Especialista explica como o Código de Defesa do Consumidor continua essencial para garantir equilíbrio nas relações de consumo
Dia 15 de setembro é celebrado o Dia do Cliente, uma data que reforça a importância do consumidor na economia e na sociedade. Mais do que um momento de reconhecimento, a data também convida à reflexão sobre como o Código de Defesa do Consumidor (CDC) vem moldando as relações de consumo desde sua criação, há mais de 30 anos.
E os números mostram que essa proteção segue fazendo diferença. Em 2024, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) aplicou mais de R$70 milhões em multas, sendo R$45 milhões especificamente por descumprimento do CDC. No mesmo ano, o Procon-SP registrou um aumento de 16% nas reclamações, somando 255 mil atendimentos. Já o Idec aponta que os planos de saúde seguem no topo das queixas, concentrando cerca de 29% dos registros em 2023 e 2024. Esses dados reforçam que os consumidores estão mais atentos aos seus direitos, e que as empresas precisam estar igualmente preparadas para respeitá-los.
Para marcar a data, o advogado Mário Henrique Martins, do
escritório Martins Cardozo Advogados Associados e
especialista em Direitos Difusos e Coletivos, compartilha 5 dicas essenciais
para que consumidores entendam melhor seus direitos e saibam quando acioná-los.
1. Conheça os direitos básicos
“O CDC garante proteção à vida, direito à informação clara sobre
produtos e serviços, combate à publicidade enganosa, reparação de danos e
educação para o consumo adequado. São pilares que equilibram a relação entre
quem compra e quem vende”, explica Martins.
2. Entenda por que existe proteção extra ao consumidor
“Nas relações de consumo, o consumidor costuma estar em desvantagem: tem
menos informações, menos recursos financeiros, técnicos e jurídicos, e menos
poder de negociação. O CDC existe justamente para equilibrar esse jogo e evitar
abusos”, diz.
3. Saiba quando buscar ajuda
“Quando há problemas com produtos, serviços ou cobranças, o consumidor
pode buscar apoio nos órgãos de defesa, ou até mesmo recorrer à Justiça. Em
muitos casos, o próprio CDC prevê soluções coletivas, quando várias pessoas são
prejudicadas da mesma forma”, complementa o advogado.
4. Empresas também têm responsabilidades
“O Código não se limita a proteger: ele também responsabiliza. Entre as
punições possíveis estão multas, restrições ao funcionamento e até a obrigação
de veicular contrapropaganda. O objetivo é claro: incentivar práticas mais
corretas e transparentes no mercado”, entende.
5. Fique atento às compras online
“Com o crescimento do comércio eletrônico, um dos direitos mais importantes ganhou destaque: o direito de arrependimento. Se o produto ou serviço foi adquirido fora da loja física (internet ou telefone, por exemplo), o consumidor tem até 7 dias para desistir da compra, sem precisar justificar. O CDC foi um divisor de águas. Ele não apenas protege o consumidor, mas ajuda a criar relações de consumo mais equilibradas e saudáveis. Entender esses direitos é também exercer cidadania”, conclui Mário Henrique Martins.
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