Pesquisa publicada na Endocrine Reviews em junho de
2025 reforça o papel do estrogênio como protetor hepático e mostra como a queda
hormonal da menopausa acelera o risco de gordura no fígado, inflamação, fibrose
e até cirrose
A
menopausa marca uma transição profunda na vida da mulher e não apenas no
aspecto reprodutivo. Estudo recente publicado em junho deste ano na Endocrine
Reviews, uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo, aponta que o
fígado é um dos órgãos mais afetados pela queda do estrogênio nessa fase da
vida. O impacto, muitas vezes silencioso, pode evoluir para quadros graves,
como fibrose hepática, cirrose e até necessidade de transplante de fígado.
“Durante
a fase fértil, o estrogênio principalmente o estradiol atua como um verdadeiro
escudo para o fígado, controlando o metabolismo da gordura, reduzindo
inflamações e mantendo o equilíbrio das funções hepáticas”, explica a Dra.
Patrícia Almeida, Hepatologista pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e
doutora pela USP. “Mas, esse equilíbrio começa a ruir até sete anos antes da
última menstruação, durante a perimenopausa.”
O
estudo aponta que, com a queda hormonal, há aumento da gordura abdominal,
elevação do colesterol ruim (LDL), resistência à insulina e inflamação crônica.
Esses fatores, juntos, tornam o fígado da mulher mais vulnerável a desenvolver
esteatose hepática (gordura no fígado) e suas formas mais graves, como a
fibrose.
A
prevalência da doença hepática associada à disfunção metabólica (MASLD, antiga
esteatose hepática não alcoólica) sobe de forma expressiva após os 50 anos e
hoje já é a principal causa de transplante de fígado em mulheres nos Estados
Unidos.
“A
menopausa é um divisor de águas metabólico. E, nesse cenário, o fígado paga um
preço altíssimo se nada for feito. Por isso, é fundamental que médicos e
pacientes estejam atentos à chamada ‘janela de oportunidade’: os anos que
antecedem e seguem a menopausa são estratégicos para mudar esse destino”,
alerta a especialista.
A
Dra. Patrícia reforça que cuidar do fígado não é apenas evitar o álcool ou
controlar o peso: “É entender que o desequilíbrio hormonal muda a forma como o
fígado trabalha. A mulher pode estar magra e ainda assim desenvolver gordura ou
inflamação hepática. Por isso, o acompanhamento médico e os exames periódicos
são indispensáveis.”
Além dos riscos hepáticos, o estudo também destaca que a queda do estrogênio promove alterações na microbiota intestinal, piora a sensibilidade à insulina, aumenta o acúmulo de gordura visceral e leva à perda de massa muscular todos fatores que contribuem para a sobrecarga do fígado.
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