A educação brasileira vive
inúmeros problemas, não gratuitamente. Aparece nos últimos lugares em todos os
rankings internacionais, mas esses dados estão ainda mais aquém do que a
realidade das salas de aula.
Nos últimos anos, os professores têm enfrentados
desafios enormes. Segundo as pesquisas mais robustas sobre a visão dos
professores sobre a educação atual, a indisciplina é o maior problema
enfrentado pelos professores na atualidade. Uma pesquisa recente da OCDE, que
mensurou as relações de sala de aula, verificou que o Brasil é o país em que há
menos aula, entre os 73 países avaliados.
Segundo o levantamento, os professores gastam cada
vez mais tempo administrando problemas de comportamento em sala de aula. A
percepção de que a indisciplina é o maior desafio coincide com estudos
internacionais, como os da OCDE.
Ao mesmo tempo, não há nenhuma iniciativa pública
voltada para a indisciplina escolar. As escolas recebem projetos de todos os
tipos — sobre meio ambiente, tecnologia, alimentação, inclusão digital —, mas
nenhum que trate diretamente da questão da disciplina. É como se o problema
simplesmente não existisse.
E mais do que isso: nós, professores, não tivemos
essa formação na universidade. Talvez alguém tenha assistido a uma aula sobre o
tema — eu, pessoalmente, nunca conheci quem tivesse. Mas o fato é que não
existe nenhuma disciplina específica sobre indisciplina escolar em nenhuma
universidade do Brasil. Também não há linha de pesquisa, nem pós-graduação
voltada ao assunto. Nada.
É como se a opinião e a experiência dos professores
fossem irrelevantes. Como se os dados também não importassem. A solução do
poder público para os graves problemas decorrentes da indisciplina — que
incluem questões sérias de saúde mental entre docentes — tem sido a
precarização do trabalho.
Em vez de criar políticas efetivas baseadas em
evidências científicas para reduzir quadros de depressão, ansiedade e outros
transtornos relacionados às condições de trabalho, os governos têm recorrido a
contratações temporárias e mal remuneradas. Nesses vínculos, o controle sobre
afastamentos por motivos psiquiátricos é maior, enquanto as oportunidades de
estabilidade e apoio diminuem.
Não é uma solução justa. E, infelizmente, não será
no Dia dos Professores que virá a nova fase em que os docentes serão ouvidos,
suas condições valorizadas e seu trabalho, finalmente, respeitado.
Lucelmo Lacerda - doutor em educação,
pesquisador na Universidade da Carolina do Norte (EUA) e autor de “Crítica à pseudociência em educação especial”.

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