A voz do Povo é a voz de D´us! A sabedoria popular e ancestral se
impõe com a força de uma lei natural: o plantio é opcional, mas a colheita é
compulsória. Esta máxima, que rege os ciclos da terra, deveria também governar
as nossas vidas em sociedade. Contudo, vivemos uma era que parece querer negar
essa verdade, uma era que anseia pela liberdade do plantio sem o ônus da
colheita.
Em nosso tecido social, essa negação se manifesta de formas diversas
e igualmente nocivas. Ela está presente quando a justiça falha em reconhecer
que solapar o direito de um trabalhador ao seu salário é uma violência tão
grave quanto permitir que um criminoso escape das consequências de seus atos.
Ambas as ações minam a confiança, erodem a dignidade e semeiam a desordem. A
balança da justiça perde seu propósito se pende para um lado, ignorando o peso
do outro.
Atravessamos uma perigosa crise de responsabilidade, onde a noção de consequência parece ter se diluído. Desde o furto de um celular na esquina até a articulação de um atentado contra o Estado de Direito, emerge uma perversa tentativa de desvincular o ato de seu resultado. Essa dissociação é o solo fértil para a impunidade, que encoraja a escalada da transgressão. Quando muitos desvios são tolerados, vários crimes se tornam pensáveis.
Muitos confundem liberdade com o direito irrestrito de "fazer
o que se quer". É um engano infantil. A verdadeira liberdade, a cidadania
madura, não reside na ausência de limites, mas na dignidade de ser responsável
pelas próprias escolhas. Quem exige a liberdade de expressão para proferir o
que bem entende, precisa ter a coragem de ouvir o que não quer e arcar com o
impacto de suas palavras. Querer o bônus da liberdade sem o ônus da
responsabilidade é reivindicar uma licença para a tirania pessoal.
Superar essa crise não é uma tarefa para um salvador, mas um
chamado à consciência de cada um. É um convite para pensarmos criticamente,
para resgatarmos a alteridade e entendermos que nossas ações, como pedras
lançadas em um lago, criam ondas que alcançam margens distantes. A Esperança
não está em aguardar um futuro utópico, mas na decisão presente de sermos
melhores semeadores.
A sociedade mais Justa, Inclusiva e Democrática que tanto esperançamos florescerá apenas no campo da responsabilidade mútua. É ali, nesse solo fértil, que a beleza de uma verdadeira comunidade se revela: quando cada cidadão entende que a liberdade só é plena ao caminhar de mãos dadas com a coragem de assumir a própria colheita.
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