Neuropsicologa destaca impactos físicos e emocionais da
sobrecarga feminina e propõe caminhos para uma vida mais equilibrada.
Dados recentes mostram que a rotina de
muitas mulheres brasileiras ainda está marcada por jornadas duplas – e, em
muitos casos, triplas. Segundo o IBGE, mulheres dedicam, em média, 21,5 horas
semanais a afazeres domésticos. Já a terceira edição da pesquisa Mulheres
Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado, realizada pela Fundação
Perseu Abramo e pelo SESC, aponta que mães de filhos pequenos passam cerca de
15 horas semanais cuidando das crianças. Por fim, o IPEA estima que mulheres
com trabalho remunerado chegam a 47 horas semanais em suas ocupações
profissionais.
“Esse nível de adoecimento físico e mental
é desumano e cruel. Precisamos primeiro entender como estão as mulheres que
cuidam das crianças – as mães – para depois pensarmos no bem-estar infantil”,
alerta Aline Graffiette, neuropsicóloga e CEO da Mental One.
Para Aline, a sobrecarga não é inevitável.
“Uma criança vem ao mundo por uma conjunção de duas pessoas. E, se a
responsabilidade é compartilhada, por que os afazeres domésticos e o cuidado
infantil ainda recaem majoritariamente sobre a mulher?”, questiona.
A especialista reforça que dividir tarefas
domésticas e de cuidado não é apenas justo, mas essencial para a saúde mental e
física das mulheres. “Na minha casa, por exemplo, aos finais de semana, as
tarefas domésticas ficam por conta dos meninos. Eles passam aspirador, lavam a
louça, retiram o lixo e arrumam as camas. Isso dá mais tempo para mim e permite
que todos tenhamos uma vida mais equilibrada”, explica Aline.
Ela ainda destaca a importância de comunicar insatisfações e propor alternativas: “Quando abrimos mão de controlar a forma como tudo é feito, percebemos que existem diversas maneiras de realizar uma tarefa. E ao permitir isso, ganhamos mais qualidade de vida, humor e disposição para atividades que realmente nos fazem bem”.
Aline reforça que a mudança deve ocorrer em diferentes frentes: famílias, instituições e organizações. “Não há como uma sociedade se constituir como justa e feliz enquanto mulheres continuam sobrevivendo sob a alcunha de ‘maternidade’ ou ‘amor’”, conclui.
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