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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Obesidade infantil explode no Brasil: escolas estão preparadas para enfrentar essa epidemia?

Um em cada três adolescentes brasileiros já apresenta excesso de peso. Sem mudanças urgentes no ambiente escolar, a obesidade infantil tende a se agravar e comprometer o futuro de milhões de crianças

 

Em setembro, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promove a campanha “Setembro Laranja: combate à obesidade infantil”, com o objetivo de dar visibilidade ao problema, estimular práticas alimentares mais saudáveis nas escolas e em casa, além de incentivar a prática de atividades físicas desde cedo.

No Brasil, os números mostram que a urgência é real: um em cada três adolescentes de 10 a 19 anos está acima do peso, segundo levantamento nacional com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Em dez anos, o sobrepeso entre jovens dessa faixa etária cresceu quase 9%, atingindo 2,6 milhões de brasileiros número que já preocupa autoridades de saúde em todo o mundo.

As consequências desse aumento vão além da balança: excesso de peso precoce eleva o risco de doenças cardíacas, diabetes e até AVC. Este ano, a gravidade do problema levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a autorizar a cirurgia bariátrica em adolescentes a partir dos 14 anos.

Uma das chaves para virar esse jogo está dentro das escolas.
Segundo Mariana Ruske, pedagoga e fundadora da Senses Montessori School, a responsabilidade das instituições de ensino é enorme:

“A infância é a fase mais importante para a consolidação do paladar, permeando escolhas que a criança tende a sustentar por toda a vida. A escola deve ser consciente e consistente ao oferecer alimentos variados, nutritivos e minimamente processados, criando um ambiente que incentive hábitos positivos. Essa responsabilidade não se restringe ao cardápio, mas envolve também o modo como o alimento é apresentado, o ritual das refeições e a relação com a comida.”

Grande parte das crianças passa mais tempo na escola do que em casa. Por isso, o ambiente escolar pode ser tanto um aliado quanto um vilão na luta contra a obesidade. Cantinas que priorizam salgadinhos, biscoitos recheados e refrigerantes contribuem para perpetuar o problema.

“As crianças são extremamente sensíveis ao ambiente. Se normalizam o consumo de ultraprocessados na escola, esse hábito tende a se perpetuar na vida adulta. Já quando participam do preparo e da escolha dos alimentos, há maior adesão a hábitos saudáveis”, explica Mariana.

Entre os maiores desafios enfrentados pelas instituições estão a conscientização da própria equipe escolar, o alinhamento com as famílias e o apelo sensorial dos ultraprocessados. Mas, segundo a pedagoga, existem estratégias práticas que podem transformar essa realidade:

  • Banir ultraprocessados das cantinas e dos lanches enviados de casa.
  • Oferecer lanches nutritivos e variados, com foco em alimentos frescos e sazonais.
  • Educar pelo exemplo, com professores e pais sendo modelos de hábitos equilibrados.
  • Incluir a criança no processo, desde a recepção dos alimentos até o preparo e a organização das refeições.

“A consistência entre escola e família é o que realmente forma hábitos sólidos. Quando os dois ambientes caminham juntos, a criança cresce mais saudável, e a comunidade escolar fortalece sua reputação de cuidado integral”, reforça a pedagoga.

O Setembro Laranja é um convite à reflexão: combater a obesidade infantil não é apenas uma questão estética, mas uma urgência de saúde pública. Escolas que assumem esse protagonismo não apenas educam, mas salvam vidas.

 

Mariana Ruske - Pedagoga da Senses Montessori School - especializada no método Montessori e fundadora da Senses Montessori School, referência em bilinguismo e educação Montessori no Brasil. Mãe de dois meninos, sua trajetória inclui formações em engenharia e astrofísica antes de encontrar sua vocação na pedagogia, impulsionada pela paixão pelo cérebro humano e seu desenvolvimento. Palestrante e ativista, dedica-se a disseminar informações sobre a proteção infantil contra abuso e violência. Defende que a educação infantil é a base do futuro e vê na Pedagogia Científica de Maria Montessori a ferramenta ideal para um desenvolvimento integral.


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