Pesquisar no Blog

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

O mito da criatividade das inteligências artificiais ameaça o futuro humano

Orlando Pavani alerta para impactos na saúde, nas relações e na governança tecnológica

 

A criatividade, tradicionalmente compreendida como uma habilidade exclusivamente humana, não pode ser atribuída à inteligência artificial (IA). Essa é a avaliação de Orlando Pavani, antologista dos Referenciais de Exemplaridade da Primazia da Gestão (REPG) e especialista em Inteligência Comportamental e Cultura Organizacional. Segundo ele, chamar as máquinas de criativas é um exagero. “Uma IA pode gerar soluções inéditas a partir de uma base de dados conhecida, mas isso não é criatividade. Trata-se apenas de combinações matemáticas que ainda não haviam sido exploradas”, afirma. 

Apesar das possibilidades oferecidas pela tecnologia, Pavani faz um alerta: depender apenas da IA pode enfraquecer a capacidade humana de reflexão complexa e, a longo prazo, até aumentar riscos de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. “Não podemos abdicar de nossa capacidade de pensar criticamente. Esse deve ser um cuidado coletivo”, completa. 

Outro ponto levantado pelo especialista é o impacto da IA nas relações humanas. A facilidade de interação com “companheiros sintéticos”, que se mostram menos tóxicos e mais compreensivos do que pessoas reais, já influencia negativamente os vínculos interpessoais. “No Japão, jovens estão literalmente se casando com animes artificiais. Isso evidencia um cenário assustador de substituição das relações humanas por artificiais”, observa. 

Para Pavani, a questão ultrapassa a tecnologia e entra no campo da identidade e da sobrevivência da humanidade. Ele lembra o alerta feito por Yuval Noah Harari em sua obra Nexus: “As IA’s vieram para ficar, mas precisamos tomar cuidado com os riscos desta utilização indiscriminada. O que está em jogo é a sobrevivência da humanidade”, enfatiza. 

O especialista também defende que o desenvolvimento humano, especialmente sob o ponto de vista comportamental, deve ser prioridade no século XXI. “Trata-se de uma questão de saúde pública, mas pouco debatida em ambientes acadêmicos, que ainda se concentram apenas em evoluções técnicas”, destaca. 

No ambiente corporativo, a corrida pelo uso da IA já é uma realidade, mas Pavani chama atenção para outro desafio: a falta de atenção à governança e à legislação. Ele cita iniciativas como o Projeto de Lei nº 21/20, o Projeto de Lei nº 2.338/2023 e a ISO/IEC 42001:2023, que busca padronizar a gestão da inteligência artificial. “Nosso foco, a partir dos REPG, mais especificamente no SRT 10, é cuidar da governança de IA para evitar aberrações que podem se multiplicar”, conclui.

 

 

Orlando Pavani - reconhecido antologista dos Referenciais de Exemplaridade da Primazia da Gestão (REPG) e um especialista em Inteligência Comportamental e Cultura Organizacional. Como idealizador do Método Olho de Tigre de Desenvolvimento Humano, Pavani dedica sua carreira a ajudar pessoas a atingirem sua plenitude, promovendo o empreendedorismo protagonista, e a apoiar empresas na busca pela excelência em sua gestão. Essa visão norteia sua trajetória de mais de três décadas como consultor, mentor e educador. Atualmente, Pavani é Diretor Presidente da HOLDING PAVANI, que administra a Gauss Consulting Group e a Olho de Tigre. Além disso, é Consultor Certificado CMC® pelo IBCO/ICMCI e detém outras certificações internacionais em áreas como Business Process Management (CBPP®), Metodologias Ágeis (HCMBOK® to AGILE) e coaching. Pavani também ocupou cargos de destaque, incluindo a presidência do IBCO (2017-2020), consolidando-se como uma referência no cenário da consultoria organizacional no Brasil. Como autor e coautor, contribuiu para a literatura de gestão e desenvolvimento humano com obras como As 30 Leis do Olho de Tigre, Mapeamento e Gestão por Processos/BPM e Consultoria Organizacional. Essas publicações refletem sua profunda compreensão sobre os desafios enfrentados por líderes e organizações, além de seu compromisso em disseminar metodologias inovadoras e eficazes. Sua atuação como examinador e instrutor em programas como PNQ e PQGF evidencia sua capacidade de alinhar a teoria à prática para fomentar a excelência organizacional. Com sólida formação acadêmica, Pavani possui duas titulações de mestrado – uma em Administração Integrada pela Universidade São Francisco e outra em Administração e Desenvolvimento Empresarial pela FACECA –, além de pós-graduações em Economia Empresarial e Medicina Comportamental. Ele complementa sua expertise com certificações em áreas como neurociência aplicada, coaching e Programação Neurolinguística (PNL). Sua trajetória multifacetada é marcada pela busca contínua por conhecimento e pela vontade de transformar vidas e organizações por meio de métodos inovadores e uma visão humanista da gestão.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados