Estudo inédito
realizado pela Zig mostra substituição de coquetéis por bebidas
industrializadas e variação no consumo conforme porte de evento e faixa etária;
ABRAPE avalia que cenário é momentâneo e tende a normalizar
A Associação Brasileira dos Promotores de Eventos
(ABRAPE) divulga relatório inédito realizado pela Zig, plataforma de tecnologia
e inteligência para o entretenimento ao vivo, que analisa o impacto da crise do
metanol sobre o consumo em eventos realizados em São Paulo. O estudo é um
retrato do cenário atual que indica uma mudança estrutural no mix de bebidas e
uma redução de 9,55% no tíquete médio.
O levantamento analisou 970 mil pedidos em 135
eventos realizados em setembro e outubro de 2024 e 2025, classificando-os
conforme o porte de operação. A categorização vai de Pequeno Porte (até dez
terminais de venda) até Super Mega (acima de mil terminais de venda),
permitindo comparar o comportamento entre diferentes formatos.
Para o presidente da ABRAPE, o empresário Doreni
Caramori Júnior, o levantamento confirma uma mudança momentânea, em virtude da
crise. "É um momento de adaptação para o setor, que busca conciliar
segurança, qualidade e experiência. No entanto, a tendência é de que tudo se
normalize, vamos continuar utilizando esta ferramenta para avaliar o
comportamento do público ao longo do tempo”, destaca.
“Dados são o futuro do mercado e é essencial que o
setor tenha ferramentas como a da Zig para orientar decisões com precisão. Só
com informação de qualidade é possível orquestrar estratégias, ajustar
portfólios e entender como o público está se comportando de fato. Essa leitura
é o que garante previsibilidade e sustentabilidade em um cenário de
transformação”, analisa David Pires, CIO da Zig.
Destilados perdem espaço,
bebidas prontas lideram o avanço
No comparativo anual, as bebidas prontas aumentaram
sua participação de 18,71% para 26,37%, um ganho de 7,66 pontos percentuais. As
fermentadas, como a cerveja, também cresceram, passando de 58,16% para 62,65%.
Em contrapartida, as destiladas perderam espaço, caindo de 23,26% para 10,99%.
Entre as categorias, Ready to Drink (RTD) subiu de
18,71% para 26,37%, e cerveja de 58,16% para 62,65%. Já gin, vodka e whisky
recuaram 6,33, 4,02 e 1,82 pontos percentuais, respectivamente. O movimento
confirma a substituição de drinks e coquetéis por opções industrializadas e
lacradas, percebidas como mais seguras após o episódio.
O tíquete médio caiu de R$ 182,01 para R$ 164,63,
uma diferença de R$ 17,38 por transação. A redução foi observada em todas as
faixas etárias, de –9,54% entre 18 e 24 anos a –34,10% acima dos 65
anos.
Megaeventos resistem, eventos
menores ainda sentem o impacto
Nos megaeventos, o consumo apresentou reação mais
equilibrada. RTDs cresceram 79,46% e cerveja 29,29%, enquanto o whisky manteve
leve alta de 8,13%. Já vodka e gin recuaram 19,20% e 36,05%,
respectivamente.
Nos eventos de porte Pequeno e Médio, o movimento
foi mais intenso. As bebidas prontas (RTDs) aumentaram 365% em volume de vendas
no comparativo anual, tornando-se a principal categoria de crescimento no período.
A cerveja também avançou 22,70%, e o spritz cresceu 18,93%, acompanhando a
expansão das opções de consumo mais leves e industrializadas.
Em contrapartida, o grupo de destilados apresentou
retração expressiva: vodka caiu 42,84%, gin 63,65% e whisky 65,68%. O cenário
confirma uma substituição acelerada de coquetéis por bebidas prontas e
fermentadas, especialmente em eventos menores, onde a percepção de segurança e
preço tem maior influência sobre a escolha do consumidor.
Público jovem sustenta a
retomada parcial
O volume de consumo cresceu entre os mais jovens,
com alta de 11,61% no grupo de 18 a 24 anos e 4,90% entre 25 e 34 anos,
enquanto o público acima de 65 anos teve retração de 23,10%. O dado sugere que
os consumidores mais novos mantiveram presença, mas com escolhas mais racionais
e de menor valor agregado.
Nova composição e
perspectivas
O cenário indica uma reconfiguração estrutural do
mercado de eventos, com RTDs e cerveja se consolidando como pilares de
faturamento. O tíquete médio segue em queda, mas há sinais de recuperação
gradual. O comportamento atual reflete um consumo mais criterioso, mas ainda
ativo, guiado por confiança e conveniência.
A Zig continuará acompanhando o ritmo de
recomposição do setor e os impactos de longo prazo sobre o portfólio de bebidas
e a experiência de consumo nos eventos.
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