Método oferece gasto energético relevante, mas requer cautela para evitar sobrecargas
Criado pela influenciadora americana Lauren
Giraldo, o protocolo 12-3-30 tornou-se uma das tendências de treino mais
populares das redes sociais nas últimas semanas. A prática, que consiste em
caminhar na esteira por 30 minutos, a 4,8 km/h, com inclinação de 12%, já soma
mais de 700 milhões de visualizações na hashtag #12330workout no
TikTok e atrai principalmente iniciantes e pessoas com restrições ou que não
gostam de correr.
Segundo o treinador da Smart Fit Lucas Florêncio, o
apelo do protocolo está no equilíbrio entre simplicidade e intensidade. “É um
treino de baixo impacto, mas suficientemente desafiador para gerar resultados.
A prática pode ser feita em casa e tem ganhado a atenção de iniciantes”,
diz.
Estudos recentes ajudam a entender a repercussão.
Pesquisas indicam que, embora a corrida apresente maior gasto calórico por
minuto, o 12-3-30 utiliza um percentual mais elevado de gordura como fonte de
energia — cerca de 41%, contra 33% observados na corrida.
Para Florêncio, no entanto, isso não significa
superioridade absoluta. “Em termos de eficiência de tempo, a corrida leva
vantagem. Mas, para maior utilização de gordura, o protocolo tem leve
superioridade.” Na comparação com treinos intervalados de alta intensidade
(HIIT), ele observa que o método também fica atrás em efeitos metabólicos, mas
oferece maior tolerância e sustentabilidade, fundamentais para quem está
começando.
Prática exige cuidados
Apesar dos benefícios, a prática exige cautela. A
inclinação elevada aumenta a exigência sobre panturrilhas, lombar e
isquiotibiais, o que pode gerar desconforto ou sobrecarga em pessoas sem
preparo adequado. “Controlar variáveis como velocidade, inclinação e tempo
total é essencial para treinar com segurança e eficiência. Quem tem histórico
de dores nos joelhos, tornozelos ou lombar deve avaliar antes de adotar o
protocolo”, orienta Florêncio.
Ele também aponta os principais mitos que circulam
nas redes, como a ideia de que o treino “queima apenas gordura”, de que é sempre
melhor que a corrida ou de que pode ser feito todos os dias sem prejuízos.
“Nenhum exercício é isento de riscos ou substitui sozinho uma estratégia
completa. A variação continua sendo importante para ampliar benefícios”,
afirma.
Musculação como aliada
Outro ponto enfatizado pelo treinador é a
necessidade de aliar o protocolo à musculação, tanto para garantir equilíbrio
físico quanto para potencializar resultados, já que fortalecer a musculatura
reduz riscos de lesão, melhora a postura e aumenta o gasto calórico em repouso.
Para quem pretende iniciar, Florêncio recomenda
progressão gradual, começando com inclinações mais baixas, atenção à postura
ereta, uso de tênis adequados, intercalando sessões com dias de descanso e
reduzindo intensidade em caso de dor.
Na visão do treinador, o 12-3-30 pode se consolidar
como parte de um programa de treinos a longo prazo, desde que inserido em uma
rotina variada. “É excelente para quem tem baixa adesão ao exercício
cardiovascular, mas precisa ser combinado a outras modalidades para gerar
resultados consistentes e sem riscos”, avalia.
Modelo de programa semanal (combinação 12-3-30 +
musculação)
|
Dia |
Cardio (12-3-30) |
Musculação / Outros |
|
Seg |
Opcional:
Transport, bike ou descanso |
MMII +
Core (ênfase em glúteos e lombar) |
|
Ter |
12-3-30 |
Peito +
Tríceps + abdômen |
|
Qua |
12-3-30 |
Costas +
Bíceps + core |
|
Qui |
Atividade
leve: yoga, mobilidade |
MMII +
Core |
|
Sex |
12-3-30 ou
versão intervalada |
Peito +
Tríceps + abdômen |
|
Sáb |
Atividade
leve: yoga, mobilidade |
Costas +
Bíceps + core |
|
Dom |
Descanso
completo |
Alongamento,
mobilidade, preparação para semana |
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