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sábado, 6 de setembro de 2025

Setembro Amarelo: ouvir e acolher pode salvar vidas

No mês dedicado à prevenção ao suicídio, especialistas reforçam: saber ouvir e oferecer acolhimento pode ser decisivo.

 

Falas aparentemente casuais como “queria dormir e não acordar” ou “vocês ficariam melhor sem mim” podem esconder um sofrimento profundo. No Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, especialistas reforçam que a escuta atenta e a disponibilidade para acolher fazem toda a diferença.

“Minimizar ou silenciar a dor só aumenta a solidão. Quando escutamos com empatia, validamos os sentimentos e mostramos que estamos disponíveis, pode ser o primeiro passo para salvar uma vida”, afirma a psicóloga Laís Mutuberria, especialista em neurociência do comportamento e saúde mental.
 

Como responder diante de um pedido de ajuda

De acordo com Mutuberria, respostas acolhedoras são decisivas. Perguntas simples, como “Você quer me contar melhor o que está sentindo?” ou “Percebo que você está sofrendo, estou aqui para te ouvir”, transmitem reconhecimento e apoio. Outras expressões, como “Sua vida é importante, e você não precisa passar por isso sozinho”, também ajudam a abrir espaço para o diálogo.

“Frases que mostram gratidão pela confiança, como ‘Obrigada por confiar em mim para falar sobre isso’, ou o oferecimento de acompanhamento na busca por ajuda profissional, podem ser pontos de virada, explica a psicóloga.
 

Quebrando mitos sobre o suicídio

Um dos principais obstáculos na prevenção é a ideia equivocada de que quem fala sobre suicídio não vai se matar. “Na prática clínica, vemos justamente o contrário: grande parte das pessoas que tentaram suicídio verbalizou sua dor antes do ato”, diz Mutuberria.

Outro mito comum é o medo de falar sobre o tema, sob a crença de que isso poderia incentivar comportamentos de risco. Mas, segundo a especialista, as evidências mostram o oposto: abrir espaço para a conversa não estimula a ideação suicida, e sim acolhe quem já está sofrendo.

“O silêncio isola, aumenta a dor e dificulta o pedido de ajuda. Falar permite que a pessoa sinta que sua dor pode ser nomeada e compartilhada, em vez de guardada em segredo”, ressalta.
 

Prevenção começa cedo

A psicóloga também defende que a prevenção seja pensada de forma ampla e desde a infância. “Crianças que aprendem a reconhecer emoções, pedir apoio e lidar com frustrações crescem mais preparadas para enfrentar crises sem recorrer a soluções extremas”, explica.

Ao longo da vida, fatores de proteção podem ser cultivados: manter vínculos de amizade, ter uma rede de apoio familiar saudável, praticar atividades físicas, envolver-se em hobbies, ter contato com a natureza, buscar psicoterapia e construir um propósito claro no trabalho ou nos estudos.
 

Intelecto e resiliência

Além disso, o desenvolvimento intelectual é outro fator protetivo. “Atividades como ler, aprender algo novo e se desafiar intelectualmente ampliam as conexões neurais e ajudam a flexibilizar pensamentos. Isso permite enxergar alternativas mesmo em situações de crise”, afirma Mutuberria.
 

Rede de sustentação

Segundo a psicóloga, cada uma dessas escolhas funciona como um fio de sustentação. “Quando somados, esses fios tecem uma rede capaz de amparar a pessoa nos momentos de maior vulnerabilidade”, conclui.

 

Laís Mutuberria - psicóloga possui mais de uma década de experiência em psicoterapia clínica e supervisão profissional, atendendo adultos, casais e adolescentes no modelo online. Graduada pela UFU, especializou-se em Análise Transacional (Unat Brasil) e Neurociência do Comportamento (PUCRS), além de acumular formações em Psicologia Positiva, Hipnose Ericksoniana, PNL, TCC e Educação Sistêmica. Sua abordagem integrativa e humanizada combina diferentes técnicas para adaptar os tratamentos às necessidades individuais de cada paciente. Além da prática clínica, ministra cursos, palestras e eventos voltados ao bem-estar e à saúde mental.



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