Especialistas analisam o impacto de
procedimentos estéticos em jovens e reforçam a importância de limites éticos e
escuta ativa no consultório
No Setembro Amarelo, a saúde ganha uma dimensão além do físico e
chama atenção para o equilíbrio emocional dos jovens. O tema voltou ao debate
após adolescentes como Duda Guerra, Liz Macedo e Antonella Braga, com cerca de
15 anos, compartilharem procedimentos como implantes de silicone e rinoplastia
nas redes sociais. O movimento levanta uma questão urgente: até que ponto a
cirurgia plástica pode contribuir para a autoestima e quando ela se torna
reflexo da pressão por padrões inalcançáveis?
Para o cirurgião plástico Dr. Gerson Julio, com mais de 30
anos de carreira e 9 mil cirurgias realizadas, a especialidade deixou de ser
apenas estética para se tornar, em muitos casos, um recurso terapêutico.
“Quando a pessoa se enxerga com mais segurança, é comum que ela retome planos,
mude de cidade ou até de carreira. A cirurgia pode ser um ponto de virada na
vida”, explica.
O médico relata que é frequente observar, após os procedimentos, um aumento na autoconfiança, retomada de projetos e transformações de estilo de vida. “A forma como o paciente se vê impacta diretamente sua vida pessoal, profissional e social. Quando há esse alinhamento entre imagem e identidade, a pessoa se transforma”, reforça.
Mas a decisão exige responsabilidade. O psiquiatra Dr. Guido Boabaid, CEO da GnTech e médico do Hospital Albert Einstein, chama atenção para os riscos da busca precoce por padrões de beleza irreais. “Muitas vezes, esses procedimentos representam tentativas de preencher inseguranças ou se encaixar em modelos inalcançáveis de beleza. Isso pode levar a um ciclo de frustração, ansiedade e depressão”, alerta.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o
Brasil realizou mais de 1,5 milhão de cirurgias em 2023. As intervenções
reconstrutoras cresceram 23% e as estéticas, 8%. A lipoaspiração segue entre as
mais procuradas. O contexto digital agrava a questão. Um estudo publicado no Journal
of Adolescent Health aponta que o uso frequente de redes sociais visuais,
como Instagram e TikTok, está ligado ao aumento de insatisfação corporal e
sintomas de ansiedade e depressão, especialmente entre meninas. “Autoestima não
se constrói com bisturis ou filtros. Ela vem do afeto, da identidade e do
pertencimento”, reforça o Dr. Guido.
No entanto, essa transformação exige cautela. A busca excessiva por aprovação externa pode gerar baixa autoestima, distorções da autoimagem e ansiedade social. “Quando um adolescente acredita que precisa modificar seu corpo para ser aceito, desconsiderando sua individualidade, biotipo e saúde, acendemos um sinal de alerta. Nenhum procedimento deve servir como compensação para dores emocionais. A verdadeira beleza é reflexo do equilíbrio interno”, complementa o psiquiatra.
Dr. Gerson também reforça a importância da escuta ativa e do
posicionamento ético do médico. “Nem todo paciente está pronto. Às vezes, a
melhor decisão é não operar. Dizer ‘não’ também é uma forma de cuidado. A
prioridade deve ser sempre o bem-estar”, finaliza.
Guido Boabaid May - médico psiquiatra, fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, formado pela UFSC, com especialização em Psiquiatria pela UFRGS, Guido é referência em saúde mental para executivos de alta performance, Medicina de Precisão e bem-estar sustentável.
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