A luz vermelha se acendeu no painel da economia brasileira. Caímos duas posições no Índice Global de Inovação (IGI) 2025, atingindo o 52º lugar. Essa queda não é um mero deslize, mas a confirmação de que estamos trilhando um caminho perigoso que precisa, urgentemente, ser revisto, se quisermos voltar a nos destacar no desenvolvimento de produtos de alto valor agregado e no nosso potencial inovador, com um forte poder econômico frente ao mercado global.
Para piorar ainda mais nossa situação, se no ano
passado liderávamos a lista das economias mais inovadoras da América Latina,
este ano, ficamos em segundo lugar através do Chile – país cuja população se
aproxima, apenas à da cidade de São Paulo. Claramente, não estamos sendo
estratégicos em nossa jornada inovadora, mas o que está justificando tamanha
perda de competitividade nesse sentido?
Os resultados divulgados pela Organização Mundial
da Propriedade Intelectual (OMPI) em parceria com a Confederação Nacional da
Indústria (CNI), analisam entre os mais de 130 países, sete indicadores para
estabelecer essa colocação: instituições do país; capital humano e de pesquisa;
infraestrutura; sofisticação do mercado; dos negócios; conhecimento de
tecnologias e criatividade, em âmbito geral.
Deles, os que mais tivemos quedas acentuadas
ressaltam falhas preocupantes que necessitam um olhar mais atento para que
possamos reverter esse cenário. Isso inclui o indicador de infraestrutura
(visando o sustento das atividades inovadoras), no qual caímos do 55º lugar, em
2024, para o 60º; instituições governamentais (seu auxílio nesse sentido),
piorando do 103º lugar para o 107º; e a sofisticação do mercado (mostrando
quanto o país financia essas práticas), um dos que mais piorou no índice deste
ano, indo da 47ª posição à 71ª.
A frase popular de que “o brasileiro é um povo
extremamente criativo” também não pode mais ser tão aplicada assim, após esses resultados.
Fomos do 42º lugar no índice de criatividade ano passado, para o 50º. Não
estamos mais conseguindo fazer “muitas caipirinhas com poucos limões”, em
resposta, especialmente, à falta de uso estratégico de tantas metodologias que
temos no mercado de incentivo à criatividade e inovação nas empresas.
Quantas normas ISO, por exemplo, reconhecidas
internacionalmente quanto aos seus benefícios de fomento a cada um desses itens
analisados, não existem globalmente, e que não estão sendo aproveitadas pelas
empresas nacionais para destravar nosso potencial? Temos a faca e o queijo na
mão, porém não estamos cortando da melhor forma, o que tenderá a piorar, cada
vez mais, nossa posição neste ranking, caso não mudemos, imediatamente, a forma
na qual estamos trilhando essa jornada.
De nada adianta termos tantas metodologias à
disposição, sem que sejam investidas para estimular a criatividade em cada um
de nós. Termos uma série de tecnologias altamente sofisticadas, porém que não
são estrategicamente escolhidas e adotadas conforme as necessidades de cada
empresa. Dispormos de crédito financeiro, mas que não são direcionados ao
mercado, considerando sua importância para auxiliar e alavancar as iniciativas
inovadoras e, consequentemente, a melhora de nossa economia e poder
competitivo.
A queda dessas posições no IGI 2025 não é um mero deslize, mas um diagnóstico de uma nação que está, cada vez mais, ficando para trás. Continuar nessa caminhada não resultará apenas em classificações piores, mas na perda constante de competitividade em um mercado extremamente conectado. O custo da inação é caro, e a urgência em mudar é agora, para que a inovação não seja apenas um discurso, mas algo prático que nos tornará cada vez mais preparados para alavancar nosso verdadeiro potencial.
Alexandre Pierro - mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.
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