Diagnósticos
precoces e a alta prescrição de remédios colocam o Brasil entre os cinco
maiores consumidores de antidepressivos do mundo
A venda de antidepressivos e estabilizadores de
humor no Brasil aumentou 11% entre 2022 e 2023, de acordo com levantamento da
consultoria global IQVIA divulgado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF). O dado
reforça a preocupação de especialistas com a medicalização em massa de
sofrimentos emocionais, em que pessoas que enfrentam dificuldades momentâneas
recebem diagnósticos clínicos e prescrições de psicofármacos de forma rápida.
Para o psicólogo Jair Soares, fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT), o fenômeno
revela uma distorção preocupante. “Estamos diante de uma medicalização
preventiva e, muitas vezes, apressada. Qualquer pessoa que atravessa um mau
momento pode sair do consultório com um diagnóstico e uma receita. O problema é
que nem sempre o sofrimento precisa ser enquadrado em um transtorno. Muitas
vezes, trata-se de uma dor emocional passageira que merece escuta, não
sedação”, aponta.
A consequência, segundo Soares, é um ciclo de
silenciamento. “Quando o sintoma é tratado apenas com remédio, a mensagem do
corpo é calada. O efeito pode ser imediato, mas a causa continua ativa. É por
isso que muitos quadros se repetem, mesmo após longos períodos de medicação”.
O especialista defende uma mudança de paradigma, na
qual a escuta clínica e as abordagens terapêuticas precedem a prescrição. “O
sintoma é uma tentativa do inconsciente de comunicar uma dor antiga. Se essa
dor não for compreendida, ela retorna de diferentes formas, seja em crises de
ansiedade, dores crônicas ou estados depressivos sutis”, reforça.
O risco de transformar sofrimentos cotidianos em
diagnósticos psiquiátricos é ampliar o estigma social e reduzir a autonomia das
pessoas sobre a própria saúde emocional. “Não se trata de negar a importância
dos medicamentos quando indicados corretamente. O que se questiona é a pressa
em rotular e medicar antes de compreender”, conclui Soares.
O especialista aponta cinco tópicos que devem ser
observados para diferenciar um mau momento de um transtorno que exige atenção
clínica:
- Duração
do sintoma –
sofrimentos emocionais passageiros tendem a se resolver em dias ou
semanas. Se persistirem por mais de um mês, é sinal de atenção.
- Impacto
na rotina –
quando o mal-estar compromete sono, trabalho, estudos ou relações
pessoais, pode se tratar de um transtorno em evolução.
- Intensidade
das reações –
crises de choro frequentes, ansiedade paralisante, insônia crônica ou
apatia constante indicam necessidade de atenção especializada.
- Presença
de sintomas físicos – dores de cabeça recorrentes, falta de ar,
palpitações ou tensão muscular sem causa médica podem ter origem
emocional.
- Isolamento
social –
afastar-se de amigos, familiares ou atividades antes prazerosas é um dos
sinais mais comuns de que há sofrimento além do esperado.
A Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG),
criada por Jair Soares, tem se mostrado eficaz tanto em casos graves de
sofrimento emocional quanto em situações iniciais, prevenindo que momentos
difíceis evoluam para um diagnóstico consolidado.
Jair Soares dos Santos - psicólogo, terapeuta, hipnólogo, pesquisador e professor, além de ser o fundador do Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas (IBFT). Criador da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG), sua trajetória é marcada por desafios pessoais que o motivaram a buscar soluções eficazes para o sofrimento emocional. Após enfrentar episódios de depressão e insatisfação com abordagens terapêuticas tradicionais, Jair dedicou-se ao desenvolvimento de uma metodologia que pudesse proporcionar alívio real e duradouro aos pacientes. Sua formação inclui graduação em Psicologia pela Faculdade Integrada do Recife e especializações em áreas como hipnoterapia e análise comportamental. Atualmente é doutorando em Psicologia pela Universidade de Flores (UFLO) na Argentina, onde desenvolve uma pesquisa com a TRG em pessoas com depressão e ansiedade, alcançando resultados promissores com a remissão dos sintomas nestes participantes. Há mais dois doutorados com a TRG a serem desenvolvidos neste momento.
Instituto Brasileiro de Formação de Terapeutas - IBFT)
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