Um em cada três adolescentes brasileiros já apresenta excesso de peso. Sem mudanças urgentes no ambiente escolar, a obesidade infantil tende a se agravar e comprometer o futuro de milhões de crianças
Em
setembro, a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP) promove a campanha
“Setembro Laranja: combate à obesidade infantil”, com o objetivo de dar
visibilidade ao problema, estimular práticas alimentares mais saudáveis nas
escolas e em casa, além de incentivar a prática de atividades físicas desde
cedo.
No
Brasil, os números mostram que a urgência é real: um em cada três adolescentes
de 10 a 19 anos está acima do peso, segundo levantamento nacional com base em
dados do Sistema Único de Saúde (SUS). Em dez anos, o sobrepeso entre jovens
dessa faixa etária cresceu quase 9%, atingindo 2,6 milhões de brasileiros
número que já preocupa autoridades de saúde em todo o mundo.
As
consequências desse aumento vão além da balança: excesso de peso precoce eleva
o risco de doenças cardíacas, diabetes e até AVC. Este ano, a gravidade do
problema levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a autorizar a cirurgia
bariátrica em adolescentes a partir dos 14 anos.
Uma
das chaves para virar esse jogo está dentro das escolas.
Segundo Mariana Ruske, pedagoga e fundadora da Senses Montessori School, a
responsabilidade das instituições de ensino é enorme:
“A
infância é a fase mais importante para a consolidação do paladar, permeando
escolhas que a criança tende a sustentar por toda a vida. A escola deve ser
consciente e consistente ao oferecer alimentos variados, nutritivos e
minimamente processados, criando um ambiente que incentive hábitos positivos.
Essa responsabilidade não se restringe ao cardápio, mas envolve também o modo
como o alimento é apresentado, o ritual das refeições e a relação com a
comida.”
Grande
parte das crianças passa mais tempo na escola do que em casa. Por isso, o
ambiente escolar pode ser tanto um aliado quanto um vilão na luta contra a
obesidade. Cantinas que priorizam salgadinhos, biscoitos recheados e
refrigerantes contribuem para perpetuar o problema.
“As
crianças são extremamente sensíveis ao ambiente. Se normalizam o consumo de
ultraprocessados na escola, esse hábito tende a se perpetuar na vida adulta. Já
quando participam do preparo e da escolha dos alimentos, há maior adesão a
hábitos saudáveis”, explica Mariana.
Entre
os maiores desafios enfrentados pelas instituições estão a conscientização da
própria equipe escolar, o alinhamento com as famílias e o apelo sensorial dos
ultraprocessados. Mas, segundo a pedagoga, existem estratégias práticas que
podem transformar essa realidade:
- Banir ultraprocessados das cantinas e dos lanches enviados de casa.
- Oferecer lanches nutritivos e variados, com foco em alimentos
frescos e sazonais.
- Educar pelo exemplo, com professores e pais sendo modelos de
hábitos equilibrados.
- Incluir a criança no processo, desde a recepção dos alimentos até o
preparo e a organização das refeições.
“A
consistência entre escola e família é o que realmente forma hábitos sólidos.
Quando os dois ambientes caminham juntos, a criança cresce mais saudável, e a
comunidade escolar fortalece sua reputação de cuidado integral”, reforça a
pedagoga.
O Setembro Laranja é um convite à reflexão: combater a obesidade infantil não é apenas uma questão estética, mas uma urgência de saúde pública. Escolas que assumem esse protagonismo não apenas educam, mas salvam vidas.
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