Levantamento realizado pela Planisa revela aumento expressivo nas internações entre 2022 e 2023, seguido de queda em 2024, e destaca impacto das diárias hospitalares no orçamento da saúde
O câncer de mama segue como um dos grandes desafios de saúde pública no Brasil, não apenas pelo impacto clínico, mas também pelo elevado custo associado ao atendimento hospitalar: nos últimos três anos, atingiram R$ 108,8 milhões, segundo levantamento da Planisa - consultoria especializada em gestão de saúde e custos hospitalares. O estudo baseou-se na análise de mais de 5 milhões de altas hospitalares registradas no período.
O custo com internações por câncer de mama no ano de 2022 totalizou R$ 31,7 milhões. Este valor correspondeu a 14.034 hospitalizações registradas entre 1.432.343 pacientes avaliados. Em 2023, as internações subiram para 19.176 e o custo total alcançou R$ 42,8 milhões. No ano passado, com dados parciais, até setembro e projeção do período, o estudo aponta 16.674 internações e um custo total estimado em R$ 34,2 milhões.
Parte importante da composição desses valores está ligada ao consumo de diárias hospitalares e ao tempo médio de permanência. Em 2022, foram registradas 32.570 diárias dedicadas a pacientes com câncer de mama, com permanência média de 2,32 dias; em 2023 foram 43.994 diárias (permanência média 2,29 dias) e, até setembro de 2024, o período observado soma 35.190 diárias (permanência média 2,11 dias). O levantamento utiliza como referência o custo de R$ 974 por diária, definido com base na mediana das diárias hospitalares do ano passado.
Quando se considera o custo médio por evento de internação, a relação entre custo total e o número de internações revela variações ano a ano: em média, o custo por internação foi de aproximadamente R$ 2.260 em 2022; R$ 2.235 em 2023 e R$ 2.056 na estimativa de 2024.
Do ponto de vista da gestão, os números evidenciam dois pontos essenciais: a relevância do controle e da eficiência na ocupação de leitos, já que a diária é o principal insumo monetizado nessa conta; e a importância de estratégias de prevenção e detecção precoce, que reduzem internações e diárias e, consequentemente, o impacto orçamentário sobre o sistema de saúde.
O diretor de Serviços da Planisa e especialista em custos hospitalares, Marcelo Carnielo, observa que os números mostram que grande parte do impacto econômico do câncer de mama no ambiente hospitalar está concentrado nas diárias e na logística de atendimento. “Uma redução, mesmo que pequena, na permanência média ou uma reorganização dos processos assistenciais, pode gerar economia significativa sem reduzir a qualidade do cuidado. Investir em triagem eficaz, rotinas de alta segurança e protocolos padronizados é estratégico para reduzir custos e melhorar desfechos”, fala.
Carnielo ressalta que o levantamento traz evidências claras de que o esforço para controlar custos passa por intervenções clínicas e administrativas integradas, desde diagnóstico precoce e tratamento ambulatorial quando possível, até otimização da internação hospitalar.
O maior desafio financeiro no tratamento do câncer de mama reside
nos medicamentos de alto custo e nos custos indiretos (como a perda de
produtividade). É crucial notar que esses componentes de maior peso não estão
normalmente incluídos nas despesas de internação, conclui.

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