Especialistas apontam que, antes de optar pelo procedimento, é recomendável adaptar a rotina de cuidados cutâneos e investir em tratamentos menos invasivos
Durante anos, a harmonização facial esteve
associada ao universo das celebridades, principalmente pela promessa de realçar
contornos e conferir simetria ao rosto. O procedimento reúne diferentes
técnicas estéticas — como preenchimentos com ácido hialurônico, toxina
botulínica e bioestimuladores de colágeno — que atuam na redefinição das linhas
faciais. A popularização desse conjunto de práticas trouxe à tona um debate
importante: até que ponto é preciso recorrer a intervenções tão marcantes para alcançar
equilíbrio estético?
Os números ajudam a entender a força dessa
tendência. De acordo com o Conselho Federal de Odontologia (CFO), o número de
especialistas em harmonização facial cresceu 50% em apenas 12 meses. Em
dezembro de 2023, eram 2.675 cirurgiões-dentistas registrados na área; já em
2024, esse total saltou para 4.012. A expansão continua em 2025, refletindo não
apenas o interesse do público, mas também a consolidação do procedimento como
parte do mercado de beleza e saúde estética.
Apesar da crescente procura, os riscos associados
não podem ser ignorados. Intervenções mal executadas podem gerar assimetrias,
reações inflamatórias ou até comprometimentos funcionais, exigindo muitas vezes
correções complexas. Para minimizar essas ocorrências, a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) criou um canal oficial de orientação ao público,
reunindo recomendações sobre profissionais habilitados e cuidados prévios.
Ainda assim, a busca pela estética rápida continua a expor pacientes a
resultados indesejados.
Nesse cenário, especialistas sugerem caminhos
alternativos antes de partir para procedimentos invasivos. Mudanças na rotina
de cuidados com a pele, adoção de tratamentos estéticos não cirúrgicos e
tecnologias de laser despontam como opções eficazes para quem deseja resultados
graduais e seguros.
Altere a rotina de skincare
O ponto de partida para quem deseja retardar sinais
de envelhecimento e conquistar uma pele equilibrada está no cuidado diário. A
rotina de skincare, quando bem ajustada, auxilia na renovação celular, na
hidratação contínua e no fortalecimento da barreira cutânea. Isso significa
que, ao invés de buscar soluções imediatas em procedimentos invasivos, é
possível preparar a pele para reagir melhor ao tempo e às agressões externas,
como poluição, radiação solar e variações climáticas.
Para Julinha Lazaretti, bióloga e cofundadora da
Alergoshop, rede especializada no desenvolvimento de cosméticos
hipoalergênicos, escolhas assertivas nos produtos têm forte impacto sobre o
resultado - “A seleção de cosméticos hipoalergênicos, compatíveis com o tipo de
pele de cada pessoa, contribui para manter a saúde cutânea e evita o surgimento
de irritações ou alergias que poderiam acelerar o envelhecimento. Essa atenção
diária reduz a necessidade de intervenções mais agressivas no futuro.”
Opte por procedimentos não
invasivos
Enquanto muitos associam o rejuvenescimento apenas
a injeções e preenchedores, técnicas manuais demonstram resultados
surpreendentes quando praticadas de forma consistente. A drenagem linfática
facial, por exemplo, estimula a eliminação de toxinas, diminui o inchaço e
redefine contornos de maneira natural. Massagens específicas também favorecem a
oxigenação dos tecidos e aumentam a sensação de bem-estar. A prática regular
desses métodos oferece ganhos cumulativos: pele mais firme, rosto descansado e
vitalidade preservada.
“Ao incluir massagens e drenagens na rotina,
o cliente encontra uma alternativa segura, que melhora a circulação e promove
resultados duradouros, sem o receio de complicações ou períodos de
recuperação”, esclarece Marina Groke, especialista em beleza e cofundadora da
Unhas Cariocas.
Tratamentos com laser
As inovações em equipamentos estéticos
transformaram o laser em uma das ferramentas mais procuradas para quem busca
melhorar a qualidade da pele sem recorrer a técnicas invasivas. Diferentes
tecnologias permitem personalizar os protocolos: enquanto alguns aparelhos
focam no estímulo de colágeno, outros atuam no clareamento de manchas, na redução
da flacidez ou no afinamento de linhas finas.
O diferencial está no fato de o procedimento
proporcionar resultados progressivos, com baixo risco de efeitos adversos e
praticamente nenhuma interrupção da rotina do paciente. Claudio Winkler,
especialista em equipamentos médicos estéticos e gerente internacional de
vendas, detalha o impacto - “A combinação de comprimentos de onda variados
garante uma ação completa sobre diferentes camadas da pele. O resultado é uma
melhora consistente na textura, no brilho e no tônus facial, sem a necessidade
de afastamento do trabalho ou de restrições intensas após cada sessão.”
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