No Dia Mundial do AVC, país é destaque internacional por transformar conhecimento em ação e ampliar o acesso ao tratamento no SUS
O Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, reforça uma mensagem simples, mas poderosa: cada minuto conta. O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo, mas com diagnóstico rápido e tratamento adequado, é possível salvar vidas e reduzir sequelas. O desafio está em garantir que esse cuidado chegue a todos — e é justamente nesse ponto que o Brasil tem se tornado uma referência global.
Um artigo publicado na Journal of the American Heart Association (JAHA), assinado pela neurologista brasileira Dra. Sheila Cristina Ouriques Martins, presidente da Rede Brasil AVC e ex-presidente da World Stroke Organization (WSO), destaca o modelo brasileiro de implementação dos serviços de AVC como exemplo de política pública eficaz e equitativa. Intitulado “HEADS UP 2024: Policy Efforts to Improve Equitable Access to Acute Stroke Care Globally”, o estudo mostra como o país transformou evidências científicas em ações concretas, levando tratamento e esperança a milhões de brasileiros.
“O
desafio não é apenas tratar o paciente certo no tempo certo. É garantir que
todos os pacientes, em todos os lugares, tenham acesso ao tratamento. Cada
minuto conta, para o paciente e para o sistema de saúde”, afirma Dra.
Sheila Martins.
Cada minuto conta — para reconhecer, agir e transformar
O mote da campanha mundial do Dia Mundial do AVC 2025, promovida pela World Stroke Organization, é “Cada Minuto Conta” — um chamado à ação que ultrapassa fronteiras.
Cada minuto conta para agir rápido diante de um AVC.
Cada minuto conta para reconhecer os sinais e buscar
ajuda.
Cada minuto conta — porque as ações de hoje definem o
futuro de amanhã.
A
mensagem central é clara: o tempo é essencial. Quanto mais rápido o
atendimento, maiores as chances de recuperação. Mas o conceito de “agir rápido”
também se aplica a gestores, governos e profissionais de saúde — cada minuto
conta para implementar o que já se sabe que salva vidas.
O exemplo brasileiro
O
artigo evidencia que o Brasil conseguiu, em pouco mais de uma década, construir
uma linha de cuidado completa para o AVC, desde o atendimento pré-hospitalar
até a reabilitação, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os principais
avanços, destacam-se:
- Mais de 300 centros de AVC estruturados em todo o país;
- Cobertura nacional de trombólise desde 2012, com equipes
treinadas e protocolos padronizados;
- Aprovação e financiamento da trombectomia mecânica em 2023,
após o estudo brasileiro RESILIENT comprovar sua eficácia e
custo-efetividade no SUS;
- Expansão da telemedicina para hospitais públicos, garantindo
suporte remoto de especialistas em tempo real;
- Campanhas nacionais de conscientização e a criação, por lei
federal em 2024, do Dia Nacional do AVC, em 29 de outubro, alinhado à data
mundial.
Essas
ações resultaram em redução significativa da mortalidade e da incapacidade por
AVC no Brasil, além de inspirarem políticas semelhantes em países da América
Latina, África e Ásia.
Implementar também é agir rápido
A Dra. Sheila Martins destaca que conhecer o tratamento é apenas o primeiro passo — o verdadeiro desafio é implementá-lo de forma ágil e sustentável. Cada decisão política, cada hospital estruturado e cada profissional treinado representam minutos a menos entre o início dos sintomas e o início do tratamento — e cada minuto pode significar uma vida salva.
O reconhecimento internacional reforça que o Brasil é um exemplo de que agir rápido também é papel dos governos: planejar, investir, treinar e garantir acesso equitativo ao cuidado. O país mostra que, com coordenação, compromisso e ciência, é possível transformar conhecimento em ação e construir sistemas de saúde mais justos, humanos e eficientes.
Rede Brasil AVC
www.redebrasilavc.org.br
Fonte:
Martins SCO. HEADS UP 2024: Policy Efforts to Improve Equitable Access to Acute Stroke Care Globally. J Am Heart Assoc. 2025;14:e037784. DOI: 10.1161/JAHA.124.037784.

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