação constante com seu reumatologista e nefrologista. “A prevenção - nesse caso - pode significar a diferença entre manter os rins funcionando ou precisar de terapia de substituição renal", finaliza a nefrologista. 

 

DaVita

 

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