Estudo comparativo realizado por pesquisadores brasileiros, com participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), indica bons resultados da mamografia contrastada
A avaliação pré-operatória é determinante para o
sucesso nas cirurgias de câncer de mama. Sob a perspectiva de investigar a
efetividade e a precisão dos exames de imagem que detectam o tamanho e a
localização dos tumores, pesquisadores brasileiros acabam de publicar um estudo
que compara a mamografia digital, a mamografia contrastada, a tomossíntese
digital e a ressonância magnética. Com a participação de pacientes com câncer
de mama invasivo em estágio inicial do Hospital da Mulher, antigo Pérola
Byington, em parceria com a rede Dasa, a investigação constitui uma
contribuição científica importante para o aprimoramento de diagnósticos e a
melhoria de resultados nos procedimentos cirúrgicos.
O estudo “Avanço no estadiamento pré-operatório do
câncer de mama precoce: uma análise comparativa de modalidades de imagem” foi
publicado pelo periódico Current Problems in Diagnostic Radiology,
dedicado à pesquisa e melhoria da prática em radiologia clínica. Coordenado
pelo mastologista André Mattar, tesoureiro-adjunto da Sociedade Brasileira de
Mastologia (SBM), tem a participação dos pesquisadores Almir Bitencourt, Flora
Finguerman Menache Dwek, Andressa Amorim, Luiz Henrique Gebrim e Flavia Paiva.
Os especialistas Marcelo Antonini e Henrique Lima Couto, também da SBM,
completam a equipe.
As pesquisas científicas que comparam diretamente a
mamografia digital, a mamografia contrastada, a tomossíntese digital e a
ressonância magnética para estadiamento pré-operatório são escassas. Além
disso, o estudo conduzido pelo médico André Mattar é notável por concentrar
investigações exclusivamente sobre pacientes com câncer de mama em estágio
inicial, elegíveis para cirurgia. “Neste grupo distinto, o dimensionamento
preciso do tumor e a detecção da lesão são cruciais para a realização da
cirurgia”, ressalta o mastologista da SBM.
Na avaliação pré-operatória, a ressonância
magnética, segundo o especialista, é considerada “padrão ouro” para orientar o
planejamento cirúrgico e otimizar resultados nos casos de câncer de mama em
estágio inicial. “O exame, no entanto, tem várias limitações. Podemos enumerar
o alto custo, a disponibilidade reduzida de equipamentos e técnicos para
realizá-lo e contraindicações para pacientes com claustrofobia ou dispositivos
metálicos implantados, como o marca-passo”, afirma.
No estudo, os pesquisadores brasileiros incluíram
46 mulheres com idade média de 55,4 anos do Hospital da Mulher, em São Paulo
(SP), referência no tratamento de câncer feminino que atende pacientes do SUS
(Sistema Único de Saúde). O levantamento contou ainda com a parceria da rede
Dasa, líder em medicina diagnóstica no Brasil e na América Latina.
Como resultado, o tumor primário foi identificado
pela mamografia digital em 89,1% dos casos; a tomossíntese, em 97,8%. Mas tanto
a ressonância magnética quanto a mamografia contrastada identificaram o câncer
em 100% dos casos.
“Evidentemente, a ressonância magnética é um
recurso de imagem que oferece melhor definição e dá ao cirurgião mais segurança
para realizar um procedimento”, destaca Mattar. Mas como alternativa nova e
promissora, pondera o médico, a mamografia que utiliza contrastes iodados se
mostra superior à mamografia digital e permite uma avaliação mais precisa das
lesões.
Na avaliação dos especialistas envolvidos no
estudo, a mamografia contrastada “combina de forma única dados anatômicos e
funcionais que revelam massas subjacentes e distorções arquitetônicas difíceis
de interpretar com a mamografia digital, devido à sobreposição do tecido
glandular mamário”. Para mulheres com mamas densas, as imagens obtidas com
contraste ajudam a dimensionar, com maior precisão, a extensão do tumor.
Embora não esteja disponível no SUS e no rol de
cobertura da saúde suplementar, que inclui os planos de saúde, André Mattar
observa que a mamografia contrastada, como demonstra o estudo brasileiro, tem
potencial para ser aplicada na avaliação pré-operatória em casos de câncer de
mama em estágios iniciais. “O exame também tem a vantagem adicional de ser
alternativa mais rápida e barata que a ressonância magnética”, finaliza.

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