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quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Dia Mundial da Menopausa: estudo mostra que o cuidado com a mulher vai muito além dos hormônios

Publicação da International Menopause Society (IMS), no Climacteric Journal (2025), revela que o estilo de vida tem papel terapêutico comprovado sobre os sintomas e a saúde global da mulher, inaugurando uma nova fase no cuidado à menopausa


Cerca de 30 milhões de brasileiras vivem atualmente o climatério ou a menopausa, período que marca o fim da vida reprodutiva e que, embora natural, ainda é envolto por tabus e desinformação. A data de 18 de outubro, Dia Mundial da Menopausa, reforça a importância de discutir o tema com base em ciência, acolhimento e novas evidências.

Um estudo internacional publicado pela International Menopause Society (IMS) no Climacteric Journal (2025) indica que o manejo dos sintomas e o envelhecimento saudável dependem diretamente de mudanças no estilo de vida, e não apenas de terapias hormonais. O artigo, intitulado “The Role of Lifestyle Medicine in Menopausal Health: A Review of Non-Pharmacologic Interventions” (Anekwe et al., 2025), analisou mais de duas décadas de pesquisas e comprovou que a adoção de hábitos saudáveis tem efeito direto sobre sintomas, risco cardiovascular, densidade óssea e bem-estar emocional.

De acordo com o estudo, a Medicina do Estilo de Vida (MEV) é uma abordagem científica baseada em seis pilares fundamentais:

  1. Alimentação equilibrada e anti-inflamatória
  2. Prática regular de atividade física
  3. Sono restaurador e higiene do sono
  4. Gerenciamento do estresse e saúde mental
  5. Relações sociais saudáveis
  6. Redução de álcool e tabaco

Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que esses fatores não são apenas coadjuvantes, mas parte essencial do tratamento. “A menopausa não é apenas sobre hormônios, é sobre o terreno onde eles atuam. Alimentação, sono, movimento, conexões sociais e equilíbrio emocional são pilares que transformam a experiência dessa fase”, afirma a médica.

O estudo também chama atenção para a crescente busca por medicamentos de uso injetável, como os agonistas do receptor de GLP-1, conhecidos popularmente como canetas de emagrecimento. As mulheres apresentam respostas mais favoráveis a esses medicamentos. Isso ocorre porque o estrogênio potencializa a ação do GLP-1 no hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle da fome e da saciedade. Além disso, as mulheres demonstram maior resiliência aos efeitos colaterais e costumam utilizar doses proporcionalmente maiores em relação ao peso corporal, o que pode contribuir para resultados mais consistentes.

Apesar dos avanços farmacológicos, o relatório enfatiza que as canetas não substituem o papel do estilo de vida no controle de peso e no equilíbrio metabólico. “Esses medicamentos podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade e da resistência à insulina, mas não devem ser vistos como solução isolada. O estilo de vida saudável continua sendo o pilar central da saúde na menopausa”, destaca Dra. Tassiane Alvarenga.

A terapia hormonal continua sendo segura e eficaz, especialmente quando iniciada na chamada “janela de oportunidade” entre os 50 e 59 anos ou até 10 anos após a menopausa, mas seu efeito é potencializado quando o corpo e a mente estão em equilíbrio. “Mulheres fisicamente ativas e com hábitos saudáveis têm menor intensidade de ondas de calor, melhor qualidade do sono e menor risco de síndrome metabólica, mesmo sem reposição hormonal”, completa.

Menopausa não é o fim, é uma transição. É um convite para revisar hábitos, fortalecer o corpo e ressignificar a vida com consciência e serenidade. Quando ciência e autocuidado se encontram, nasce a verdadeira longevidade.

“O futuro do cuidado na menopausa está na integração entre farmacologia, nutrição, ciência do comportamento e saúde emocional”, finaliza.


 

Dra. Tassiane Alvarenga – ENDOCRINOLOGISTA E METABOLOGISTA - Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU; Residência Médica em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; Residência Médica em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FM USP); Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM; Membro da Endocrine Society, SBEM e ABESO; Faz parte do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Passos. Sobrepeso e Obesidade. Compulsão Alimentar e Ansiedade; Obesidade Infantil; Diabetes Mellitus e Pré Diabetes: Controle da glicemia e prevenção de complicações como Retinopatia , Neuropatia , Nefropatia , Infarto do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC); Dislipidemias ( Colesterol); Doenças da tireoide ( Hipo e Hipertireoidismo, Nódulos na Tireóide); Osteopenia e Osteoporose; Seguimento pré e pós operatórios de cirurgia bariátrica; Check-up e Avaliação de rotina; Baixa Estatura; Distúrbios da Menstruação, Distúrbios da Puberdade, Crescimento e Desenvolvimento sexual; Síndrome dos Ovários Policísticos; Reposição hormonal na Menopausa e Andropausa.

 

 

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