No Dia Mundial da Menopausa (18 de outubro), Dra. Paula Fettback ginecologista pela USP, fala sobre os desafios da vida sexual após a menopausa, um tema ainda cercado de tabus, mas que pode ser vivido com prazer, autoconhecimento e equilíbrio. A especialista está disponível para entrevistas.
Cerca de 30
milhões de brasileiras vivem o climatério ou a menopausa e muitas acreditam que
o desejo sexual termina junto com o fim da menstruação. A ginecologista Dra.
Paula Fettback, do Hospital das Clínicas da USP, explica por que essa fase
pode, sim, ser vivida com prazer, autoconhecimento e liberdade
Entre
tantas mudanças hormonais e físicas, a vida sexual após a menopausa também
passa por transformações, um momento delicado, que pode trazer desconforto,
inseguranças e dúvidas, mas que não precisa significar o fim do prazer. No
Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres vivem o climatério ou a menopausa, o
que representa quase 8% da população feminina, segundo estimativas do IBGE.
Globalmente, esse número deve ultrapassar 1,2 bilhão até 2030.
“O
termo menopausa é usado popularmente, mas o que muitas mulheres vivenciam é o
climatério, um período de transição que pode durar até dez anos e envolve
mudanças hormonais, físicas e emocionais importantes”, explica a ginecologista
Dra. Paula Fettback, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Durante
essa fase, ocorre a queda gradual de hormônios como progesterona, testosterona
e estradiol, o que pode levar a sintomas como irregularidade menstrual, fadiga,
diminuição da libido, ondas de calor, insônia, dor articular, alterações de
memória e pele e vagina mais secas. “Essas transformações acontecem geralmente
entre os 40 e 55 anos, fase em que muitas mulheres estão no auge profissional e
pessoal. Por isso, os impactos emocionais e de autoestima costumam ser ainda
mais significativos”, comenta a médica.
A
consequência, segundo ela, é que muitas mulheres passam a acreditar que o
desejo sexual desaparece com o fim da fertilidade. “Mas, existe vida sexual
após a menopausa e ela pode ser plenamente satisfatória. Com o
autoconhecimento, o diálogo e o acompanhamento adequado, é possível viver essa
fase com mais prazer, conforto e liberdade”, reforça a ginecologista.
Entre
as estratégias médicas e terapêuticas que ajudam a recuperar a qualidade da
vida sexual, Dra. Paula cita a terapia hormonal indicada de forma
individualizada e sob supervisão médica, além da fisioterapia pélvica, do
pompoarismo, da psicoterapia e do uso de laser vaginal, que melhora a lubrificação
e a saúde íntima. “Lubrificantes e hidratantes vaginais também ajudam muito,
assim como algumas opções de fitoterápicos”, explica.
Para
ela, o primeiro passo é vencer o tabu e buscar ajuda. “A mulher precisa
entender que não está sozinha e que sentir essas mudanças é natural. O problema
é quando ela deixa de procurar ajuda e passa a conviver com desconforto e
insegurança. Há soluções eficazes e seguras, mas é preciso falar sobre isso.”
Além
dos tratamentos, a médica reforça que hábitos saudáveis fazem diferença direta
na sexualidade e no bem-estar. “Exercícios físicos, alimentação equilibrada e
sono de qualidade impactam positivamente a disposição e a libido. O corpo e a
mente precisam estar em equilíbrio.”
Dra.
Paula Fettback destaca que cada vez mais pacientes têm buscado orientação sobre
o tema. “A menopausa não precisa ser sinônimo de sofrimento ou de fim da vida
sexual. Pelo contrário: pode ser o momento de se reconectar com o corpo e com o
prazer, de forma madura, consciente e sem culpa.”
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