Alimentada com o conhecimento científico dos especialistas em reprodução humana, tecnologia traz avanços para a medicina reprodutiva na avaliação da qualidade dos óvulos
Casais
que buscam a reprodução assistida contam com mais um campo da ciência para o
aumento das chances de sucesso nessa jornada: a Inteligência Artificial (IA). A
partir de um avançado arsenal de dados, algoritmos são treinados para auxiliar
especialistas em Fertilização in Vitro (FIV), técnica considerada um dos
pilares da medicina reprodutiva, na busca de melhores desfechos clínicos. Ao
analisar grandes volumes de informações em tempo real, a IA garante maior
precisão e rapidez na análise dos óvulos coletados da paciente.
A FIV
é um tratamento para a infertilidade altamente complexo, constituído por
importantes etapas até que seja realizada a fecundação, cultivo embrionário e
implantação do embrião no útero da paciente. “Inicialmente, a mulher recebe
medicamentos para estimular o crescimento de folículos, pequenas estruturas localizadas
nos ovários que envolvem, cada uma delas, um óvulo. Após o estímulo ovariano,
os folículos crescem. Quando estão, possivelmente, maduros, os óvulos são
aspirados por meio de um procedimento minimamente invasivo e encaminhados ao
laboratório de fertilização para análise microscópica”, detalha Dra Verônica
Ferraz, diretora da Clínica Geare de Medicina Reprodutiva, referência da
especialidade na região Nordeste, com unidades em Pernambuco e na Paraíba.
É
nesse momento que a IA representa um avanço significativo. Com visão
computacional, ela interpreta grande quantidade de dados proporcionados por
imagem dos óvulos que não podem ser vistas pelos embriologistas apenas com o
uso de microscópio. Dessa forma, verifica a qualidade e calcula as chances de
cada óvulo dar origem a um embrião saudável.
“O uso
da Inteligência Artificial gerou avanços expressivos na jornada dos casais que
querem engravidar e buscam a FIV. A tecnologia permite avaliar a qualidade dos
óvulos sem colocá-los em risco e gera pontuações para predizer a probabilidade
de sucesso na fertilização, estimando o número de embriões a serem formados e,
também, as chances de nascidos vivos”, explica a fertileuta. Ela acrescenta que
a qualidade do óvulo é uma característica crucial para a fertilidade. “Com esse
avanço, permitimos que a paciente tenha uma visão mais ampla de sua jornada
reprodutiva. A partir das informações personalizadas obtidas com a ferramenta,
são tomadas decisões durante o tratamento de reprodução assistida que aumentam
as chances de gravidez a curto e a longo prazo “, afirma.
Em
relação às mulheres que irão congelar óvulos, a IA pode ajudar muito na
estimativa do número que precisa ser congelado para que haja maior
probabilidade de gestação no futuro. Antes da IA, tal estimativa era realizada
de forma observacional, a partir da avaliação da idade da paciente e seus dados
clínicos. A depender da qualidade dos óvulos mostrada pela inteligência
artificial, pode ser sugerida a realização de outro ciclo de coleta.
Ao
aumentar a precisão na triagem das células reprodutivas femininas, a IA pode,
também, diminuir o número de ciclos que precisam ser realizados. “Isso reduz
não só os custos financeiros para a paciente, mas também o tempo dedicado ao
processo, o que contribui para o seu bem-estar emocional, aliviando sentimentos
de ansiedade e frustração”, afirma a especialista em medicina reprodutiva da
Clínica Geare.
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