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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Nem sempre é genética: o que pode estar por trás da baixa estatura infantil?

Nem toda diferença de altura é sinal de doença, mas especialistas alertam que causas hormonais e nutricionais precisam ser investigadas

 

Seu filho é mais baixo do que os colegas de sala? Comparações podem enganar: em muitos casos, a baixa estatura não passa de uma variação normal. Mas quando o crescimento fica muito abaixo do esperado para a idade e histórico familiar, pode indicar problemas hormonais ou nutricionais. 

Segundo dados do Lanpop USP, obtidos a partir do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde, 5,3% das crianças brasileiras com menos de 5 anos apresentavam déficit de altura em 2021cinco vezes mais do que o observado em populações saudáveis. O aumento do déficit de crescimento está relacionado à fome, à desnutrição e às crises econômicas recentes, especialmente durante a pandemia. 

A endocrinologista infantil e cofundadora da startup de saúde e medicina G7med, Mônica Gabbay, alerta que “Quando expostas a esses problemas na primeira infância, entre os 0 e 6 anos, as crianças têm menor chance de recuperar o déficit de altura”. 

Entre os distúrbios hormonais, os mais frequentes são a deficiência do hormônio de crescimento e da tireoide. No caso do hormônio tireoidiano, a baixa estatura geralmente vem acompanhada de outros sinais, como mau rendimento escolar, intestino preso, pele seca, inchaço e cansaço excessivo. Já a deficiência do hormônio de crescimento costuma ser silenciosa e só é identificada por exames específicos. 

Mônica alerta que um equívoco comum entre os pais é acreditar que crianças que crescem pouco na infância irão recuperar a altura na puberdade. “Se a deficiência de hormônio de crescimento não for identificada e tratada precocemente, a estatura final pode ser comprometida. A puberdade acelera a idade óssea e reduz o tempo disponível para o crescimento. Quanto melhor a altura no início da puberdade, melhor o prognóstico”. 

Além do acompanhamento médico, há fatores cotidianos que influenciam o crescimento, como alimentação equilibrada, sono adequado e prática regular de atividades físicas. 

O tratamento da baixa estatura também evoluiu nos últimos anos. Antes, a reposição do hormônio de crescimento precisava ser feita por meio de injeções aplicadas sob a pele todos os dias, uma rotina difícil tanto para as crianças quanto para os pais. 

Hoje, já existem versões que permitem aplicação apenas uma vez por semana, com a mesma eficácia. “A mudança trouxe mais praticidade e conforto, além de aumentar a adesão ao tratamento, já que muitas famílias desistiam por conta da dificuldade de manter as injeções diárias”, afirma Gabbay.



Mônica Gabbay - médica endocrinopediatra, cofundadora da startup de saúde médica G7med. Especialista em crescimento e desenvolvimento infantil; referência no diagnóstico e tratamento de distúrbios hormonais na infância e adolescência.


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